As intenções na Semana da Mobilidade

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A Semana da Mobilidade termina hoje e este ano o tema central foi “Mobilidade para todos – Justiça entre gerações”. Mais um ano em que alguns Municípios dedicaram as ruas centrais aos cidadãos, à pedonalização, retirando a circulação dos carros, ocupando-as com jogos, informação e incentivo à mobilidade sustentável.

Exactamente porque estes momentos são importantes para o incentivo a uma mobilidade mais suave, deveriam ter lugar mais do que uma vez por ano, principalmente em espaços mais frequentados ou até em momentos festivos de grandes concentrações de pessoas.

Sabemos que é essencial a mudança de comportamento e adopção de novas formas de deslocação no dia-a-dia das pessoas, porém esta mudança não acontecerá se continuarmos a sentir dificuldades há muito identificadas.

Faltam transportes públicos com horários diversificados, mais intermodalidade, mais carruagens nos comboios urbanos e mais e melhores acessos pedonais para que todos possam aceder ao direito constitucional, o direito à mobilidade.

Os decisores políticos continuam a optar por ignorar que a mobilidade é um direito de todos os cidadãos, com significado ambiental e social bastante relevante, apesar desta afirmação estar escrita em todos os planos de mobilidade, de mitigação das alterações climáticas e até nas medidas apresentadas pela tão “amada” União Europeia.

“Insistem em prometer outras soluções de mobilidade, com novos formatos de transporte público com os BRT ou o VLT ao sabor dos desejos de cada executivo e do financiamento que pode ou não aparecer.”

Continuam os grandes planos para a construção de mais estradas como se, assim, se solucionasse o problema da quantidade de carros. Isto é a promoção do veículo individual, que mesmo sendo elétrico vai precisar de energia, de lugares de estacionamento, de circular tal como circulam os carros a combustível. Insistem em prometer outras soluções de mobilidade, com novos formatos de transporte público com os BRT ou o VLT ao sabor dos desejos de cada executivo e do financiamento que pode ou não aparecer.

Os estudos pormenorizados sobre as dificuldades sentidas, sobre as diversidades do território, sobre o desenvolvimento que se pretende para o futuro, continuam nas gavetas e insistem em não acompanhar as necessidades dos cidadãos.

Não é possível que se continue a ignorar a importância dos passeios seguros e confortáveis para todas as gerações. Que se continuem a fazer paragens de autocarro nas “beiras das estradas” sem qualquer segurança para os utilizadores de transporte público. E que se opte por não investir na intermodalidade e nas ecovias que sirvam para as deslocações diárias de quem escolhe usar a bicicleta.

Os Verdes sempre defenderam a redução do valor do passe, numa luta longa e persistente, para se tornar mais acessível e atrativo. E como a história revela, o passe intermodal nas áreas metropolitanas potenciou a procura activa do transporte público, visto que permite, também, uma poupança significativa para os orçamentos familiares.

No entanto, a capacidade da oferta não acompanhou o crescimento da procura. E o mesmo está a acontecer com o Passe Verde que é a partir de hoje válido até Guimarães e Braga, uma boa proposta, mas que vai tornar a vida de quem precisa do comboio urbano para se deslocar num pequeno inferno. Cai assim por terra a ideia de que as pessoas não querem optar por transportes públicos, a procura existe, mas as condições deixam muito a desejar.

De nada adianta fazer experiências quando já reconhecemos que sem um investimento sério nem as pessoas alteram os seus comportamentos nem as cidades se tornam em espaços com mais qualidade de vida.

Se nos deslocarmos para o interior do Norte do país, o desinvestimento é ainda mais gritante e o isolamento das populações cada vez mais uma realidade. Por isso, faz todo o sentido que o tema central de 2026 seja “Mobilidade para todos – Justiça entre gerações”, porque o diagnóstico está feito, as dificuldades identificadas, contudo as respostas tardam e o abandono destas regiões torna-se cada vez mais palpável.

A promoção e a garantia da possibilidade de uma mobilidade sustentável não é tirar o automóvel a ninguém, é apenas afirmar o direito de escolha e o direito de acesso a todos os outros direitos. Mas sem uma estrutura bem definida e a criação de acessos seguros, o passe barato ou gratuito servirá apenas para as grandes parangonas na comunicação social.

© 2026 Guimarães, agora!


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