A conferência anual da ‘Arqus – Aliança Europeia Universitária’, que, hoje, começou em Maynooth, junta as várias universidades europeias.
O tema desta edição ‘Voices of impact: weaving stories across Europe’, (‘Vozes de impacto: entrelaçando histórias pela Europa’, em tradução livre), levou o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, à Irlanda, onde perante representantes de várias universidades europeias, falou como convidado, dissertando sobre ‘Do Berço da Nação ao Berço da Inovação’.
Uma oportunidade para Ricardo Araújo, acentuar a aposta de Guimarães na inovação como motor de desenvolvimento futuro, perante uma audiência internacional de cerca de 300 participantes. E destacar o percurso de transformação de Guimarães e a estratégia do concelho para converter conhecimento e capacidade científica em desenvolvimento económico, novos sectores de actividade, emprego qualificado e melhores rendimentos para os vimaraneses.
A Universidade do Minho, membro da ‘Aliança Arqus’, marcou presença com uma delegação presidida pelo reitor, Pedro Arezes, num programa que reuniu responsáveis universitários, estudantes, especialistas e representantes de diferentes sectores para reflectir sobre o impacto da cooperação europeia nas instituições, nas políticas e na sociedade.
“O exemplo de Guimarães, o foco que estamos a dar à inovação, contando com as nossas universidades e com a capacidade de fazer das empresas vimaranenses, começa a ganhar destaque e a gerar interesse internacional”, explicou Ricardo Araújo.
Integrado na sessão plenária dedicada ao impacto das universidades europeias para além das fronteiras académicas, o presidente da Câmara apresentou Guimarães como exemplo de um território que, partindo da sua identidade histórica e de uma forte base industrial, assume hoje a inovação como prioridade estratégica para o futuro.
“As universidades produzem conhecimento. Os territórios dão-lhe função e transformam-no em impacto”, afirmou Ricardo Araújo, destacando o eco-sistema instalado em Guimarães, que integra instituições de ensino superior, infra-estruturas científicas e tecnológicas e mais de 30 unidades de investigação.
“Tínhamos construído um dos eco-sistemas de conhecimento mais fortes do país e, ainda assim, esse conhecimento não estava a chegar ao rendimento das pessoas.”
O desafio do presente é fazer chegar essa capacidade de conhecimento à economia real e à vida das pessoas. “Tínhamos construído um dos eco-sistemas de conhecimento mais fortes do país e, ainda assim, esse conhecimento não estava a chegar ao rendimento das pessoas. Esse desvio entre a ciência que produzimos e a carteira de uma família vimaranense é a razão por que mudámos de rumo”, sustentou.
Neste novo ciclo, o Município assume um papel activo na aproximação entre conhecimento e tecido económico. “O papel do Município passou a ser este: o conector entre a academia, a indústria e a economia”, afirmou, defendendo uma aposta na transferência de conhecimento capaz de criar novos sectores de actividade, emprego qualificado e melhores rendimentos.
“A nossa indústria tradicional não perde a sua alma, mas ganha futuro.”
Como exemplo concreto, Ricardo Araújo apresentou a aposta e o desenvolvimento do sector aero-espacial em Guimarães, ligando a formação em Engenharia Aero-espacial na Universidade do Minho à investigação aplicada e à instalação, em Pevidém, da primeira fábrica de satélites ópticos de Portugal, numa antiga unidade têxtil. “Não é só sobre satélites. É sobre a economia real”, sublinhou, apontando o potencial para diversificar a indústria e criar novas cadeias de valor. “A nossa indústria tradicional não perde a sua alma, mas ganha futuro”.
A conferência ficou ainda marcada por um reconhecimento à excelência académica da Universidade do Minho, com a atribuição de um dos ‘Teaching Excellence Awards 2026’ a Paulo Flores, professor catedrático de Engenharia Mecânica. A distinção, entregue no âmbito do encontro, reforça a projecção internacional da qualidade do ensino e do conhecimento produzido pela academia minhota.
A presença de Guimarães neste fórum de relevo internacional que acolhe líderes universitários, estudantes e colaboradores das instituições parceiras da Arqus, evidencia a crescente projecção da estratégia do concelho no domínio da inovação e o interesse gerado pela forma como o território procura transformar conhecimento em desenvolvimento económico e social. Uma aposta que ganha reconhecimento além-fronteiras e posiciona Guimarães como exemplo de articulação entre identidade, indústria, ciência e economia.
Ricardo Araújo lançou o desafio às alianças universitárias europeias: “Como garantimos que o conhecimento que produzem chega ao rendimento de uma família em Guimarães, em Granada, em Vilnius, em Maynooth? Guimarães dá significado à origem e movimento ao futuro. Do berço da nação ao berço da inovação”, concluiu.
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