Porque perder o Senado poderá salvar Joe Biden?

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Nos últimos meses, comentadores e sondagens anunciaram uma “onda azul” democrata capaz de varrer os Estados Unidos da América e o Senado, que não se materializou. O Partido Republicano não só aumentou as suas cadeiras no Congresso, como está, no momento em que escrevo, a um lugar de garantir a maioria no Senado.

Para inverter actual tendência na corrida ao Senado, os democratas precisam de vencer os dois lugares que irão ser disputados numa segunda volta, em 5 de Janeiro, no estado conservador da Georgia, que lhes daria um empate, que nas votações seria resolvido pela voz da provável vice-Presidente, Kamala Harris.

Cabe ao Senado, como se sabe, a aprovação de legislação, as nomeações do Presidente, incluindo responsáveis dos departamentos, juízes e embaixadores.

Mas será a provável perda do Senado para os republicanos um revés para Joe Biden?

Vejamos: o resultado pífio das eleições é agora atribuído a uma estratégia de mobilização praticamente baseada no sentimento anti-Trump e à guinada do Partido Democrata à esquerda radical socialista.

Se é verdade que Joe Biden fez da corrida presidencial um referendo sobre Trump, não é menos verdade que os republicanos foram bem-sucedidos em transformar as disputas no Congresso num referendo sobre Alexandria Ocasio-Cortez, o rosto mais visível da esquerda radical socialista.

Tanto assim que à medida em que o ruído eleitoral se desvanece, uma guerra civil entre democratas parece estar em andamento.

São vários os democratas moderados que já não escondem o ressentimento e que culpam os radicais socialistas pelas derrotas eleitorais no Congresso e no Senado…

São vários os democratas moderados que já não escondem o ressentimento e que culpam os radicais socialistas pelas derrotas eleitorais no Congresso e no Senado, como a congressista moderada, Abigail Spanbergerm, que numa entrevista ao Washington Post, admitiu que a vinculação do partido ao socialismo criou uma enorme vulnerabilidade durante a campanha. A congressista chegou mesmo a dizer para “nunca mais se usar a palavra “socialista” ou socialismo”.

Numa longa entrevista ao New York Times, Alexandria Ocasio-Cortez defendeu-se das acusações e contra-atacou os democratas moderados realçando que foi graças às políticas progressistas e socialistas que Biden foi eleito.

Recorde-se que Alexandria Ocasio-Cortez, depois de ter comparado os centros de detenção de imigrantes na fronteira dos EUA com o México com o Holocausto, apelou, após as eleições, no Twitter, ao melhor estilo das práticas da Gestapo nazista, à criação de uma lista de todos os apoiantes de Trump, que serviu de inspiração para a criação do infame site ‘Trump Accountability Project’, que promete expurgos e punições para todos os colaboradores e eleitores de Trump.

No site consta uma lista abrangente de “colaboradores conhecidos”, incluindo o Secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo, a Secretária de Educação dos EUA, o Chefe de Gabinete da Casa Branca, o Secretário de Imprensa da Casa Branca, os assessores de campanha, e os cinquenta e seis juízes federais, incluindo os juízes da Suprema Corte, bem como assistentes, recepcionistas, etc.

Mas será, todavia, o seu designado “Green New Deal” (“Novo Acordo Verde”) que poderá vir a causar um verdadeiro embaraço à presidência de Joe Biden, na medida em que se trata de um projecto de lei que parece inspirado não no programa social e económico do governo de Roosevelt, dos anos 1930, mas no manifesto comunista de Karl Marx.

Este acordo, composto por um preâmbulo, cinco objetivos, catorze projetos e quinze requisitos, visa uma sociedade neutra em sede emissões de CO2 em 10 anos, um desígnio que faz lembrar os catastróficos planos quinquenais soviéticos.

Nele estão previstas medidas e metas absolutamente surreais, como, por exemplo:

  • A reabilitação energética de todos os edifícios nos EUA ou a sua substituição, o que significa qualquer coisa como cerca de 136 milhões de unidades habitacionais, segundo o site Statista;
  • A criação de redes ferroviárias de alta velocidade a uma escala que torne dispensáveis os transportes aéreos, rodoviários e náuticos com motores de combustão, sem qualquer explicação sobre como pretende proteger a propriedade privada, tendo em conta que tal empreitada implicará a aquisição maciça de terrenos;
  • A eliminação de toda a indústria de manufaturação e agropecuária que utiliza petróleo, e gás natural, duas das principais fontes da indústria americana, uma façanha impossível sem paralisar a economia dos EUA;
  • O desmantelamento de todos os reactores nucleares, que representam cerca de 60% da geração de energia limpa nos EUA, sem mencionar o que será feito aos 99 reactores nucleares existentes.

Mas não só. O “Green New Deal” vai muito além da questão energética, ao propor uma lista de garantias que inclui milhões de empregos sindicalizados, segurança económica para aqueles que não querem trabalhar, educação e saúde gratuitas para todos; alimentação saudável e habitação sustentável para todos, entre outras.

Quanto custa e como será financiada esta espécie de planeamento central soviético? Não se sabe. No documento o que fica claro é que será através de confisco revolucionário (taxar os ricos), do aumento de impostos e de empréstimos maciços concedidos pelo FED, que em socialismo significa “emissão de moeda” (welcome to Venezuela).

O acordo foi incorporado pela candidatura de Joe Biden, ao ser endossado por Kamala Harris e Elisabeth Warren, porém, para além de ter sido recebido com frieza pela maior parte dos democratas moderados, como Kathy Castor e Nancy Pelosi, que o definiu como utópico, o próprio Joe Biden deixou claro, aquando do primeiro debate Trump vs Biden, que não o apoiava. Que tinha o seu próprio plano climático.

Assim, um Senado controlado pelos republicanos representará, indubitavelmente, uma derrota histórica para o socialismo, mas isentaria Joe Biden de qualquer obrigação de seguir com as políticas progressistas e socializantes.

© 2020 Guimarães, agora!

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