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Terça-feira, Maio 21, 2024
Sérgio Gonçalves
Sérgio Gonçalves
Licenciado em engenharia de sistemas informáticos pela UMinho e doutorado pela Universidade de Vigo na área de sistemas inteligentes e inteligência artificial. Foi adjunto do gabinete de apoio à vereação na CM de Guimarães entre 2013/2021 com responsabilidades nas áreas do desporto, desenvolvimento económico, modernização administrativa e sistemas de informação com relevância em temáticas como as cidades inteligentes e digitalização. Presidente da ADCL, entidade que tem uma elevada contribuição para o desenvolvimento social do vale de S.Torcato e de todo o concelho de Guimarães.

Renascimento e os salvadores!

A democracia “falou”, os portugueses recuperaram a sua força e acorreram a 10 de março a um momento de definição do futuro de Portugal. Poderemos achar que o panorama político terá ficado mais confuso, no entanto a decisão foi de cada um de nós e é com ela que vamos enfrentar o futuro mais próximo. Não deixando de ter no horizonte a ideia de instabilidade que, prolifera na narrativa dos inúmeros comentadores políticos que todos os dias exprimem as suas opiniões nos diferentes meios de comunicação ou redes sociais.

Apesar de, ainda, termos um sistema institucional robusto e sólido, não nos deixemos enganar pela facilidade de tudo estar consolidado. Não, nunca. Os discursos de ódio e “antissistema” são a melodia que embala todos aqueles que distraídos se deixam encantar pelas soluções milagrosas e de facilidade infinita. Pois, a novidade é que a liberdade e a qualidade de vida dá imenso trabalho e é construída dia a dia.

São imensos os vendedores de ilusões, que surgem milagrosamente nos períodos próximos às eleições ou a momentos de importância para as decisões dos cidadãos.

As redes sociais são um palco privilegiado e que inquinam a qualidade da democracia, quando, é claro, usadas de forma indevida.

Num ano em que quase 49% da população mundial terá eleições, é claro que o recurso a meios que influenciam a livre escolha de cada cidadão, será imenso. 

Estejamos atentos às cortinas de fumo e seremos os construtores da verdade. Com a aproximação das eleições europeias que tendem a ser desvalorizadas, mas que comportam em si uma elevada relevância na governação dos países que constituem a União Europeia, a pressão mediática será exponencial.

A velocidade de uma notícia falsa é assombrosa, além de que a verdade dá sempre muito trabalho a confirmar e nem sempre é aquela que mais nos agrada.

Adicionemos a estes “detalhes”, as capacidades de novas ferramentas potenciadas pela Inteligência Artificial e teremos a receita perfeita para um declínio da liberdade, da democracia.

Só assim conseguimos a envolvência de todos na construção coletiva.

Soluções? Nunca serão fáceis de encontrar, mas o diálogo e a atenção aos problemas da sociedade são o caminho. Só assim conseguimos a envolvência de todos na construção coletiva. 

É notório que existe um afastamento entre os decisores políticos e a sociedade, sendo assim cultivado o populismo e o discurso que varia consoante a necessidade de agradar a um conjunto específico de interesses.

Florescem nas diferentes plataformas de divulgação, individualidades que ousam apresentar “soluções” que apenas são palavras vãs, as quais, à primeira contrariedade, caem como um castelo de cartas.

A causa pública exige de cada um de nós um comprometimento, não com os interesses pessoais, mas sim com a dedicação aos outros. A descrição na ação é um privilégio de poucos, tornando difícil de incutir a quem não consegue viver sem os “gostos”, os elogios superficiais, ou mesmo a adoração exagerada.

Tenhamos em mente as palavras do Papa Francisco:

“O narcisismo torna as pessoas incapazes de olhar para além de si mesmas, dos seus desejos e necessidades. Mas quem usa os outros, mais cedo ou mais tarde acaba por ser usado, manipulado e abandonado com a mesma lógica.”

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