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Segunda-feira, Junho 24, 2024

Catarina Pereira: localização impede CDMG de se mostrar mais ao turista e visitante de Guimarães

Economia

  • Catarina Pereira, evoca o passado, o presente e o futuro da Casa da Memória de Guimarães (CDMG), quando já passaram mais de oito anos da sua inauguração.
  • Nesta entrevista aborda a relação da CDMG com a comunidade, que tende a ser mais próxima e afectuosa e mais profunda pelos temas que aborda em áreas específicas da sua actividade.
  • Essa será a via para um “casamento” desejável em ordem a dar mais vida à riqueza patrimonial ali plantada como recordação e memória e de que os cidadãos se alheiam mas que podem usufruir porque está ali o espírito do ser vimaranense, ao longo de gerações e de séculos.
  • A Casa da Memória é fiel depositária do espírito e do bairrismo das gentes de Guimarães que se transmitem aos mais novos pela implementação de um projecto educativo que abrange as escolas do 4º ano; e estimula novas leituras e abordagens num contexto de centro de interpretação e conhecimento que comunica testemunhos materiais e imateriais da história de Guimarães ao longo do tempo.
  • Esta entrevista da coordenadora da Casa da Memória é uma janela aberta sobre os espaços culturais do concelho, num olhar diferente e de divulgação, análise e estimulador de diálogos com personagens diversas do sentir vimaranense.
  • E será apresentada em formato de textos soltos e individuais e numa publicação compacta que reunirá a colecção de textos publicados neste sentir da cultura, da história e da memória da alma das nossas gentes em todas as áreas.

Oito anos depois que diferenças nota na CDMG da abertura e de hoje?

As diferenças que notamos no caminho da Casa da Memória, ao longo do tempo, estão relacionadas com uma maior profundidade dos projectos com a comunidade, que garantem um largo alcance e projecção da missão da Casa da Memória.

Qual o balanço das actividades realizadas?

Os vários públicos aderem às iniciativas e actividades que programamos na CDMG, portanto fazemos um balanço positivo.

Que constrangimentos surgiram ao longo destes últimos anos?

Dada a localização da CDMG, já no final dos percursos activados pelo turismo na cidade, é mais difícil atrair este tipo de público para uma visita à exposição.

Cite oito eventos marcantes ‘nesta infância’ deste equipamento cultural?

A celebração do aniversário da Casa da Memória é um evento muito marcante, pois concretizámos um programa de actividades, ao longo do dia, bastante eclético e adaptado a todos os públicos. Destaco também o «Pergunta ao Tempo» que é um projecto educativo desenvolvido com as escolas do 4º ano dos 14 agrupamentos do concelho de Guimarães em torno do património cultural de cada lugar. Os temas anuais que ramificam em várias actividades, como por exemplo o programa em destaque deste ano e intitulado «Nome de Família: Guimarães», a partir do qual desenvolvemos conversas com especialistas em genealogia, oficinas de desenho, oficinas de culinária, entre outras actividades, indo à descoberta dos patrimónios familiares, desde a origem dos seus apelidos à partilha de histórias que passam de geração em geração.

O que pode a CDMG oferecer à cidade nos anos mais próximos?

O conhecimento sobre a história de Guimarães tornando-a mais acessível e estabelecendo laços de proximidade entre as pessoas e as comunidades de Guimarães.

Sente que a população está aberta a frequentar e participar mais nas propostas de programação?

A cada ano que passa, e em cada festa de aniversário da CDMG, notamos que nos chega público mais jovem, sendo a primeira vez que conhece a exposição e as actividades que aqui desenvolvemos.

Quais são e com que frequência as faz, as actividades regulares da CDMG?

Programamos, mensalmente, um leque vasto de actividades, desde conversas, visitas à exposição e ao território, oficinas criativas, publicações, entre outras iniciativas.

Como definiria, então, a CDMG: um palco de música, um local de exposições, um pátio para contar histórias, uma oficina de artistas populares, um museu da ruralidade vimaranense… ou…

A Casa da Memória é um centro de interpretação e conhecimento que expõe, interpreta e comunica testemunhos materiais e imateriais que contribuam para um melhor conhecimento da cultura, território e história de Guimarães, das pessoas de diferentes origens e mentalidades que a fizeram e fazem, trabalhando com e para a comunidade, especialistas e agentes locais e de todas as proveniências, com vista ao desenvolvimento de uma cidadania activa e participativa.

As artes performativas serão sempre a bússola da actividade da CDMG?

As artes performativas são a bússola do Centro Cultural Vila Flor. Na Oficina consideramos três áreas de intervenção: Artes Performativas, Artes Visuais e Artes Tradicionais, que são os «chapéus» da programação dos três principais equipamentos. Na CDMG, sendo uma Casa que reaviva as memórias e as actualiza, trazemos as tradições para as vivências actuais, entrelaçamos património, arte e cultura aproximando-nos das comunidades e do território de Guimarães.

“A Casa da Memória estimula novas leituras e abordagens à construção da memória do território e das pessoas que o habitam.”

Que memórias guarda a CDMG – ou pretende guardar? E o que se pode ver no dia-a-dia?

A Casa da Memória estimula novas leituras e abordagens à construção da memória do território e das pessoas que o habitam, junto das comunidades locais, através do seu envolvimento e participação em processos de recolha, registo e mediação; promove junto dos visitantes temporários uma relação de pertença ao território, por via da experiência de visita, activando dispositivos pós-visita que permitam promover a continuidade desta relação de pertença, entendendo-a como essencial para uma cidadania activa e participativa. A sua exposição permanente abre ao público de Terça-feira a Domingo, podendo ser visitada espontaneamente ou com marcação de visita orientada. Temos também disponíveis, por marcação prévia, várias oficinas para todas as idades.

Há por aqui património vivo ou intangível que não se conhece?

O concelho de Guimarães tem um património bastante rico, quer da ordem do material, quer do imaterial. Com o projecto «Remoinho» temos vindo a desenvolver, desde o ano passado, uma investigação no terreno sobre o património molinológico do concelho. Resgatámos a memória do funcionamento dos moinhos, património edificado e do saber-fazer que está um pouco esquecido e, por vezes, abandonado.

Como se deve estimular e reavivar a memória de Guimarães neste espaço?

Visitando a exposição e participando nas nossas actividades.

“Estamos abertos a receber propostas de actividades dos artistas.”

De que modo os artistas locais – de diversas áreas – podem usar as instalações?

Temos trabalhado com vários artistas locais, nomeadamente nas oficinas de olaria, com Maria Fernanda Braga. Estamos abertos a receber propostas de actividades dos artistas, desde que estejam relacionadas com memórias ou histórias de Guimarães.

A arte rural, os usos e costumes, a gastronomia podiam ter aqui algum poiso para actividades conexas a estas áreas?

Sim, estão presentes na exposição permanente os temas que refere. Quanto à gastronomia fazemos oficinas que vão de encontro à memória dos sabores.

Como classifica o papel da CDMG no contexto cultural da cidade?

Acho que tem um papel fundamental, principalmente na educação e mediação cultural, pois a exposição da CDMG privilegia a aprendizagem como um processo dinâmico, que parte da experiência e referências dos visitantes para a fruição e conhecimento dos conteúdos presentes no percurso de visita.

Que serviço educativo pode – ou tem prestado – a CDMG às crianças?

A equipa de Educação e Mediação Cultural de A Oficina desenvolve na CDMG experiências criativas que são desafios para descobrir, questionar, experimentar e criar, a partir de novas linguagens e saberes. Entre artes visuais e artes performativas, do património material ao património imaterial, sugerem-se espaços de liberdade e de saber-fazer, com artistas, artesãos, professores, crianças, jovens e outros aventureiros.

Há actividades programadas com as escolas?

Sim, por exemplo a 8ª edição do projecto «Pergunta ao Tempo» operou uma revolução na sua estrutura, ganhando mais alcance territorial e social. Trata-se de um projecto intergeracional de comunidade, através de uma troca de correspondência criativa entre as crianças das 14 escolas participantes e adultos de 14 instituições de vários pontos do concelho. As crianças usam as palavras, os desenhos e colagens para escrever a alguém que não conhecem mas que sabem o nome e um pouco da sua história de vida. Imaginam como seria essa pessoa quando era criança e colocam no papel todo a vontade que sentem de a conhecer melhor. A comunidade sénior acolhe as cartas e revisita o seu passado, respondendo e envolvendo-se nesta comunicação geracional experiencial, valorizando o conhecimento empírico e o saber inscrito no corpo pela prática. «Pergunta ao Tempo» é também estimular diálogos de saberes e ir em busca do património imaterial junto dos guardiões das histórias, dos rituais e dos costumes deste território.

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