Por agora, só a covid dá música

Cristiano Martins, artista vimaranense impossibilitado de subir aos palcos.


No primeiro dia do ano 2020, Cristiano Martins tinha a agenda totalmente preenchida. Acabado de ser pai, pela primeira vez, o artista e a mulher, atleta de alta competição, entravam no novo ano felizes e profissionalmente realizados. 2020 prometia ser o ano das suas vidas. “Contava ganhar mais dinheiro do que nunca. A minha agenda de trabalho estava completa e muitos dos eventos eram mesmo coisas grandiosas, projectos muito interessantes”, confidencia o músico.

À parte disso, em termos pessoais, preparava-se para arrancar com a construção da sua casa, a reformulação do seu estúdio e a substituição dos carros da família.

Longe, na China falava-se num novo vírus que perto, ainda, não assustava ninguém. “O meu cunhado é ilustrador e vive na Suíça, uma pessoa altamente informada, muito viajado e, em Janeiro, fala-me de um tal coronavírus que segundo ele pararia o mundo. Estava absolutamente convencido disso”, recorda Cristiano referindo-se à chegada da pandemia a Portugal. “Dois meses depois estávamos fechados em casa a viver algo impensável até então”.

Os primeiros espectáculos foram cancelados, mas o músico continuava optimista preparado para voltar aos palcos no Verão. Não foi possível. Nem no Verão, nem no Outono. E o ano da concretização terminaria com o número de casos de covid em Portugal em escalada e com o SNS sobrecarregado. Os portugueses viram na televisão a réplica italiana do início da pandemia.

“Andamos ao Deus dará, ninguém sabe nada, todos os dias ouvimos notícias contraditórias…”

2021 começou da pior forma. Novo confinamento geral. “Andamos ao Deus dará, ninguém sabe nada, todos os dias ouvimos notícias contraditórias. Há um ano tinha muitos planos que adiei por causa da covid. Actualmente não tenho nenhuns, nem faço”, assume.

© Direitos Reservados

Cristiano Martins não é apenas músico. Tem a versatilidade dos melhores artistas. É multi-instrumentista, professor, formador, compositor e produtor. Ultimamente até trabalha para anúncios de TV. Mais do que sete ofícios que lhe garantem a sobrevivência, mas não lhe permitem o desafogo que gozava até então.

A mulher, Doroteia Peixoto, atleta profissional mantém os treinos e os contratos publicitários, mas também viu serem canceladas todas as competições reflectindo-se em grandes prejuízos no orçamento familiar.

Cristiano Martins toca há mais de 10 anos com Zé Amaro

A versatilidade dos melhores artistas

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Cristiano Martins de 37 anos de idade é natural da freguesia de Aldão. Desde os cinco anos que faz música. Por influência do pai, um músico amador que foi o primeiro tocador de concertinas do Grupo Folclórico da Corredoura, Cristiano ganhou o gosto ao acordeão. A seguir ao piano. Depois ao órgão. Confessa que gosta especialmente de instrumentos com teclas. É multi-instrumentista de vários géneros musicais, indo do jazz ao blues, passando pela world music até ao fado, assimilados pela recolha, pesquisa e formação adquirida em vários trabalhos, workshops e formações técnicas de diferentes ramos de estudo da música. Desde então, as suas experiências profissionais na música, têm-se alargado à formação, execução, composição e produção musical. Recorda-se do vídeo da apresentação do Ricardo Quaresma? Pois bem, Cristiano Martins fez parte da equipa que o produziu.

Quando terminou o ensino secundário optou por seguir uma licenciatura de engenharia em detrimento da música. O objectivo era alargar as suas competências e evitar a instabilidade do mundo artístico, mas a verdade é que rapidamente teve de engavetar a engenharia para se tornar artista. Desde 2004, está registado no IGAC e tem carteira profissional de músico, produtor e compositor. E desde então retira o seu sustento do meio artístico.

Pela sua versatilidade Cristiano Martins cabe em qualquer projecto, não é, portanto, de espantar que se tenha envolvido em centenas de trabalhos. Pela longevidade destaca Zé Amaro com quem toca há mais de 10 anos.

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Ouve música como quem decifra o sudoku. Retira-lhe a letra, às vezes, até o título e foca-se na composição, nos arranjos. Mas, ouve de tudo. No spotify tem a playlist de soft rock que tocava para a filha quando vinha aborrecida da creche ou a colectânea de Ray Charles. Entre as músicas preferidas está Human Behavior da Björk e Absolute Beginners de David Bowie.

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