Os ventos políticos na cidade-berço, sopraram contra o assinalar dos 100 dias de governação municipal de Ricardo Araújo e da coligação ‘Juntos por Guimarães’.
Se uns pintaram com cores vivas o verbo (e a palavra) utilizados na descrição do inventário de decisões tomadas desde 25 de Outubro, outros condenaram cedo demais uma gestão que não pode ser avaliada em 100 dias até pelo calendário da sucessão política em que se registou.
O exagero não teve sentido único quiçá pela falta de memória e pelo uso inadequado do verbo (e da palavra) à ocasião. E, por não assumir, com naturalidade o que vem do passado recente – e que a ala do actual PS rejeitou e condenou.
A produção ao jeito de Hollywood, com múltiplos cenários, omissão de partes imateriais da governação bem mais importantes do que a listagem dos feitos materiais, incomodou os que no passado recente também quiseram seguir os métodos da produção cinematográfica na sua comunicação.
Este vale tudo comunicacional que mistura conceitos – da informação à propaganda e às artes visuais até ao exagero – misturado com um verbo fácil, de conceitos sem contexto – motivou reacções que no plano político sendo naturais acabam perdidas no exagero que não leva a consensos.
Pedir mais a Ricardo Araújo e à sua equipa – nesta altura da governação – para além de falta de memória e rigor, é um exagero.
Na máquina complicada e burocrática da Câmara, 100 dias daria para fazer o Plano de Actividades e Orçamento, segundo opções novas – e politicamente legitimadas pelo voto.
“E muitas coisas só terão repercussão no futuro, daí que o julgamento “sem ideias” não se aplica porque ninguém muda a Câmara por dentro e por fora, nesse lapso de tempo por muita vontade que tenha.”
Ricardo Araújo fez mais do que apresentou em números. E muitas coisas só terão repercussão no futuro, daí que o julgamento “sem ideias” não se aplica porque ninguém muda a Câmara por dentro e por fora, nesse lapso de tempo por muita vontade que tenha.
A normalização das relações com o Governo e a criação de um ambiente favorável a que Lisboa olhe mais para Guimarães, é uma aposta de médio prazo em diversas áreas que pode dar resultados superiores ao que deu o período anterior desta governação. A visita de Ministros e Secretários de Estado a Guimarães, neste período tão curto, não foi apenas simpática: abriu caminho a que se resolvam problemas do património (Igreja de Santa Marinha da Costa), da mobilidade (com a definição que o MetroBus é a solução para alguns problemas como a ligação às Caldas das Taipas) e que, finalmente, se compreenda que as entradas e saídas para Sul são problemáticas em Silvares e merecem outro tratamento. A vinda do Primeiro-Ministro para dar a conhecer a estratégia nacional no sector do aero-espacial seria a cereja no topo do bolo mas Bruxelas chamou por Luís Montenegro, deixando esta visita fora do calendário dos 100 dias.
Portanto, há que assumir heranças, puxar pela memória e evitar o exagero do verbo e discurso fácil e perceber que ninguém pode ser julgado em 100 pelo que resolveu e prometeu fazer em 1.460 dias.
Por outro, a continuidade deve e tem de ser assumida com naturalidade porque em Outubro ainda ficou muito que fazer. E mais do que saber quem é o padrinho da obra – que está à vista – é importante que se faça a obra porque o Município é algo superior aos interesses dos partidos e ninguém vai desbaratar o que herdou.
Se o verbo, a falta de memória e o exagero são o pão nosso do dia-a-dia político local, a falta de bom senso e de coerência – que uns reclama mas não praticam – rejeitada no passado não pode servir de arma de arremesso a quem, também, concordou com elas e as votou quando estava na oposição. Outros abominaram essa herança e essa memória.
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