O destino do mundo nas minhas mãos

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Nunca me disseram, mas sempre suspeitei: o mundo, esse mundo que tantas vezes julgamos distante e alheio, começa nas minhas mãos.

Não o mundo inteiro – com as suas fronteiras políticas e crises climáticas – mas o mundo que me é dado a viver. A parcela de realidade que me cabe transformar. As pessoas que cruzam o meu caminho, as decisões que tomo, os gestos que não dou por falta de coragem, as palavras que calo por comodismo. Tudo isso, embora pareça pequeno, carrega dentro de si um peso imenso: o peso de alterar o rumo de uma vida. A minha. A dos outros.

Durante muito tempo fingi que não sabia. Que era mero espectador. Que as consequências estavam sempre longe demais, e que os meus atos eram gotas num oceano indiferente. Mas a verdade é que cada gesto – por mais ínfimo – é uma pedra lançada à água, e as ondas que gera não conhecem fronteiras. Tocam quem está perto. E, por vezes, chegam mais longe do que se imagina.

O mundo é mais frágil do que parece. E está, a cada instante, suspenso por decisões que julgamos banais. Um “sim” dito a desoras. Um “não” que se engoliu por medo. Uma omissão disfarçada de prudência. Um silêncio que custou a alguém mais do que imaginamos.

Vivo a escolher. Todos os dias. Escolho quando me levanto, quando escuto ou quando viro a cara. Escolho quando amo – e também quando me ausento do amor por preguiça ou distração. Escolho quando me deixo moldar pela indiferença ou quando, mesmo cansado, decido ser presença. Cada escolha é uma assinatura no destino. Uma impressão digital deixada no mundo.

E por mais que tente fugir, é impossível negar: carrego responsabilidade por aquilo que sou, por aquilo que deixo nos outros, por aquilo que ajudo a construir – ou a destruir – com a simples força da minha vontade.

“Mas o tempo, esse velho escultor de destinos, tem uma memória mais branda do que julgamos. Ele não apaga o passado, é certo. Mas permite reescrever o presente.”

Há quem viva convencido de que já é tarde. Que o mal está feito. Que o erro é irrecuperável. Mas o tempo, esse velho escultor de destinos, tem uma memória mais branda do que julgamos. Ele não apaga o passado, é certo. Mas permite reescrever o presente. Dá-nos, a cada dia, uma oportunidade de interromper o ciclo. De virar a página. De ser, enfim, aquele que sempre prometemos ser.

Vamos sempre a tempo. Mesmo que o relógio nos grite o contrário. Mesmo que os outros tenham deixado de acreditar. Mesmo que o mundo – esse mesmo mundo que temos nas mãos – já pareça ter desistido de nós.

Porque a verdade é esta: o mundo muda sempre que alguém muda. E se não posso mudar tudo, ao menos posso começar por mim.

O destino do mundo – este pequeno mundo que me habita – depende do que faço com o tempo que me resta. Com a verdade que escolho viver. Com a bondade que decido cultivar. E com a coragem de continuar a tentar.

Hoje, como ontem, tenho o mundo nas mãos.

E tu também!

  • Esta crónica é um excerto do livro “Oh, por amor de Deus!”. Uma leitura divertida e irónica sobre a vida e os seus pequenos absurdos!

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