Alan Turing, um matemático Britânico, que em 1936 decidiu presentear-nos com uma invenção (“máquina Turing” que deu origem à atual Inteligência Artificial), e que nos dias atuais tem vindo a transformar a nossa realidade de vida e que certamente irá catapultar o mundo em pouco tempo.
A tecnologia e as plataformas que daí vão surgindo modificam em cada instante as nossas vidas, muitas delas de forma verdadeiramente profunda.
O mundo da Fisioterapia não é excepção e recentemente foi apresentando pela empresa Sword Health um programa de acompanhamento online com o recurso a IA, que visa um acompanhamento à distância por parte de um (a) Fisioterapeuta e uma equipa multidisciplinar na retaguarda, combinado com tecnologia de ponta, com os objetivos primordiais de uma orientação em tempo real de um paciente e consequente seguimento de um programa adaptado de forma supostamente individualizada e específico para cada patologia.
O lema utilizado por esta empresa, “Fisioterapia guiada por fisioterapeutas e potenciada por IA”, abrange ainda segundo os próprios, o minimizar as deslocações dos utentes aos locais de tratamento habituais, o adaptar aos horários laborais de cada um, o não limitar o acompanhamento às sessões, o minimizar os tempos de espera para iniciar o processo de reabilitação e ainda o contínuo controlo do profissional de saúde desde o início ao fim de toda a metodologia.
Toda esta informação parece uma oferta praticamente perfeita e inquebrável, porém as lacunas são reais.
O nosso Sistema Nacional de Saúde ao permitir a prescrição médica de um “tablet de fisioterapia”, poderá estar a banalizar uma área com dezenas de anos de investigação e dedicação de milhares de profissionais que dedicaram a sua vida a tantos, ao longo dos tempos, baseados no critério e consequente aperfeiçoamento dos mais diversos protocolos de reabilitação.
A telereabilitação baseada numa aproximação ao cidadão e com a procura diária de um acompanhamento mais contínuo parece-me bastante válida, no entanto, isso não pode substituir a presença física de um qualquer utente perante um Fisioterapeuta.
“Por mais que se use uma tecnologia inovadora, nada poderá ser comparado a comandos verbais e não verbais de um profissional de saúde junto ao seu utente, bem como, toda a ligação profissional vs utente e vice-versa.”
Sabemos de antemão que um acompanhamento à distância estará sempre dependente de uma motivação por parte do paciente em aceder à sessão, em que aquela novidade inicial rapidamente passará a uma “obrigação diária” e isso será uma forma de abandono do processo. É real também que por mais que se use uma tecnologia inovadora, nada poderá ser comparado a comandos verbais e não verbais de um profissional de saúde junto ao seu utente, bem como, toda a ligação profissional vs utente e vice-versa, que a inexistência a este nível, proporcionada por um ecrã irá oferecer em detrimento de uma proximidade real.
Na Fisioterapia, bem como em outra qualquer área, a tecnologia e as suas mais diversas vertentes são sempre bem vindas, desde que as mesmas não transmitam uma abordagem dissuasora e excessivamente ilusória de uma área que é fundamental pela sua sempre existente proximidade e acompanhamento dos demais em todo e qualquer processo de reabilitação. Por vezes a semelhança entre querer criar acessibilidades virtuais e possibilitar uma determinada intervenção, como forma de facilitar procedimentos, poderá ser ao mesmo tempo a criação de uma barreira geracional que se pode tornar permanente.
A Fisioterapia é e será sempre um elo de ligação mútuo entre o profissional de saúde e o seu paciente, consequência de um percurso baseado num propósito de melhorar a qualidade de vida do mesmo, fundamentado por um cariz científico.
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