José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Guimarães virou um circo romano

É uma verdade insofismável. Há violência a mais, em pequenos actos, distúrbios, altercações. A espiral de nervosismo afecta consciências e tolda o pensamento.

O futebol é um espectáculo bonito e emotivo dentro das quatro linhas. Tem um perímetro definido onde só podem estar jogadores e árbitros. E por alguma razão é.

Ultimamente, a arena aumentou e já pisam o relvado, outros dirigentes, outros jogadores para além dos 11 de cada equipa, funcionários, impelidos por emoções que devem controlar para evitar aglomerações e confrontações em pleno tapete verde.

Sente-se que o banco de suplentes, cada vez maior, tornou-se num instrumento de intimidação sobre jogadores e árbitros.

Por dá cá aquela palha, eis que o secretário técnico salta do banco para questionar a decisão do banco, os jogadores suplentes invadem o relvado para comemorar um golo. E os funcionários administrativos ficam no acesso aos balneários à espera de um momento de intervenção.

É mau ver, sobre cada decisão do árbitro que se julga parcial ou a prejudicar a nossa equipa, uma multidão a saltar do banco, indignada, com aquilo que considera injusto e que nem sempre o é como se vê depois nas imagens da televisão.

Este exemplo de emoção a transbordar para além dos limites também passa para as bancadas que em sintonia ou solidariedade tende a dar aos adeptos o poder de fazer justiça pelas próprias mãos. 

Daí surgem as invasões e o arremesso de moedas, telemóveis, garrafas de água, paus de bandeira, tochas, cadeiras, num vendaval provocado pelo furacão da emoção como se pudesse haver justiça, na hora, e feita por nós, para muitos julgamentos feitos à priori e sempre carregados de emoção. E para além da palavra e do impropério que se vocifera para dentro do campo.

Já não direi que quem salta para cima da relva tem um fervor clubístico exemplar e imaculado porque os interesses dos clubes defendem-se melhor, como se compreende, sem necessidade de invasões de campo ou arremesso de objectos. E de aglomerações escusadas com todo o tipo de agentes em que a polícia raramente intervém porque o tapete verde é um espaço vedado à sua intervenção.

Mas a moda é que todos os que vão ao futebol querem ser mais papistas que o Papa. Um adepto qualquer que lança a cadeira para dentro do relvado, perante o que considera uma má decisão do árbitro ou um teatrinho feito por jogadores adversários, experientes que sabem como irritar as massas, não está a defender o seu clube.

Apenas prejudicam o clube, com multas, com castigos de jogos à porta fechada.

Está apenas a mostrar que não sabe controlar as suas emoções e que os seus protestos não chegam ao sítio certo, nem terão o efeito positivo que o adepto espera que tenha. Apenas prejudicam o clube, com multas, com castigos de jogos à porta fechada. E que afectam o currículo do clube que na próxima leva ainda uma multa mais pesada por reincidência.

Perante este cenário, ninguém faz mea culpa nem pedagogia. No próximo jogo tudo volta ao mesmo, com todos os clubes a imitarem o FCP – clube onde o protesto também é um 12º jogador – e que todos se convencem que é assim que se condicionam os juízes da partida, amedrontando-os e fazendo deles instrumento da vitória ou do triunfo.

E os castigos voltam a punir os mesmos, as multas tornam-se um imposto, e os clubes alimentam uma máquina que dominam – a Liga e FPF – mas não controlam.

Agora, esta emoção já não se passa apenas nos relvados. É nas ruas, nas imediações dos estádios, nos autocarros. A correria que os jogadores, treinadores e dirigentes e todos quantos estão à volta do relvado fazem quando julgam que um dos seus é ofendido, também se faz cá fora com os adeptos a andarem em correrias loucas à procura de um inimigo que nem sequer conhecem em termos humanos e que julgam pela cor da camisola que veste.

E toda a sociedade vive estes motins, que têm na bola a sua origem. E na mente mal formada o veículo próprio para mais violência, mais pânico e mais medo que se espalha como vírus.

O futebol não pode ser um circo romano, onde por um simples inclinar do polegar, se dá ordem de matança a qualquer guerreiro que não derrotou o seu adversário – mais vezes – e nunca inimigo.

Para além de desporto aliciante para os adeptos e todos quantos trabalham no sector, o futebol é um retrato perfeito da sociedade em que vivemos.

E nós, cidadãos, só temos de dizer se é neste mundo, de pequenos e grandes interesses, que queremos viver e alimentar.

O Vitória merece mais respeito cá dentro e lá fora. Os adeptos terão de ser soldados da paz e defensores de um clima saudável que leve cada vez mais famílias inteiras aos estádios, em segurança que a polícia deve garantir.

Definitivamente, repúdio que Guimarães se transforme num circo romano. As suas gentes não o merecem. É tempo de agir e não de reagir e as lideranças mostrarem firmeza nas suas convicções e nas suas acções.

© 2022 Guimarães, agora!


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