Alberto Martins
Alberto Martins, 41 anos é empresário e licenciado em Gestão. Atualmente é ainda presidente da Junta de Freguesia da Vila de São Torcato desde 2017, tendo já sido tesoureiro desde 2005 até 2017. Trabalhou e colaborou com diversas empresas, de onde se destaca a empresa Coming Future e a empresa JF Economista Internacionais.

Os Heróis Esquecidos!

Portugal está a viver por estes dias, um dos piores momentos da sua história, no que diz respeito a incêndios, destruindo largas áreas de floresta, bens pessoais e muitas memórias.

A um ano historicamente seco, soma-se uma onda de calor severa e condições reunidas para a ocorrência de uma tempestade perfeita para a propagação de incêndios.

Devemos assim, pensar que futuro queremos para o nosso planeta, no que temos de mudar em termos de hábitos ambientais, na conservação e revalorização da floresta e na política de prevenção e combate a incêndios. Não podemos continuar a permitir este crime de destruição ambiental e pessoal, urge mudar mentalidades e sobretudo a forma como se organiza a floresta no nosso país.

Neste cenário dantesco, com centenas de ignições por dia, com incêndios de dimensões gigantescas, emergem novamente os heróis esquecidos. Os bombeiros, são por estes dias lembrados, como São Jerónimo quando trovoa, pela necessidade de nos acudir a este verdadeiro inferno.

Sentimos todos, que esta vaga de calor é realmente difícil de aguentar no nosso dia-a-dia com 38 ou 40 graus, na nossa vida profissional e até pessoal, agora imaginamos que temperaturas, estes homens e mulheres, suportam para nos proteger, registando-se em vários casos mais de 55 graus.

A acrescer a este calor descumunal, alia-se o desgaste de dias a fio de combate às chamas, da deslocação muitas vezes para longe da família e do risco real de poderem perder a vida. Estes homens e mulheres são nestes momentos lembrados, não pela sua capa de herói, mas pela nossa necessidade de sobrevivência, não pela sua atitude temerária, mas sim porque nos vão resolver uma dificuldade pontual.

Relembro ainda que estes foram os mesmos que durante quase dois anos de pandemia, enquanto grande parte do país se reservava nas suas casas, perante um perigo e um medo desconhecido, continuavam a fazer o seu trabalho, quer nas emergências médicas, quer no socorro, como em inundações, incêndios, acidentes ou até na limpeza de vias ou auxílio ao processo de vacinação.

Estes são os nossos verdadeiros heróis, mais uma vez colocados no centro de uma guerra que teimamos em perder e que daqui a uns meros meses voltam a um anonimato e esquecimento profundo que me incomoda, inquieta e me desconforta.

Os bombeiros deveriam ter um estatuto especial na nossa sociedade.

Os bombeiros deveriam ter um estatuto especial na nossa sociedade, serem protegidos e melhor remunerados, porque são a nossa tropa de elite, não numa guerra convencional, mas num teatro onde vidas e bens estão constantemente em risco.

Assim, releva-se mais uma vez um fator determinante para a desclassificação desta classe, o dinheiro. Tal como a mão assassina de quem ateia fogos, pensando nos lucros que pode ter, quer pela madeira queimada, pela possibilidade de maior rentabilidade desse espaço ou simplesmente porque pode beneficiar com aquela tragédia.

O dinheiro comanda a falta de relevância que a sociedade portuguesa deita os seus heróis. Todos nós deveríamos lutar para dignificar esta classe, os sucessivos governos deveriam ter feito mais por eles, mas ainda é tempo de os compensar, não apenas pelo valor monetário, mas pelo facto de simplesmente o merecerem, pois são a nossa última defesa em quase todos os momentos de aflição.

Estes são os heróis esquecidos, mas as memórias são eternas.

© 2022 Guimarães, agora!


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