ICVS da Escola de Medicina (UM) pode fazer mais testes

Pode fazer mais de 200 testes por dia, graças ao equipamento que possui e a uma equipa de 80 investigadores voluntários que testam, a partir de amostras colhidas com uma zaragatoa, a presença de material genético do vírus responsável pelo COVID-19.

O Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), da Escola de Medicina da Universidade do Minho, está a dar um contributo importante ao rastreio da população na detecção da infecção provocada pelo vírus que causa a COVID-19. Foram já feitos mais de 1000 testes nos seus laboratórios.
O ICVS começou por articular a sua acção com os Hospitais de Braga, Guimarães e Viana do Castelo mas rapidamente começou a trabalhar em rede com outras unidades de saúde e instituições do Minho, nomeadamente com as Câmaras de Braga e Guimarães. E com os lares de idosos, de modo especial.

Hoje, são feitos cerca de 200 testes por dia. Joana Palha, vice-presidente da Escola de Medicina, salienta que “estamos disponíveis e preparámos-nos para dar o nosso contributo para combater esta pandemia”. E realça: “podemos fazer mais testes diagnóstico e com mais turnos”, graças aos 80 voluntários, todos investigadores, das unidades da Universidade – ICVS, Centro de Engenharia Biológica, Centro de Biologia Molecular e Ambiental, Centro de Biologia Funcional de Plantas, Instituto de Ciência e Inovação para a Biosustentatibilidade, Departamento de Física. “É muito reconfortante que estes jovens investigadores tenham mostrado a sua disponibilidade para mostrar as suas competências técnicas de modo a testar o maior número de pessoas” – diz com satisfação.

Os investigadores, no ICVS, detectam a infecção do COVID-19 através de um processo de identificação de material genetico do vírus, servindo-se da técnica gold standard RT-qPCR. Um processo mais moroso do que os testes rápidos baseados na detecção por anticorpos (o mesmo princípio que os testes para HIV), mas com uma resposta mais precisa sobre a presença do vírus.
O manuseamento deste tipo de amostras requer um nível de segurança laboratorial elevado ao qual o ICVS está preparado uma vez que também neste instituto se estuda outros agentes infeciosos que levam a doenças como a tuberculose ou a malária.
As melhores práticas internacionais, de detecção de viroses, estão a ser seguidas no ICVS. “É um teste simples, não sendo tecnicamente difícil detectar se uma pessoa é portadora de um vírus activo” – assegura Joana Palha.

Sobre resultados e incidências, Joana Palha não revela números, pois, os resultados são entregues às entidades que requisitam os testes.
A vimaranense Isabel Veiga, é uma das investigadoras que preparou o modelo operacional do procedimento para o diagnóstico do COVID-19 no ICVS em que o manual de procedimentos, colocado à disposição da comunidade científica, pode ser utilizado por institutos que não tenham definido o seu modo de agir, no trabalho com este vírus.

Os passos, para se alcançar um diagnóstico que responda a uma questão nuclear: o indivíduo é ou não portador do COVID-19, são descritos em 79 páginas, escritas em inglês.
Mas há mais mulheres investigadores, de Guimarães, voluntárias neste trabalho de testar a população. Entre elas Fernanda Marques, Eduarda Correia e Ana Freitas.

Isabel Veiga (à direita) com Marcelo Rebelo de Sousa. © Direitos Reservados

“Em termos simples, este teste baseia-se primeiramente na extração de todo o material genético presente na amostra, seguido de uma técnica molecular, RT-qPCR (sigla em inglês para transcrição reversa seguida de uma reação em cadeia da polimerase), que deteta a presença do vírus na amostra através de sondas complementares a partes do genoma do vírus, definindo assim se a pessoa está ou não infetada. O nosso principal contributo como investigadores, é o de complementar os laboratórios de diagnóstico nacionais que neste momento se deparam com escassez de kits de deteção próprios para uso em equipamentos mais automatizados e de processamento de grande número de amostras. O nosso conhecimento base, como biológos moleculares, permite-nos formular o nosso próprio kit com reagentes alternativos, reagentes estes que podem ser de produção 100% nacional. É um trabalho mais manual, mas que permite um diagnóstico contínuo e com a grande vantagem de se fazer um teste muito mais barato” – revela Isabel Veiga.

“Estamos já a testar utentes dos lares da região, para além de indivíduos encaminhados das unidades prestadoras de cuidados de saúde…”

Na Universidade do Minho, os investigadores voluntários, que se dedicam a este trabalho de detecção do COVID-19, são da área da biologia molecular com competência no uso desta técnica nos seus trabalhos de investigação. Porém, esclarece Isabel Veiga, nesta situação “o que estamos todos a aprender é a fazer um trabalho de diagnóstico, muito diferente de um trabalho de investigação, que exige de todos nós muita coordenação em equipa, responsabilidade acrescida e por ser um trabalho em série, torna-se assim mais intenso mas igualmente fiável”.
O laboratório do ICVS está dotado do equipamento necessário e de investigadores para fazer mais. Neste momento, “estamos já a testar utentes dos lares da região, para além de indivíduos encaminhados das unidades prestadoras de cuidados de saúde (hospitais e agrupamentos de centros de saúde) – afirma.

Se a comunidade científica fosse, mais cedo, envolvida no diagnóstico de detecção do vírus, muitos mais idosos e a comunidade em geral, já teriam sido rastreados, evitando casos mais dolorosos e cenários assustadores entre a população mais idosa.
E se esta comunidade de investigadores, não tomasse a iniciativa, de se colocar ao serviço da região, a sua entrada ao serviço nesta luta contra o vírus ainda seria mais retardada, o que não é de todo compreensível, uma vez que as Universidades portuguesas estão dotadas do conhecimento desta técnica de diagnóstico e por consequência estariam preparadas mais cedo para dar o seu contributo, com meios humanos e técnicos.

O que está a fazer o ICVS no Minho, também o fazem outros institutos universitários no Porto, em Coimbra, Lisboa e Algarve. Todos se apresentaram ao serviço, por iniciativa própria, o que leva a pensar que o governo não reconheceu no início o potencial de investigação destes institutos neste cenário de guerra contra um vírus invisível.
O ICVS só começou a fazer testes a sério, depois de 6 de Abril, quando já estava disponível, há mais tempo sobretudo para ajudar os utentes dos lares de idosos.

Integrado na escola de Medicina, da UM, o ICVS foi criado em 2003, com o objectivo de melhorar a saúde humana por meio de pesquisas na área das ciências da vida. Os seus domínios de investigação são microbiologia e infecção, as neurociências, ciências cirúrgicas e saúde das populações. No âmbito da Tecnologia da Saúde, o instituto tem um consórcio com grupo 3B’s, instalado no AvePark.
Uma equipa de 250 investigadores trabalha no ICVS, cujos trabalhos foram já publicados em mais de uma centena de publicações internacionais científicas “top level”/ano.

© 2020 Guimarães, agora!

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