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Terça-feira, Fevereiro 27, 2024
Miguel Leite
Miguel Leite
Natural de Guimarães, fisioterapeuta licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também pós graduado em fisiologia do exercício e fisioterapia cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

Que caminho seguir?

As lesões musculares representam 30% a 50% de todas as lesões desportivas, com o atingimento dos músculos isquiotibiais (situados na região posterior da coxa) a representar 15%. Modalidades como o futebol, o rugby, o hóquei, entre outros desportos de resistência, apresentam um grande índice de lesão dos isquiotibiais, possivelmente associado a movimentos de explosão e desaceleração relacionados com as especificidades técnicas dos respetivos desportos supracitados.

A lesão dos músculos isquiotibiais é dos acontecimentos mais comuns no desporto de alta competição o que consequentemente leva a ausência do atleta de vários momentos importantes da sua época desportiva.

Em termos de classificação de lesão muscular, existem várias tipologias, que vão variando ao longo dos anos, baseando-se normalmente na gravidade da lesão, na quantidade de tecido afetado, na perda de funcionalidade, na localização anatómica da lesão, na sua etiologia e pela avaliação por imagem (a ressonância magnética é considerada a técnica imagiológica de eleição para as lesões musculares). Como tal, consideram-se classicamente 3 categorias: grau I / lesão leve (não há uma lesão estrutural significativa), grau II / lesão moderada (lesão muscular e diminuição na força muscular) e grau III / lesão grave (rotura completa e total perda funcional da estrutura muscular atingida).

A observação do momento da lesão e o respetivo mecanismo de lesão iniciam um “guia de intervenção” imediato por parte do departamento clínico.

Nestas situações, como em qualquer tipo de lesão, a avaliação é um fator primordial, sendo que o plano de intervenção deve ser delineado desde o momento em que a lesão é diagnosticada em termos clínicos. Porém, a observação do momento da lesão e o respetivo mecanismo de lesão iniciam um “guia de intervenção” imediato por parte do departamento clínico.

O tratamento conservador para a reabilitação das lesões musculares é sem dúvida o mais utilizado, baseado em técnicas especificas inseridas na Fisioterapia, onde está englobado o trabalho da terapia manual, o treino de flexibilidade, o treino de força, exercícios de mobilidade e correção postural, a reeducação neuro motora, técnicas de analgesia local, entre outras, combinado muitas vezes com elementos farmacológicos indicados pelas equipas médicas.

O tempo de paragem é uma preocupação constante para o atleta, bem como, para a instituição que o mesmo representa, o que tem vindo a potenciar a implementação de terapias inovadoras nos últimos anos, com o objetivo de encurtar o processo de reabilitação e antecipar o “return to play”.

Como tal, na última década tem vindo a ganhar algum ênfase a utilização de fatores de crescimento, com o objetivo de acelerar a cicatrização tecidular. O PRP (plasma rico em plaquetas) é uma fração do sangue autólogo obtido por centrifugação, com uma concentração plaquetária superior à fisiológica (2,5 a 8 vezes maior). Esta técnica baseia-se numa injecção do PRP ecoguiado na zona intra ou peri-lesional.

A evidência científica existente revela que a aplicação desta técnica apresenta melhoria imagiológica em menor tempo, com redução do edema e hemorragia, retorno à competição mais precoce e melhoria da funcionalidade. Não esquecer que o tratamento conservador é um aliado fundamental em todo este processo, e os estudos em causa mencionam isso mesmo, pois a aplicação do PRP de forma isolada não apresenta a mesma eficácia de resultados.

No entanto, o estudo da aplicação clínica do plasma rico em plaquetas nas lesões musculares é ainda muito pouco desenvolvido, apesar de existir um efeito clínico e imagiológico positivo do PRP.

O caminho a seguir passa por uniformizar os protocolos de atuação e especificar certos parâmetros como sendo: o volume, o tipo de preparação, o número de injeções a realizar, o timing de injeção de PRP e a duração da intervenção, de maneira a maximizar o efeito pretendido.

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