É a mais representativa iniciativa das propostas da comunidade para a Capital Verde Europeia 2026. E a que pode perdurar para além dos tempos se for acarinhada pelos utentes que dela se possam servir.
“É um projecto da comunidade para a comunidade”, afirmou Ricardo Araújo, ao sublinhar que a Capital Verde Europeia só fazia sentido com o envolvimento activo dos cidadãos.
“É, sobretudo, e bem mais importante do que isso (de ter sido iniciado e concluído, em 2026), um projecto que eu espero que perdure no tempo” – sublinha o presidente da autarquia.
O Parque da Imaginação Musical (PIM) tem magia, cor, é instrumental e de fácil utilização, e pode bem ser a Disneylândia de Guimarães para a pequenada. Ali não há cenas de terror, nem de velocidade excessiva, em cima de carris. Apenas a beleza do som musicado ou musicável que os utilizadores possam criar no momento.
“Num tempo em que grande parte das nossas vidas acontece através de ecrãs, parece-me particularmente importante criar lugares que nos devolvam ao mundo físico, à curiosidade, à brincadeira”, afirmou Tiago Simães, na inauguração, autor da ideia num projecto que envolveu, também, João Mendes, arquitecto.
O seu percurso, de “um jogo tradicional infantil adaptado às tradições vimaranenses transformando o jogo da macaca no ritmo do bombo nicolino” – como refere João Mendes, toca, no seu perímetro, num conjunto de instrumentos que bem pode proporcionar uma brincadeira musical, tão do agrado de gente mais jovem ou até daqueles que estão a viver o seu tempo de envelhecimento activo.

O PIM para além de poder ser “um ponto de referência na cidade e no mundo, onde o som, a natureza e o cidadão irão vibrar em uníssono e onde se pode respirar e inspirar”, será também “um local inovador de experiências multi-sensoriais”.
Na sua génese, está a sua componente cultural, de ser acessível a todos – independentemente da idade, contexto social e restrições de locomoção. E a sua característica principal de ser “um lugar de experimentação livre, onde qualquer pessoa pode interagir, explorar e criar”. No seu prolongamento de sítio de bem-estar, de informalidade, pode ser palco e servir de equipamento de expressão artística.
“Este projecto contribuirá para uma visão de inovação urbana, onde o espaço público deixa de ser funcional e passa a ser experiencial, educativo e transformador” – defende João Mendes.
“Uma terra com raízes fortes é uma terra que não tem medo de imaginar o seu futuro e construir o seu presente.”
E o presidente da Câmara enquadrou-o numa visão de cidade que valoriza a sua história e as suas tradições, sem deixar de apostar na inovação. “Uma terra com raízes fortes é uma terra que não tem medo de imaginar o seu futuro e construir o seu presente”, afirmou, destacando também a ligação entre cultura e ambiente.
A sua alma entra no reino do céu da Capital Verde Europeia: pela sua reconexão com a natureza, pelo seu compromisso ecológico, pela sua estratégia conceptual, de sustentabilidade e ecologia.
É aqui que ganha força a sua qualidade e representatividade ao nível dos contributos da comunidade para a participação e envolvimento na CVE 2026. Promove “a valorização ambiental, a eficiência de recursos e o baixo desperdício de matérias-primas”. O som é gerado pelo vento ou pelas pessoas que tocam nos instrumentos e pode ser um despertador pedagógico para práticas ecologicamente mais conscientes.
O PIM foi concebido em cima de um pequeno canto do Parque da Cidade, de 20 hectares, que se tornou em espaço de lazer, recreio e contacto com a natureza, dando oportunidade ao utilizador de o descobrir “de forma intuitiva, explorando e utilizando os diferentes instrumentos”, em ritmos espaciais diversificados, entre zonas mais inter-activas e momentos de pausa e contemplação.
E tem de tudo, desde as pérgulas a lembrar as velhas grafonolas onde se hão-de implantar espécies verdes, aos bancos de pneu reciclado e à relva que o tornará ainda mais cromático, com sombra e conformo térmico. Foram introduzidas 14 novas espécies vegetais num total de 2.750 exemplares e a incorporação de princípios de economia circular, através da valorização de pneus recolhidos em Guimarães, utilizados em elementos como o palco em forma de disco de vinil.
Conjuga-se, também, com a biodiversidade, onde as espécies existentes podem mergulhar em voos e poisar num conjunto que se tornará no seu habitat natural. O PIM não terá natureza de elemento intrusivo ou estranho porque sem iluminação artificial absorverá o silêncio da noite, deixando ao vento, apenas, a agitação momentânea da sua presença, acautelando a paz que se deseja para alguns ciclos biológicos que se desejam para a fauna e flora.
Nesta Disneylândia de cor, de improvisação musical, “o som propaga-se pelo ar, sob a forma de ondas” – acentua o arquitecto do projecto. E produzir-se-á sobre diferentes formas e numa família “de instrumentos” resistentes ao exterior, duráveis, seguros e integrados no meio natural.
E Guimarães, passa a poder orgulhar-se, desde 8 de Outubro, de um equipamento de qualidade, no seio de um parque público, apadrinhado, na sua inauguração, pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, do director-geral adjunto da Comissão Europeia para o Ambiente, Patrick Child, dos autores do projecto – o músico e compositor Tiago Simães e o arquiteto João Mendes – de representantes da Capital Verde Europeia e das entidades envolvidas na sua concretização.
© 2026 Guimarães, agora!
Partilhe a sua opinião nos comentários em baixo!
Siga-nos no Facebook, X e LinkedIn.
Quer falar connosco? Envie um email para geral@guimaraesagora.pt.



