Pretende retratar o medievalismo de outrora mas a ‘Feira Afonsina’ tem outro significado: o de relembrar permanentemente as nossas origens.
A festa tem quatro dias, de 11 a 14 de Junho, com o Monte Latito a entrelaçar o centro histórico, num corredor que antigamente unia as vilas de Guimarães.
Não é um regresso à Idade Média mas a um passado, já distante, em que os fundadores da Guimarães de hoje, viviam nos tempos em que Portugal nasceu. Um retrato feito de pessoas que vivem a feira e de actores que nela se incorporam para dar vida a personagens, cenas e actos de um dia-a-dia menos sonoro que hoje.
O que vai ser a ‘Feira Afonsina’, em 2026, soube-se, ontem, pela apresentação do seu programa. O Município vai investir 300 mil euros na organização do evento que pretende acentuar ‘A Afirmação do Infante’. Mais tarde e ainda lembrando este passado medieval de Guimarães, realizar-se-ão às ‘Jornadas Históricas’, em que o tema ‘Afonso Henriques: Corpo, Imagem e Poder’ e merecerá a análise de historiadores e investigadores, na quinta edição, que tem data marcada para 20 de Junho.
Na apresentação da iniciativa, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, destacou o crescimento da ‘Feira Afonsina’ nesta edição, com 229 expositores, sublinhando que foi “alargada a área do evento e aumentado o número de mercadores”. A vereadora salientou ainda que “todas as associações vimaranenses, fossem culturais, recreativas ou desportivas, que apresentaram candidatura e cumpriram os requisitos definidos foram aceites”.
A recriação histórica volta a assumir um papel central na programação, com o espectáculo ‘A Afirmação do Infante’, apresentado na Colina do Castelo, nos dias 11, 12 e 13 de Junho, às 22h00. O espectáculo de encerramento, ‘Folguedo Final’, percorrerá as ruas desde a estátua de D. Afonso Henriques até ao largo da Oliveira.
O recinto da feira estará organizado em diferentes áreas temáticas, entre as quais o arraial, o jardim dos infantes, o largo oculto, o poiso das barricas, o quelho das desgraças e a praça dos ofícios. A zona de mercado vai-se distribuir entre a zona de iguarias e a zona dos mercadores.
Ao longo dos quatro dias, o público poderá participar em diversos eventos, como o ‘Cortejo dos Petizes’, a ‘Hora do Conto’, a actividade ‘Na Pele de um Guerreiro’, a ‘Mesa Militar Pedagógica’, visitas ao ‘Quelho das Desgraças’ e ao ‘Acampamento Medieval’ e a actividade ‘Moagem’ e ‘Confecção de Pão’. Além disso, vai existir animação musical e teatral de rua. Todas as actividades são de acesso gratuito, sujeitas à lotação dos espaços.
A acessibilidade e a inclusão foram reforçadas nesta edição. Isabel Ferreira destacou “o cuidado relativamente às questões da acessibilidade e da inclusão”, referindo medidas como o reforço dos lugares de estacionamento reservados para pessoas com mobilidade reduzida, a melhoria das acessibilidades aos espaços, a disponibilização de casas de banho adaptadas e de sinaléctica com pictogramas, bem como a criação de horários com menor estimulação sensorial. A recriação histórica contará ainda com interpretação em língua gestual portuguesa e será disponibilizado um serviço de transporte acessível para pessoas com mobilidade reduzida e respectivo acompanhante.
Já a sétima edição das ‘Jornadas Históricas’, agendadas para dia 20 de Junho, propõem, segundo a vereadora da Cultura, “uma abordagem multidisciplinar que procura compreender não apenas o percurso histórico do primeiro Rei de Portugal, mas também as múltiplas formas como a sua imagem foi sendo construída, repensada e re-interpretada ao longo do tempo”. O programa decorre entre as 10h00 e as 16h00 e reunirá diferentes especialistas para reflectir sobre o legado histórico, político e simbólico de D. Afonso Henriques.
Na conferência de imprensa, realizada nesta Segunda-feira, além da presença da vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, marcou presença o professor António Amaro das Neves, o professor Antero Ferreira e, ainda, Flávio Vieira, representante do Paço dos Duques de Bragança.
Programa completo: aqui.
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