A discussão que tem surgido sobre os 900 anos da Fundação de Portugal, desde Julho deste ano, após passos inequívocos para consagrar a Batalha de São Mamede e o 24 de Junho de 1128, como as primeiras datas da Nação Portuguesa, chegou à Câmara Municipal.
Gabriela Nunes fez várias perguntas, aparentemente inocentes do ponto de vista político, para confrontar Ricardo Araújo e perguntar-lhe: “O que aconteceu?”. E justificou que “isto não é uma discussão lateral, redutora mas pertinente”.
A questão inicial sobre os desenvolvimentos registados após o Conselho de Ministros realizado no Paço dos Duques de Bragança e que altera o local onde o comissariado deveria funcionar; e o alargamento por mais datas, do que a de 1128, para a Fundação de Portugal.

A vereadora socialista perguntou a Ricardo Araújo se a Câmara foi consultada sobre as alterações registadas. E se “considera adequado que Guimarães deixe de ter poder executivo, nas comissões criadas”.
Em causa está o que a Câmara decidiu em 2022 e o Governo em 2026, depois da Assembleia da República ter aprovado uma Resolução (141/2026) em que aprova a valorização das comemorações da Batalha de São Mamede como “uma das datas fundadoras da nacionalidade”.
“Estou focado em valorizar os 900 anos de São Mamede, a nível local, nacional e internacional.”
Ricardo Araújo respondeu com firmeza. E foi claro: “Rejeito politizar a discussão”. Adiantou depois que “estou focado em valorizar os 900 anos de São Mamede, a nível local, nacional e internacional”.
E foi mais incisivo esclarecendo que “nada do que vinha de trás foi colocado em causa”. O presidente da Câmara não tem dúvidas de que “nada se alterará e Guimarães vai continuar a ter as suas propostas” e “de fazer o que tem de fazer”, ou até “fazê-lo ainda melhor”.
Lembrou que as celebrações terão de ser de “Guimarães para o país”, para se projectar ainda mais. E registou os actos importantes que o confirmam:
- “O Primeiro-Ministro veio dar dimensão nacional às celebrações (não me lembro de António Costa ter feito o mesmo)”;
- “A comemoração dos 900 anos de São Mamede faz parte do programa do XXV Governo Constitucional”;
- “Foi a primeira vez que o Governo se reuniu em Guimarães”;
- “E se a Fundação de Portugal, teve várias etapas, o Governo e o Primeiro-Ministro estão a reconhecer a primeira etapa”.
O presidente declarou que “não me cabe imiscuir na discussão científica do evento”, dando nota de que “o que me interessa é valorizar as comemorações” e a sua dimensão nacional.
Concluiu que “Guimarães não perderá centralidade e isso vai-se notar em Setembro, pois, vamos reforçar o nosso papel”.
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