ChatGPT: “Penso, logo existo?”

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Leviatã é o nome de um monstro bíblico e também o título da obra mais célebre do filósofo inglês Thomas Hobbes, publicada em 1651. Este texto é um dos mais influentes sobre a estrutura da sociedade organizada. Como salienta o professor Arlindo Oliveira em seu recente ensaio ‘A Inteligência Artificial Generativa’, é um dos primeiros registos do argumento de que o raciocínio humano resulta da manipulação aritmética de símbolos.

Embora seja um conceito antigo, é inegável que foi durante a Segunda Grande Guerra que se começaram a construir os primeiros computadores. Desde então, sucessivos avanços tecnológicos permitiram ao consumidor ter no seu bolso um telemóvel que parecia pura ficção científica há apenas algumas décadas.

Tudo isso parecia natural para os consumidores, e o termo ‘Inteligência Artificial’ era, até então, apenas motivo de estudo para investigadores. No entanto, a chegada do ChatGPT em 2022 rapidamente transformou essa realidade, sendo adoptado por milhares de utilizadores. Actualmente, a recente entrada do DeepSeek, uma ferramenta chinesa, também está a gerar enorme entusiasmo.

Quem já interagiu com o ChatGPT pode ter ficado convencido de que esses modelos são infalíveis e possuem a capacidade de pensar. Mas será realmente assim? O que são e como funcionam?

De forma simplificada, os grandes modelos de linguagem (em inglês, Large Language Models – LLMs) são sistemas complexos, treinados com quantidades gigantescas de texto da internet. Eles utilizam redes neuronais profundas, que são estruturas matemáticas que imitam o funcionamento do cérebro humano, para processar e analisar a linguagem. Uma arquitectura específica de rede neuronal, chamada de Transformer, permite que o modelo preste atenção a diferentes partes do texto simultaneamente, compreendendo o contexto e as relações entre as palavras. Ao receber um texto, esses modelos usam o seu conhecimento para prever a próxima palavra, frase ou parágrafo mais provável, gerando respostas coerentes.

No entanto, apesar das numerosas vantagens, como a assistência na escrita ou na geração de ideias, recomenda-se sempre a verificação de factos, pois está documentado que esses modelos podem inventar fontes inexistentes de forma convincente.

Concluindo, o ChatGPT existe, mas (por agora) quem pensa é o leitor.

Luís Monteiro (Médico e Comunicador de Ciência). © Direitos Reservados
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