Pertença: vimaranenses mostraram a Neno o quanto o admiravam

Neno foi sepultado, hoje, no Cemitério de Monchique, a sua casa eterna, em Guimarães, numa tarde de emoções fortes que trouxe muitos vimaranenses para a rua.


O sentir vitoriano e vimaranense, desfraldou-se, hoje, durante o funeral de Neno, um cognome que distinguia Adelino Augusto Graça Barbosa Barros, nascido na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. E que se tornou português de corpo inteiro e vimaranense de alma e coração.

A dimensão de Neno foi descoberta, hoje, e exposta ao mais comum dos vimaranenses que aceitaram Adelino Barros como um dos seus: simples, tolerante, amigo do amigo, com uma humanidade eterna e sorriso que era a sua imagem de marca.

Neno partiu, como gostava, ouvindo os vitorianos e vimaranenses a gritar o seu nome, e a entoar o “Vitória, Vitória”, com uma ovação enorme ao longo do trajecto que o levou até Monchique.

Muitos perceberam neste dia quão forte e sentimental era a ligação de Neno ao Vitória e a Guimarães.

Ele não foi apenas um guarda-redes mais que serviu o Vitória, um jogador de futebol que também passou por aqui. Ele foi um campeão nos relvados porque com ele na baliza, o Vitória ganhou o seu primeiro troféu – a Supertaça – no futebol português. E conquistou, por mérito próprio, o direito de prolongar o seu tempo de serviço no Vitória, incorporando não apenas a estrutura ligada ao futebol mas com funções noutras áreas.

A par desse vitorianismo, Neno construiu o seu estatuto de vimaranense, um verdadeiro cidadão que se juntou a causas sociais e foi-se misturando entre os vimaranenses como se de um deles se tratasse.

Fez-se distinguir pelo seu humanismo, pela sua simplicidade, pelo seu espírito de serviço, pela sua entrega ao próximo.

© Vitória SC

E mesmo enquanto artista, em todo o lado, e sobretudo nas televisões nunca esqueceu nem o Vitória nem Guimarães, que propagandeava sem ser propagandista.

Os vimaranenses, reconheceram tudo isto – e muito mais – em Neno e por isso encheram as ruas num cortejo fúnebre sentido, feito de emoções, de palmas, num adeus… até sempre porque, afinal, Neno quis mesmo ficar sepultado em Guimarães, terra onde era querido e tido como exemplo de um homem que evidenciava um espírito de conquista, de humanidade, mostrando quanto era feliz com um simples sorriso e uma gargalhada contagiante.

Do estádio à igreja de S. Francisco e depois até ao Cemitério de Monchique, Neno nunca foi esquecido nem seguiu sozinho nesta caminhada para o outro Mundo.

Neno conseguiu juntar uma enorme multidão à sua volta, no dia do seu funeral, como nunca se viu em Guimarães, o que prova como soube ser autêntico e abraçar, sendo abraçado, pelo Vitória enquanto símbolo maior do que é ser vimaranense.

Muitos choraram, era difícil, não lembrar o homem, de cor, que nunca foi colocado de lado pela raça que era a sua. E que nunca o impediu de estar ao lado de crianças, de jovens ou de idosos, numa perfeita mostra de quanto sabia exibir e assumir a sua inclusão numa segunda terra que ficou como sua.

© 2021 Guimarães, agora!


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