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Quarta-feira, Maio 31, 2023

Taça de Portugal: E depois do adeus, Vitória?

O Vitória deixou a Taça de Portugal, sem marcar um golo sequer nos dois jogos que efectuou com equipas cujo historial não se compara com a equipa vitoriana.


Os sócios e adeptos do Vitória já andavam de cabeça baixa com as fracas exibições da equipa e o tipo de futebol praticado. Agora, ficaram irritados com a eliminação, em casa, frente ao Santa Clara. Não há que estranhar este desfecho, porque a inoperância atacante já não é de hoje nem apenas deste jogo. O empate sem golos, ao fim de 120’ de jogo com o Arouca deixava a certeza de que a equipa teria de ter outro comportamento nas eliminatórias seguintes, se tivesse interesse em continuar na prova. Até para não se sujeitar à sorte dos penaltis.

© FPF

Agora, com o Santa Clara que se colocou a vencer aos 8’ com um remate de Júlio Romão, Bruno Varela nada podia fazer perante um remate tão bem colocado. Mais, muito mais, a equipa podia ter feito nos 82’ regulamentares da partida, após o golo. Mas não o fez. E nem sequer percebeu que “aqui, todas as batalhas são para vencer”, pois este jogo era de vida ou de morte futebolística.

Num jogo em que a precisão do passe e a produção de cruzamentos de Quaresma foi absoluta e nunca vista, o resultado foi um espectáculo de falhanços à boca da baliza da equipa açoriana mais por Bruno Duarte, por duas vezes a rematar, de cabeça para o lado, desperdiçando o trabalho do extremo vitoriano.

Mas o “falhanço” na hora de concretizar não se deve apenas a Bruno Duarte mas a toda a equipa que jogou certinho mas devagarinho, sempre à espera de um milagre – por um erro da equipa dos Açores ou por acerto dos avançados do Vitória, o que nada disto aconteceu.

É claro que o Vitória teve momentos em que encostou o adversário às cordas. Mas não foi o suficiente porque a bola nunca chegou a entrar na baliza do Santa Clara. E acabou mesmo pressionando fortemente com o golo à vista. O Santa Clara foi assim um justo vencedor porque marcou um golo – teve o 2-0 à mercê – e aproveitou-se da ineficácia total do adversário, sem precisar de se esforçar muito pois soube conservar a vantagem até ao final.

O Vitória jogou com: Bruno Varela, Sacko, Jorge Fernandes, Munin, Mensah (Edwards 77’), Miguel Luís (Rochinha 61’), Pepelu, André Almeida (Janvier 77’), Ricardo Quaresma, Bruno Duarte e Maddox (Foster 61’).

Factos & consequências:

Quem pensa o futebol do Vitória ainda não percebeu que sem ovos não se fazem omeletes, que o clube não pode continuar a ser entreposto comercial de jogadores, em que são sempre os mesmos a ganhar;
• Que num processo de formação ganhar é importante para a afirmação dos jogadores e para a sua projecção pessoal e para o clube. E até para o negócio porque só uma equipa ganhadora faz emergir os jogadores e dar-lhes a notoriedade comercial que muitos procuram;
• Que era vital para a confirmação da estabilização na classificação do campeonato, ir o mais longe possível na Taça de Portugal;
• Que há poucos milagres no futebol e querer fazer crer que o actual plantel está cheio de craques e que eles supostamente chegavam, viam e venciam, é apenas uma mera ilusão;
• Que no actual contexto, o Vitória tinha de ser mais assertivo, mais completo e mais eficaz até para justificar as saídas do plantel e dos ganhos que a venda de jogadores trouxe, o que pode levar a pensar que os milhões da venda Tapsoba estão a ser desperdiçados em aquisições cujo rendimento presente e futuro é muito duvidoso;
• Que João Henriques não pode justificar a despedida da Taça com “a melhor exibição” da época, porque uma exibição sem golos, não pode nunca ser entendida como “a melhor exibição”; e para ganhar e seguir em frente, o que se exigia é que, no mínimo equiparasse o rendimento da sua equipa com o do adversário, preocupando-se mais em ganhar do que em estar à espera de uma qualquer influência astral, pois, “não tivemos a estrelinha connosco” – como declarou no final do jogo;
• Que, finalmente, esta eliminação não seja um prenúncio para mais afastamentos prematuros de competições e de lugares que causem efeito na próxima época;

© 2020 Guimarães, agora!

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