A sua prestação da casa vai voltar a subir

Data:

Depois de meses a descer, a maré virou. A Euribor voltou a subir este verão, o Banco Central Europeu aumentou as taxas em junho – a primeira subida em quase dois anos – e sinaliza que pode voltar a fazê-lo. Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, isto tem um nome concreto: a prestação sobe outra vez. E convém saber o que fazer, porque a lei dá ao cliente bancário mais margem do que ele costuma usar.

Comecemos por perceber o mecanismo, sem tecnicismos. Quem tem taxa variável paga a soma de duas parcelas: a Euribor, que muda com o mercado, e o spread, que ficou fixado no contrato. O spread não muda; a Euribor, sim. Quando ela sobe, sobe a prestação – mesmo que ninguém no banco lhe tenha “feito” nada. É automático, e revê-se de seis em seis ou de doze em doze meses, conforme o indexante do seu contrato.

Aqui está o primeiro direito que muita gente esquece: pode renegociar. O spread não é uma sentença eterna. Se o seu contrato é antigo e a sua situação melhorou – mais estabilidade, outro rendimento, menos dívida -, pode pedir ao banco a revisão das condições. E, sobretudo, pode transferir o crédito para outra instituição que ofereça melhores termos. A concorrência entre bancos joga a seu favor, mas só se a usar.

A lei ajuda quem muda. Na transferência de crédito habitação, foram eliminadas ou reduzidas várias comissões que antes tornavam a operação cara. Vale a pena pedir a duas ou três instituições uma simulação e comparar não só a Euribor – que é igual para todos – mas o spread, os seguros associados e os custos de mudança.

“Se prevê dificuldade em pagar, fale com o banco antes de falhar, não depois. Há mecanismos legais de renegociação que só funcionam enquanto o incumprimento ainda não se instalou.”

Há ainda um caminho para quem sente a prestação a pesar de mais no orçamento: o alargamento do prazo, que baixa a mensalidade (embora aumente o custo total do crédito), ou os regimes de apoio previstos para situações de dificuldade. E existe uma regra de ouro: se prevê dificuldade em pagar, fale com o banco antes de falhar, não depois. Há mecanismos legais de renegociação que só funcionam enquanto o incumprimento ainda não se instalou.

Na prática: confira quando é a próxima revisão da sua taxa e como fica a prestação; peça simulações de transferência a outros bancos; e não deixe uma dificuldade transformar-se em incumprimento sem antes procurar solução. Um crédito acompanha-nos décadas – vale a atenção de quem sabe que tem direitos.

Cada situação tem os seus contornos: o tipo de taxa, o indexante do contrato, o spread acordado, os seguros associados e a capacidade financeira de cada um. A melhor solução depende disso.

Este texto tem fins informativos e reflete o enquadramento legal à data de agosto de 2026; não dispensa a análise do caso concreto.

© 2026 Guimarães, agora!


Partilhe a sua opinião nos comentários em baixo!

Siga-nos no Facebook, X e LinkedIn.
Quer falar connosco? Envie um email para geral@guimaraesagora.pt.

Partilhe este Artigo:

Subscreva Newsletter:

PUBLICIDADE • CONTINUE A LER

Últimas Notícias:

Relacionadas:
Notícias

900 anos da Fundação de Portugal: Guimarães tem de ser a protagonista

Em 2028, Portugal assinalará os 900 anos da Batalha...

O dia em que subir um lanço de escadas deixou de ser normal

Tudo começou com um cansaço aparentemente banal. Uma pessoa...

Portugal não nasceu a 5 de Outubro

Muitos invocam o encontro de 1143 entre D. Afonso...

A Fundação de Portugal e o ‘xadrez dos bastidores’

As comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal...