A bombástica entrevista dos Duques de Sussex

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Começo este artigo com uma declaração de interesses: sou republicana. Na minha maneira de ver as coisas só aceito ser governada por alguém eleito, e não por alguém que herda uma posição.

Dito isto, e feita esta declaração de interesses, gostaria de partilhar com os leitores a notícia bombástica do momento, qual a minha interpretação, e porque levanta assuntos relevantes para a nossa sociedade.

Como já todos devem saber, os Duques de Sussex deram uma entrevista bombástica onde, entre outras coisas, acusaram a Família Real Inglesa de racismo – não indicando quem foi mas deixando a suspeição no ar; que a Duquesa tinha enfrentado problemas mentais, nomeadamente pensamentos suicidas; que afinal quem tinha chorado foi ela e não a Catherine, Duquesa de Cambridge; e que o filho não tinha o título de príncipe porque era biracial. Como já devem saber, a SIC comprou os direitos da entrevista e qualquer um de vós poderá opinar sobre o que foi dito. Eu vi a entrevista no dia em que foi para o ar, nos Estados Unidos, pelo que a minha opinião baseia-se sem interferência de opinião de terceiros.

Vamos começar, como sempre, pelo fim!

Podia Archie receber o título de Príncipe? Bom, de acordo com uma carta de 1917 do Rei Jorge V, só os herdeiros diretos do trono podem receber um título de Príncipe. E este título está limitado até aos netos do Rei ou, neste caso, a Rainha. Sendo assim, sendo Harry neto da Rainha, e sendo Archie bisneto, não pode receber o título de Príncipe. Ao contrário do que a Duquesa insinuou não houve discriminação baseada na cor mas sim, o cumprimento da regra/lei de 1917.

Afinal, quem chorou?! Como se sabe, este tipo de situações só pode ser verificado pelos envolvidos, e por quem estivesse presente. Foi noticiado que tinha sido a Catherine (que será um dia rainha consorte) a chorar mas, depois da entrevista, Meghan afirma que foi ela. Acontece que a jornalista que deu a notícia – Camilla Tominey no programa This Morning – refere que quando a notícia saiu fez confirmação dos factos tanto com a casa dos Sussex, como com a Casa de Cambridge e restante equipa de comunicação do Palácio. E confirmaram que a Kate ficou a chorar – Se Meghan também chorou? Não sabemos. Fica a dúvida. Mas, afinal quem nunca chorou por causa da cunhada ou cunhado e por causa de meias da menina das flores?!

Relativamente aos problemas mentais, ninguém sabe o que se passa na cabeça de cada um, contudo, muitas questões e dúvidas ficaram no ar após a entrevista. A Duquesa foi ao departamento de recursos humanos pedir ajuda para tratar dos problemas mentais, que disse que não a podia ajuda porque “ficava mal”, e não falou com o marido que declarou várias vezes, e em público, que fez terapia?! Não conhecia um médico que ela pudesse ir?! É só, no mínimo, estranho, vindo de uma família, em especial de Harry, que é uma voz ativa nas questões de doenças mentais. E finalmente, o impacto do tema do racismo. Este tema é aquilo que eu chamo de HOT TOPIC, juntamente com as questões mentais em especial, devido aos confinamentos provocados pela COVID. Porquê?! Porque quando vemos uma elite a falar de racismo, e se não for verdade, as consequências serão terríveis.

Mas, vamos à entrevista. Meghan disse que foram tidas várias conversas durante o tempo em que estava grávida, e que isso afetou a sua saúde mental. Contudo, e quando o Harry participa na entrevista, diz que foi uma conversa tida uma vez, ainda antes de casar. Ora bem, se esta bomba não for verdadeira que problemas causa?! Tão simplesmente a descredibilização de todo o tema à volta do racismo e o seu verdadeiro significado. O que sabemos hoje em dia? O racismo existe e disso ninguém pode duvidar. Contudo, usar o racismo para uma campanha de vitimização que não seja verdade tem duas consequências imediatas: 1) descredibiliza todos aqueles que sofrem efetivamente de racismo e 2) aumenta o fosso racial entre as pessoas.

Eu voto viver numa sociedade inclusiva, onde a diversidade seja encarada com algo positivo para o crescimento e empoderamento de todos…

Porque assim caminhamos para uma sociedade não inclusiva e justa mas sim para uma que discrimina os que não pertencem a uma minoria e não são de cor. E, francamente, a história já nos mostrou o quão perigosos os tempos podem ficar se insistirmos nesta diferenciação e apostarmos todas as cartas na descriminação. Na parte que me toca, eu voto viver numa sociedade inclusiva, onde a diversidade seja encarada com algo positivo para o crescimento e empoderamento de todos.

Se esta entrevista serviu para algo, para além de um óbvio posicionamento de um casal na América onde não eram particularmente conhecidos, e a sua aceitação na elite de Hollywood. Mas também serviu para nos alertar de como os temas de racismo, doença mental, etc são tratados e a importância que têm nos dias de hoje.

Este meu artigo é baseado na minha opinião e do que vi no passado domingo. Os meus leitores poderão decidir a própria opinião no dia em que a entrevista for transmitida pela SIC.

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