Páscoa: música religiosa ganha expressão em Guimarães nesta quadra

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Faltam apenas as missas do 2.º Domingo de Páscoa que serão celebradas em diversas igrejas para se completar a programação que teve início a 20 de Março.

‘Da Quaresma à Páscoa’ levou a religião e os seus rituais à rua – em cinco procissões e mantendo as igrejas de portas abertas para diversas solenidades religiosas – tendo como pano de fundo a Páscoa; acentuou a força da música religiosa, através de um festival internacional que completou dez edições e se torna cada vez no ícone da programação deste evento que passou a incorporar actos e rituais católicos – dentro e fora de templos.

O tempo ajudou à festa – como diz o povo – pela ausência de chuva e pela presença do Sol e foi o factor que fez registar uma maior afluência aos números do programa. E pela gratuitidade dos espectáculos.

Merecem destaque, o ‘Festival Internacional de Música Religiosa’, porque:

  • O seu repertório continua a ter qualidade, deu vida às igrejas emblemáticas que fazem parte do património da cidade e que foram o palco de 11 espectáculos; e permitiu a exibição dos melhores grupos e artistas do país de Espanha e da Suíça, no género;
  • Deu aso para uma descentralização deste tipo de música ao apresentar-se em Serzedelo, Souto São Salvador e na Penha, cujas igrejas podem receber espectáculos do género;
  • Permitiu mostrar o carrilhão Lvsitanvs na praça do Toural e em Caldelas, em espaço público, oferecendo uma outra perspectiva da música tocada através de sinos, o que não deixa de ser uma originalidade para quem está sempre ouvir os carrilhões que estão instalados em diversas igrejas ou basílicas;
  • Deu oportunidade aos grupos e artistas vimaranenses de evidenciarem a sua qualidade para participar num evento desta natureza, dos grupos corais de Azurém e Encanto, da Orquestra de Guimarães ao Quarteto de Cordas;
  • Os intérpretes merecem igualmente aplauso pela evidência do seu valor na execução de diversos instrumentos;
  • E é a alavanca deste programa que incluiu os rituais das solenidades religiosas da época.

Com organização do Município e de corporações religiosas e da Sociedade Musical de Guimarães e do Museu de Alberto Sampaio, ‘Da Quaresma à Páscoa’ passou a iniciativa regular vimaranense. Proporcionou 14 espectáculos, animou a cidade durante sete dias, com oito iniciativas à noite (21h30), três que começaram às 17h00, dois começaram às 11h00 e um às 15h00, todos em horários compatíveis com a procura e disponibilidade dos diversos públicos.

Compatibilizou cinco procissões (Santos Passos, Via Sacra, Endoenças, Domingo de Páscoa e Enterro do Senhor), com orações e missas.

“São tesouros do património legado pelas gerações que nos antecederam.”

A exposição ‘A Paixão em Guimarães’ sobre o mote: ‘Sinais de presença – A Arca e o Cordeiro; O Trono e o Pelicano’, alusivos à paixão de Cristo, foi um convite a passear pelo centro histórico à procura de património desconhecido. “São tesouros do património legado pelas gerações que nos antecederam” – escreveu o professor José Carlos Miranda, o curador desta mostra.

“Se lhes prestarmos atenção, esses tesouros falam-nos” – acrescenta sobre a selecção de sinais incluídos neste roteiro que falam a língua da religião cristã e que são provas deste tipo de património espalhados pela cidade.

Uma nota para a produção literária deste evento: o catálogo da exposição e os folhetos distribuídos sobre cada espectáculo incluido no ‘Festival Internacional de Música Religiosa’ de Guimarães, que permitiram ler e compreender melhor o que foi cantado e tocado, um ajudante da percepção que podemos ter sobre obras e artistas, intérpretes e instrumentos utilizados.

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