Cidade Artificial

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Imaginar que um deserto se poderia transformar na cidade do luxo e da riqueza desmedida seria impensável, se não fosse a capacidade que o ser humano apresenta de criar na sua ambição louca e sem limites a sede do domínio.

À chegada avista-se no horizonte uma infinidade de blocos gigantescos de betão que crescem na direção dos céus, na tentativa de demonstrar poder absoluto sobre os demais. É realmente avassalador a imensidão vertical destas torres, como se de um campo de milho se tratasse florido e vasto numa linha sem fim.

À noite a escuridão torna-se cintilante de tantas luzes que brilham por todo o lado.

À uma necessidade voraz de querer transmitir uma fonte de riqueza inesgotável.

Porém, quem habita não tem nas suas raízes sangue local, são nómadas que almejam uma vida melhor. Em contrapartida os turistas contemplam esta criação artificial com espanto e curiosidade.

A alma não existe, pois, a realidade humana não é esta. A multinacionalidade dos seus trabalhadores, é constituída por homens e mulheres que se refugiam para poder proporcionar alimento às suas famílias distantes.

Que mundo tão desigual num local alusivo a um falso luxo!

Separar ricos de pobres, qual o interesse desses pensadores sem escrúpulos?

A história do mundo é criada por acontecimentos que marcam um percurso milenar. Aqui não vejo estes momentos. Na periferia observo ‘cemitérios’ de material de construção com início, mas sem o seu término, possivelmente ambições sem equilíbrio. Será este o futuro da humanidade? Separar ricos de pobres, qual o interesse desses pensadores sem escrúpulos?

Obviamente que todos nós procuramos conforto nas nossas vidas e sempre visando as nossas famílias, no entanto, tem de haver uma homeostasia de experiências que possibilitem oportunidade global.

Aqui o vento traz o pó que luta por manter vivas as reais origens por debaixo deste baralho de ‘cartas de ouro’.

Devemos sempre sonhar, mas sem que isso implique especular falsos mundos de excesso de artificialismos unipessoais.

© 2024 Guimarães, agora!


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