A segunda volta histórica das eleições presidenciais apresenta-nos com um dilema difícil de decifrar e o qual ambas as candidaturas vão aproveitar para confundir os eleitores. É um momento de grande responsabilidade pois vai ser escolhido aquele que representará todos os portugueses (mesmo aqueles que não nasceram cá ou nasceram fora de Portugal).
É por isso que, perante um cenário em que André Ventura chega à segunda volta, a posição deve ser clara e sem ambiguidades: votar em branco ou em Seguro – nunca em Ventura.
O Presidente da República não é um voto de protesto
As eleições presidenciais não servem para “abanar o sistema”, castigar partidos ou mudar radicalmente o país. O Presidente da República tem um papel decisivo na defesa da Constituição, no equilíbrio entre poderes e na representação de todos os portugueses.
Não é um cargo para quem vive do conflito permanente, da provocação constante ou da divisão do país em “bons” e “maus”. Um Presidente não pode estar em guerra com tribunais, jornalistas ou instituições sempre que algo não lhe agrada.
A Presidência exige contenção, respeito, sentido de Estado e sacrifício – não pode ser exercida por alguém que só olha para si mesmo e para a sua popularidade, que minta e engane os portugueses.
Casos criminais
Dos dois candidatos, Ventura é o único que já foi condenado em tribunal e por isso não gosta deles. Também não gosta deles pois nos últimos anos têm investigado e condenado envolvendo militantes, candidatos ou dirigentes, do seu partido incluindo: abuso sexual e pedofilia, agressões físicas, algumas com violência explícita, roubos (malas, entre outros), posse ilegal e circulação de armas. Um líder que diz que quer colocar o país em ordem, não consegue ter o próprio partido no sítio.
Contudo o partido de onde vem Seguro é também pródigo em casos criminais: desde o período de José Sócrates, o PS esteve associado a vários processos judiciais e investigações que marcaram negativamente a vida política portuguesa, incluindo a Operação Marquês, onde o ex-primeiro-ministro foi acusado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, casos ligados ao colapso do BES e às relações entre poder político e financeiro, investigações sobre decisões governativas favoráveis a grandes grupos económicos como a EDP, bem como múltiplos casos a nível autárquico envolvendo dirigentes socialistas acusados ou condenados por crimes como corrupção, peculato, abuso de poder e participação económica em negócio; em muitos destes episódios houve demissões políticas, processos arquivados ou decisões ainda pendentes, mas todos revelaram problemas sérios de ética, fiscalização e responsabilidade no exercício do poder, contudo sem que isso tenha resultado numa estratégia sistemática de ataque à justiça ou à legitimidade das instituições democráticas.
Não devemos esquecer que, nas eleições presidenciais, votamos em pessoas e não nos partidos. Aqui temos uma grande diferença entre Ventura e Seguro: enquanto Ventura está desde sempre no Chega como seu líder (tendo também sido militante ativo no PSD durante vários anos), Seguro foi um grande opositor de Sócrates no PS, lutou contra e acabou traído por Costa, não é atualmente líder partidário e já está afastado da vida política há 11 anos, logo é injusto imputar-lhe qualquer dos problemas existentes no PS nos últimos anos.
Isto não é um debate esquerda vs. direita
Isto não é uma discussão entre esquerda e direita. Não se trata de escolher políticas económicas, impostos ou modelos sociais. Trata-se de algo muito mais simples e concreto: garantir que as regras básicas do país funcionem de forma justa para todos.
“Pessoas de esquerda e de direita podem discordar em tudo o resto, mas concordam nisto: quando estas regras deixam de ser respeitadas, ninguém está protegido.”
O Estado de direito é, por exemplo, saber que se um político é investigado, quem decide é um tribunal e não a rua; é aceitar que um juiz pode tomar uma decisão que não gostamos sem ser insultado ou ameaçado; é confiar que a polícia investiga crimes sem receber ordens políticas; é permitir que jornalistas façam perguntas incómodas sem serem tratados como inimigos. Pessoas de esquerda e de direita podem discordar em tudo o resto, mas concordam nisto: quando estas regras deixam de ser respeitadas, ninguém está protegido.
É por isso que esta escolha não é ideológica – é uma escolha sobre se queremos um país onde as leis mandam ou um país onde manda quem grita mais alto.
Votar em branco também é uma escolha válida
Votar em branco também é uma escolha válida quando nenhuma das opções inspira confiança. Perante um cenário em que André Ventura está na segunda volta, o voto em branco pode ser uma forma clara de dizer que não se aceita nem o discurso de confronto permanente nem a ideia de usar a Presidência como arma política.
Ao mesmo tempo, votar em branco não é o mesmo que apoiar Seguro: é uma posição consciente de quem recusa Ventura, mas não quer dar um apoio direto à alternativa. Numa democracia madura, este “voto” também conta.
O povo está cansado
O povo está cansado. Cansado das polémicas constantes, dos escândalos de corrupção, das promessas nunca cumpridas e dos abusos de poder, tanto a nível local como nacional. Cansado de políticos que atacam adversários ou jornalistas, que usam casos criminais como arma política, que alimentam ódio em vez de procurar soluções.
As pessoas querem agora um Presidente que não lhes minta, que não as engane, que proteja os seus direitos e a estabilidade do país. André Ventura não pode ser esse Presidente. Vive do conflito, da provocação e da divisão, prefere criar inimigos em vez de resolver problemas, e já mostrou que está disposto a desrespeitar instituições e regras básicas sempre que estas não lhe convêm. Ele não oferece confiança nem segurança – só tensão, instabilidade e risco para a democracia que todos dependemos.
A democracia portuguesa tem defeitos que urge resolver, mas entregá-la a quem não acredita nela é um erro que o país pode pagar caro.
Por isso, na segunda volta, quem acredita na democracia e no estado de direito, que acredita que em Portugal quem manda é a lei, votar em branco ou em Seguro é legítimo, nunca em Ventura.
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