É uma tradição que segue na 27.ª edição, promovida pelo Grupo Folclórico de São Torcato. Mas sobram-lhe importância cultural e turística e até laivos de ferramenta que acentua a identidade e coesão da comunidade.
Na sua história e génese, está Alberto Vieira, o então presidente que nunca se conformou com a rotina da actividade de um grupo folclórico que dirigiu ao longo de muitos anos. Exemplos disso foram a projecção internacional do grupo na Europeade – um certame que junta grupos de todo o mundo; um maior festival folclórico internacional com 10 grupos; uma garraiada que era um bónus no festival e, a última, foi a ‘Festa das Colheitas’ para reavivar património da ruralidade que precisa de lustro para se evidenciar.
Três dias que celebram actividades agrícolas como a arrancada do milho, a vindima que transforma uvas em vinho. E, o último, dedicado à religiosidade e ao agradecimento que merece o Senhor por colheitas que sustentam a vida de um agricultor durante o ano.
O ex-presidente da direcção do Grupo Folclórico de São Torcato, juntou mais atractivos à ‘Festa das Colheitas’, incluindo a malhada do milho e a espadelada, elevando a importância das funções agrícolas enquanto actividade cultural, económica até, a que acrescentava uma vindima bem animada, tudo aglutinado numa “quinta” recreada no Terreiro de São Torcato, num aparato a condizer.
A partir daí… a ‘Festa das Colheitas’ tornou-se um hábito e uma rotina que merecia uma outra abordagem que foi tentada, fazendo sobressair os valores da cultura e vida rural, com rituais próprios, que outros grupos no concelho acabaram por imitar e recrear noutras valências da vida rural.
Hoje, a festa “é um orgulho” do Grupo Folclórico de São Torcato, como salienta Manuela Miranda, actual presidente da instituição e sobrinha do homem que “sonhou” com a ‘Festa das Colheitas’ e lhe deu vida.
E tem uma intenção, entrar no rol das “festas de interesse concelhio” beneficiando de apoios financeiros alargados do Município. A justificação é simples: a ‘Festa das Colheitas’ evoca um património rico e costumes da ruralidade que devem ser preservados e mantidos.
Com maior dimensão, os dias do Vinho, do Pão e do Senhor têm ingredientes que podem dar-lhe maior implantação regional e nacional se projectadas com um novo elán organizativo que transforme o seu pendor de acontecimento local.

Certamente com outra ambição o “sonho” de Alberto Vieira, de há 28 anos, se transforme numa festa mais interessante do ponto de vista cultural, gastronómico, artístico e cénico, elevando a importância da actividade agrícola e dos seus produtos na economia e riqueza local, nas tradições em que o mundo rural assenta algumas das suas tarefas.
E com essa ambição resgatar o prestígio acumulado – e menos acentuado do que outrora – do Grupo Folclórico de São Torcato, como baluarte da cultura que deriva da vida rural, dos ensinamentos que encerra e do carácter recreativo que não deixa de ter na comunidade local.
No próximo fim-de-semana, de Sexta-feira a Domingo, a ‘Festa das Colheitas’ vive mais uma edição elevando um património de recursos endógenos rico, mesmo ao nível da gastronomia, com uma ementa tipicamente minhota e vimaranense em que os Rojões são rei mas que a Massa à Lavrador, o Cozido à Portuguesa e o Arroz de Frango não lhe ficam atrás. Também, a “venda” do vinho doce – como fonte de receita que sustenta esta tradição – encerra em si um potencial mais poderoso, numa ‘Festa das Colheitas’ mais ambiciosa, onde não falta a alegria dos cantares típicos de uma vindima ou de uma arrancada do milho.
A festa em si é, desde sempre, um acto de pedagogia já que convida as crianças das escolas para uma realidade que nunca viram, apesar da sua vivência num meio tradicionalmente rural, confrontando-se com actividades agrícolas que mostram de onde nascem o pão e o vinho.
“A Festa das Colheitas é o corolário de um ano de actividade”
O presidente da Junta de Freguesia de São Torcato, Antero Freitas, felicita do Grupo Folclórico de São. Torcato, embaixador da vila no estrangeiro também pelo festival folclórico que organiza mas entende que “a Festa das Colheitas é o corolário de um ano de actividade” que dá vida “ao património cultural” da terra. “Um passo mais na preservação das nossas tradições” – acentua.
Isabel Ferreira, vereadora da Educação e Cultura, que, pela primeira vez, toma nota do potencial cultural, turístico e tradicional que encerra o evento, sublinha a sua vertente de instrumento que “faz perdurar as tradições, enaltece a identidade de uma comunidade importante” e que é “uma riqueza imaterial” que importa acarinhar no contexto da educação e da cultura da região.
Porventura, cuidará do “desafio” que a presidente do “Rancho de São Torcato” que colocou sobre a “valorização” do título da festa no contexto concelhio. E procurará ver como a dimensão da ‘Festa das Colheitas’ pode ser revitalizada em função dos interesses culturais e turísticos que Guimarães quer defender. Inclusivé na educação, o que levará o saber fazer da actividade agrícola pode chegar aos alunos das escolas de Guimarães.
Com o Plano Municipal das Artes, a estender-se aos territórios escolares, abri-se-á uma porta a fazer deste evento algo mais no âmbito da cultura e da tradição – coisa até que a União Europeia defende e abraça.
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