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Segunda-feira, Junho 24, 2024

Centro Social de Polvoreira: uma abordagem “diferenciada”

Economia

O Centro Social de Polvoreira é uma das IPSS de Guimarães com mais presença nas redes sociais. De fotos a vídeos do tiktok, o facebook da instituição está repleto de conteúdo sobre as actividades dos seus utentes, demonstrando aquilo que distingue este centro dos restantes.


O Centro Social da Paróquia de Polvoreira, fundado em 1999, é uma instituição sem fins lucrativos de direito privado. Criado inicialmente como um ATL – Actividades de Tempo Livre – tem, desde então, desenvolvido diferentes valências e instalações. Actualmente, a instituição alberga Creche, Jardim de Infância, Centro de Dia, Serviços de Apoio Domiciliário (SAD), Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), UCCI – Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Média Duração, Centro Descentralizado de Rendimento Social de Inserção (RSI) e Departamento de Formação, Aprendizagem e Modular certificada pela DGERT.

O número de utentes varia em cada valência, sendo que o ERPI acolhe 46 utentes, a creche acomoda 66 crianças, o jardim de infância 25, a SAD presta serviço a 35 utentes, o Centro de Dia a 20, o RSI apoia 100 famílias e a UCC, enquanto que tem protocolo para 30 utentes, tem capacidade de admitir 48. Recentemente, abriram ainda uma pastelaria para combater as necessidades monetárias e financeiras da instituição.

“A instituição, em 2013, é obrigada a recorrer à banca uma vez que tinha uma dívida enormíssima devido às construções que tinham terminado do ERPI e à construção da Unidade de Cuidados Continuados. É obrigada a recorrer à banca para assegurar toda a ginástica do dia-a-dia e vamo-nos apercebendo que aquilo que nos é comparticipado pelas entidades não é suficiente para aquilo que é exigível” explica a directora do Centro, Mónica Pereira. Como solução, foram pensando em “algo que pudesse dar uma levada, que a própria valência conseguisse crescer sem precisar da ajuda do Estado”. Assim, nasceu a pastelaria como “um negócio que pudesse ser lucrativo”.

“Fomos percebendo que precisávamos de um corpo técnico mais diferenciado para poder ajudá-los”.

Mónica continua: “As reformas dos nossos utentes são muito pequenas, os seus filhos, na grande maioria, têm dificuldade em ajudar os pais a pagar a mensalidade. Nós, enquanto equipa técnica, quisemos sempre ter uma equipa multidisciplinar, de forma a chegar a todos”. Oficialmente, é apenas exigido “em portaria”, mediante o número de utentes, que as equipas técnicas destas valências possuam Diretor(a) Técnico(a), Enfermeira(o), Animador(a) e auxiliares. No entanto, no Centro Social da Paróquia de Polvoreira sentiram que essa equipa “não era suficiente para acompanhar, estimular e fazer manutenção dos utentes”. “Fomos percebendo que precisávamos de um corpo técnico mais diferenciado para poder ajudá-los”, confessa a directora.

Actualmente, a equipa técnica desta instituição inclui uma animadora, enfermeiros, psicóloga, uma assistente social, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, nutricionista e auxiliares. “Nós podemos dizer que não temos nenhum utente acamado e muito se deve à equipa que nós temos”, revela Mónica. O centro trabalha numa lógica de “retardar o envelhecimento”, isto é, atrasar o máximo possível a perda das capacidades motoras e cognitivas dos utentes.

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“Aquilo que nos é financiado através dos protocolos passa a não ser suficiente para manter uma equipa como esta. Então, a instituição tentou e fez o esforço de procurar uma alternativa que nos possa garantir um valor extra, de forma que consigamos ter um trabalho diferenciado”, clarifica a directora relativamente à nova pastelaria.

Actividades e redes sociais

A coordenadora da equipa técnica, Flávia Freitas, relata que cada membro “trabalha diferentes campos” de modo a estimular a parte cognitiva, motora e social de cada utente. “Muitos deles, se nós os deixássemos ficar no quarto o dia todo, para eles era perfeito. Isso também é um trabalho que é nosso, nós temos de os trazer até nós”, explica, completando que a componente de socialização é fundamental para que os utentes “não se sintam sós”. “Não fica ninguém no piso, todos eles descem, estão nas salas de actividades”, ainda que não forcem ninguém a participar, tentam sempre convencer a participar de modo a sentirem-se “integrados”.

“As próprias famílias quando vêm ter connosco também já dizem que adoram ver o que eles fazem”.

No que diz respeito às publicações no facebook, Flávia e Mónica relatam, de modo humorístico: “Já são eles que vêm ter connosco e dizem para não nos esquecermos de publicar porque os filhos depois vão ver”. “Uma das coisas que nós notamos nos utentes mais autónomos é que muitas vezes fazem as actividades porque depois os netos ou os filhos vão ver. As próprias famílias quando vêm ter connosco também já dizem que adoram ver o que eles fazem”, revela a directora.

A ideia de começar a publicar vídeos e fotografias do quotidiano no Centro foi do Presidente da Instituição, o Padre Francisco Xavier. Desde logo, Flávia Freitas desenvolveu a ideia e o conteúdo foi evoluindo sob a sua responsabilidade. Todos os membros do corpo técnico participam com ideias, gravando, organizando actividades e fazendo publicações. Não há uma equipa de comunicação específica, cada membro tem liberdade e autonomia para criar conteúdo para as redes sociais.

Quanto às actividades, toda a equipa contribui para um plano anual, mais geral e abrangente, e a terapeuta ocupacional e a animadora, especialmente, organizam os planos semanais, mais específicos e direccionados para as necessidades de cada grupo. Os utentes são divididos em três salas: a sala três onde estão os utentes mais autónomos, tanto a nível motor como cognitivo, sala dois com utentes mais dependentes, mas que ainda têm capacidade de participar em actividades de grupo, e sala um onde estão os utentes mais dependentes que necessitam de atenção direccionada e actividades individuais.

A terapeuta ocupacional, Cristina Ribeiro, ilustra o tipo de actividades desenvolvidas ao longo da semana: “Se a animadora de manhã está a trabalhar a parte motora numa determinada sala, eu à tarde já pego noutras competências e vamo-nos cruzando assim. Isto de forma a trabalharmos o máximo de competências possíveis de forma promovermos sempre a autonomia e independência nestes utentes mediantes as suas competências e necessidades”.

Cristina admite ainda que, no que diz respeito à recepção dos utentes quanto às actividades, “estranha-se, mas depois entranha-se” mas que, ao longo do tempo, “eles próprios sentem necessidade”. “Os nossos utentes são bons utentes na medida em que querem participar nas actividades”, completa.

“É uma forma de passarmos a mensagem de que a idade não importa”.

A terapeuta sublinha, ainda, que “as actividades acontecem mesmo que não haja gravação” e que os vídeos que publicam no facebook são, essencialmente, “uma forma de divulgação do trabalho desenvolvido”. “É uma forma de passarmos a mensagem de que a idade não importa, somos capazes de fazer tudo na medida que quisermos”, declara Cristina.

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