MoreTextile: empresários vimaranenses podem resgatar empresas

A Coelima, a António Almeida & Filhos e JMA podem estar à beira de um resgate de três empresas fortes no têxtil da região.


Enquadradas num grupo – MoreTextile – as três empresas nunca perderam a sua personalidade social e jurídica. A sua história, já vem de longe: Coelima de 1922, António Almeida & Filhos de 1956 e JMA de 1958.

Há 10 anos, este trio empresarial foi parar às mãos da ECS Capital, uma sociedade gestora de fundos de capital de risco e de reestruturação, líder no mercado de private equity em Portugal, fundada em 2006.

Com a missão de realizar o potencial das participadas dos fundos que gere, em parceria com as equipas de gestão e stakeholders, com o objectivo de atingir retornos sustentáveis a longo prazo, a ECS está em vias de devolver à região e aos empresários, um património industrial enorme.

A insolvência da Coelima, apresentada em Tribunal, em 10 de Abril passado, foi uma espécie de alarme que acelerou o processo de dissolução do grupo MoreTextile, sem colocar em causa a sobrevivência das empresas. A JMA foi a primeira a ser negociada. Um empresário vimaranense já apresentou uma proposta; a Coelima também tem pretendente, depois da insolvência apresentada no Juízo de Comércio; e a António Almeida & Filhos passou a estar também na mira de outro empresário da região.

A Câmara Municipal – por Domingos Bragança e Ricardo Costa – não ficou indiferente ao impacto negativo na região que a dissolução destas duas empresas pode criar no concelho. “Estamos a acompanhar a situação com a proximidade exigida, participando em reuniões com o Ministério da Economia” – afirma Ricardo Costa. E faz diplomacia económica com o governo, desejando que o Ministério da Economia faça a intermediação da solução que possa viabilizar as três empresas, face ao interesse de empresários vimaranenses em as revitalizarem.

“Se o problema da sustentabilidade financeira for resolvido, não só salvamos as empresas, como abrimos a porta a que o capital social seja de empresários vimaranenses…”

O que afecta a Coelima são problemas de tesouraria, num contexto de pandemia, acrescendo uma marca forte, produtos de qualidade, trabalhadores qualificados, presença nos mercados internacionais. “Se o problema da sustentabilidade financeira for resolvido, não só salvamos as empresas, como abrimos a porta a que o capital social seja de empresários vimaranenses” – reforça o vereador do Desenvolvimento Económico.

Mostra algum optimismo numa solução negociada com o Ministério da Economia, a ECS Capital e os empresários vimaranenses interessados em resgatar aquelas empresas.

A apresentação do pedido de insolvência da Coelima, em Tribunal, fez também reagir sindicatos e partidos políticos.

O PCP fez um requerimento na Assembleia da República onde questiona o governo sobre que informação tem da situação da empresa, que submeteu o pedido de insolvência “na sequência de uma anunciada quebra de vendas superior a 60%”, provocada pela pandemia e da não aprovação das candidaturas que apresentou às linhas de crédito covid-19. Pergunta se o Estado tem algum papel no grupo MoreTextile, se a empresa tem dívidas à Segurança Social ou à Fazenda Pública e que apoios foram atribuídos à Coelima nos últimos anos.

O Sindicato Têxtil, fez saber por Joaquim Vieira, que este mal-estar da Coelima também pode afectar a António Almeida & Filhos.

© GA!

Com cerca de 250 trabalhadores, a Coelima foi uma das empresas têxteis, a integrar o grupo MoreTextile (que em 2011 resultou da fusão com a JMA e a António Almeida & Filhos) e cujo accionista principal “é o Fundo de Recuperação gerido pela ECS Capital, no qual o Estado, através do Fundo de Recuperação de Empresas, tem um papel importante. De acordo com mesma fonte da têxtil, a empresa, como forma de acautelar os impactos nos variados intervenientes terá decidido apresentar-se à insolvência” – salienta o requerimento do PCP.

Os cerca de 250 trabalhadores da Coelima, que têm uma idade média de 51 anos e uma antiguidade de 27 anos, terão os salários em dia. 

Hoje, antes do meio-dia, o presidente da Câmara, Domingos Bragança, e o vereador do Desenvolvimento Económico, Ricardo Costa, voltarão a falar com o Ministro da Economia, Siza Vieira, de modo a encontrar uma solução definitiva para as três empresas que se podem desligar do grupo MoreTextile, face ao interesses de outros empresários vimaranenses em adquirirem as posições sociais nas mesmas.

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