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Guimarães
Quinta-feira, Fevereiro 2, 2023
José Eduardo Guimarães
José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Porque hesita a Câmara?

Estando a dar boa conta de si, no que toca ao investimento público, no estacionamento e requalificação de ruas, num raio de 600 metros do Toural, no licenciamento de empreendimentos que a iniciativa privada quer lançar em Guimarães, porque razão hesita a Câmara em liderar um plano de animação, desenvolvimento e mudança na cidade, tendo o comércio como inspirador e catalizador? A ideia de fechar o trânsito em ruas do centro da cidade, destinadas a transportes públicos urbanos, e a veículos automóveis particulares, não seria uma medida estrutural e de forte impacto na cidade? E uma medida com largo alcance no ambiente sustentável que o Município quer construir e com o qual se vangloria nos fóruns internacionais?

Não estaria aí um eixo importante que fortalecesse o comércio tradicional e modernizasse, de modo a tornar e a justificar uma cidade com mais vida, num perímetro geográfico de quase um quilómetro de raio e que tornaria mais compacto e mais coeso, aquilo que consideramos núcleo urbano? Que lobbies, a Câmara não quer enfrentar nos que defendem que tudo deve continuar como está, sem convicção ou ideia de modernidade subjacente, julgando que os consumidores do comércio tradicional são os utentes dos lugares de estacionamento a céu aberto, da zona da Senhora da Guia até ao final da rua de Santo António? O que impede a Câmara de ser liderante no processo de desenvolvimento da cidade, para que outorgue (ou não exerça) as suas funções, não exercendo o seu poder de decisão, e limite os seus objectivos, potencialmente defendendo uma classe profissional ou interesses corporativos, como o faz no resto do território ao programar e financiar o investimento público municipal em todas as parcelas do concelho?

Porque há-de depender de alguns comerciantes, para tomar decisões estratégicas e estruturantes, no território que alguns julgam ser só seu e não de toda a comunidade? Valerá a pena andar na cauda do desenvolvimento regional quando nos limitamos a nós próprios de tomar decisões, de demonstrar receio ou segurança, dúvida ou vacilar até em momentos cruciais da nossa etapa de desenvolvimento? Porque é que devemos atrapalhar o nosso desenvolvimento futuro, hoje, apenas porque uma minoria entende que está certa, do que não sabe, nem entende? De que vale, também, a Câmara investir na cultura, na defesa do património, quando impede que a cidade no seu âmago seja criativa, tenha escolas e jardins, tenha locais de aparcamento, espaços de lazer e equipamentos e se desenvolva para que as pessoas não fujam para a periferia e os seus filhos percam a qualidade de cidadãos urbanos, onde podem ter acesso ao que de mais importante um jovem pode ter na sua adolescência?

“E porque há-de “transferir” essa competência para quem não a tem? Nem foi legitimada pelo voto popular?”

Porque hesita, então, a Câmara em disciplinar o trânsito, como o faz noutras área do território? E porque há-de “transferir” essa competência para quem não a tem? Nem foi legitimada pelo voto popular? A quem compete pensar a cidade, promover a cidade, defender a cidade? Com esta indefinição, de não pensar diferente, de não alterar hábitos, a Câmara pode andar a investir na reabilitação urbana, deixando “morrer” ou atrasar o investimento privado que se nota por aí, como nunca visto, e desperdiçar uma oportunidade única e histórica de dar mais consistência, sustentabilidade e progresso à cidade em si que é, contra todos os populismos brejeiros e aldeões, o símbolo e a imagem de Guimarães e que aglutina outras parcelas do concelho.

© 2019 Guimarães, agora!

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