1 | O convite formal endereçado ao Papa Leão XIV para visitar Portugal, delineado pelo Presidente da República aquando da sua primeira viagem oficial à Santa Sé em maio deste ano, foi ancorado em três marcos de profunda ressonância histórica e espiritual: a celebração histórica dos 500 anos da Nunciatura Apostólica, o 110.º aniversário das aparições marianas na Cova da Iria e o 10.º aniversário da canonização dos santos Francisco e Jacinta Marto. Esta intenção deliberada pelo Presidente António José Seguro foi agora reforçada na sequência da recente visita que efetuou a Roma e ganhou eco a nível nacional através da notícia do Correio da Manhã de 25 de setembro, onde se avança com um subtítulo que confirma a renovação do convite e a manchete “Papa visita Portugal em maio de 2027”. A notícia ainda não confirma os locais da visita, mas diz que o Papa tem recebido por parte dos bispos de algumas dioceses o pedido para que as visite, incluindo-se nessa lista os arquipélagos da Madeira e dos Açores e, também, da Arquidiocese de Braga, por ser a mais antiga de Portugal e Primaz das Espanhas.
2 | É uma circunstância indiscutível que Portugal, historicamente, firmou a sua própria soberania através da “Mitra e da Espada”. Longe de ser uma mera metáfora de poder, este título encerra o significado profundo da aliança indissociável constituída entre os arcebispos de Braga e D. Afonso Henriques, que funcionou como o verdadeiro motor da génese de Portugal, mas lembra também que foi neste mesmo Minho que o jovem infante, em 1128, travou o duelo decisivo para obter a independência de Portugal. Por isso, com as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, já em curso, justifica-se plenamente uma visita do Sumo Pontífice à região por este forte motivo, unindo Braga e Guimarães neste desígnio.
3 | Na verdade, se a espada afonsina abria caminho nos campos de batalha e delimitava o território, era a mitra dos prelados bracarenses que assegurava a legitimação jurídica, o xadrez diplomático com a Santa Sé e o suporte espiritual necessários para erguer um novo reino e uma nação no concerto europeu. Por conseguinte, foi no Minho que, no século XII, esta fusão de forças desenhou os alicerces do reino, tornando imperativo cruzar a herança do berço da nacionalidade com a agenda de Leão XIV em 2027.
“Cabe a Paulo Portas liderar esse xadrez institucional, transformando uma legítima aspiração minhota num desígnio inseparável da própria narrativa da visita papal.”
4 | A recente constituição da Comissão Executiva das Comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal, coordenada pelo comissário-geral Paulo Portas, vem dar o balanço prático que esta ambição regional exige. Aproveitando o excecional perfil diplomático e a vasta experiência em quadrantes internacionais deste líder, abre-se aqui a oportunidade ideal para desencadear as ações de bastidores e os contactos de alto nível necessários junto da Presidência da República e da Santa Sé. Com efeito, inscrever Guimarães e Braga na agenda oficial do Papa em 2027 exigirá uma diplomacia cirúrgica e persistente, capaz de demonstrar ao Vaticano que celebrar o berço da nacionalidade é também homenagear a própria matriz da Igreja em Portugal, cuja herança moldou a identidade desta histórica Terra de Santa Maria. Com a destreza política e a perspicácia que se lhe reconhecem, cabe a Paulo Portas liderar esse xadrez institucional, transformando uma legítima aspiração minhota num desígnio inseparável da própria narrativa da visita papal.
5 | Para que este desígnio se concretize, contudo, a audácia diplomática da Comissão Executiva não pode caminhar isolada; exige o envolvimento ativo e uníssono de todas as forças vivas do Minho. É imperativo que as instituições do Estado – desde os municípios às associações de desenvolvimento regional – e os pilares da Igreja local, liderados pela bimilenar Arquidiocese de Braga, unam vozes e vontades numa estratégia concertada. Só uma região coesa, orgulhosa do seu legado e firme nas suas pretensões, conseguirá fazer-se ouvir com a força necessária. Se outrora a Pátria nasceu da união de vontades neste mesmo solo, cabe agora aos herdeiros dessa história reedificar essa ponte, demonstrando que, no Minho de hoje, a sociedade civil, o poder político e a autoridade eclesiástica continuam a saber marchar juntos quando o futuro e a identidade nacional assim o exigem.
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