Vitória: um campeão (de Inverno) em tempo de afirmação e de quebra de tabus

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O futebol português está (ou estava) cheio de vícios: os campeões são muito tradicionais, os árbitros inclinam os relvados, sempre para o mesmo lado, julgando cada lance em função da cor da camisola; os organismos do futebol decidem em função dos ditos maiores, na distribuição de verbas, representação de cargos, na disciplina e na sua aplicação a cada clube, as leis que se ensinam aos árbitros são as mesmas mas cada um interpreta-as como quer – e não é apenas e só dentro da área quando é ou não grande penalidade.

Daí que os factores de contexto e a ausência de competitividade no futebol português se baseiam sempre como uma espécie de lei de Murphy: “Tudo que pode acontecer e acontecerá se fizermos tentativas suficientes”. Ou “tudo o que pode dar errado dará errado”.

E, assim, tem vivido o futebol português.

Ultimamente defendia-se que o importante era ter estádios cheios para valorizar as competições mesma atentando contra a verdade desportiva.

“E neste caso também o Vitória ganhou ao Braga por arrastar os seus adeptos preenchendo mais de metade das bancadas, com as cores preto e branco.”

Finalmente, em 2025, constata-se o contrário: dois clubes da província (de Braga) enchem o estádio, em Leiria, como o encheram outros em finais em que participaram Porto, Benfica e Sporting uns contra os outros. E neste caso também o Vitória ganhou ao Braga por arrastar os seus adeptos preenchendo mais de metade das bancadas, com as cores preto e branco.

E se Pedro Proença quer expandir e internacionalizar o futebol português, através da televisão, deve garantir, de forma inequívoca, que a verdade desportiva das competições e a competitividade e concorrência entre clubes só beneficia esse objectivo comercial porque todos, por cá e no Mundo, querem que ganhe o melhor e não o mais forte ou o que mais influencia. Não se pode querer afirmar o futebol nacional no Mundo quando um árbitro qualquer beneficia um dito clube grande.

Não virá mal ao mundo se em todas as competições ganhar o melhor, dentro de campo, e não o maior nas bancadas. A concorrência é uma regra básica da União Europeia e se aplicada às competições desportivas nacionais, europeias e mundiais, só trará benefícios e oportunidades para todos os clubes,

Os adeptos deslocam-se dentro e fora do seu país para verem a sua equipa ganhar. E não verem que quem decide é o árbitro, a mando deste ou daquele dirigente.

Esta Taça da Liga 2025/26, também, quebrou muitos tabus. E que vão beneficiar o futebol em si mesmo, quando, ocasionalmente, quebrem tradições, costumes, regras ou influências. E mostrem resultados diferenciados.

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