A Coligação Democrática Unitária (CDU) lamenta que “a evocação de um acontecimento tão importante no percurso para a constituição de Portugal seja objecto de uma evidente tentativa de aproveitamento político e partidário por parte do Governo e dos partidos que constituem a Aliança Democrática, que se manifesta nos sucessivos anúncios e na escolha do coordenador da comissão”.
E pese embora o Governo, ter deliberado e publicado em Diário da República em Fevereiro a criação de um Comissariado para as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, a CDU entende que “o Primeiro-Ministro destacou estas comemorações no último Congresso do PSD e reuniu o Conselho de Ministros em Guimarães onde anunciou a escolha de Paulo Portas para coordenar este órgão”.
“A nomeação do Paulo Portas não corresponde a um critério académico. Seguramente não é uma personalidade ‘consensual’, a nenhum nível.”
Se Luís Montenegro afirmou que se trata de uma personalidade ‘consensual’ e que reúne “características do ponto de vista da sua intervenção cívica e política, como jornalista, como pensador, como jurista também, como político”, já a CDU defende que “a nomeação do Paulo Portas não corresponde a um critério académico. Seguramente não é uma personalidade ‘consensual’, a nenhum nível. Não tem qualquer relação com Guimarães e as suas gentes. E não garante a realização de um trabalho historiográfico e científico sério”.
“Esta escolha despromove deliberada e intencionalmente Guimarães, onde existem personalidades e instituições competentes que foram desconsideradas no processo” – reitera a CDU em comunicado.
E, assim, expressa preocupações sobre a possibilidade de estarmos também perante “uma tentativa de conduzir o trabalho da comissão com o objectivo de promover ideias e concepções retrógradas, reaccionárias e contrárias à soberania e independência nacionais”.
Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Guimarães irão levar o assunto aos órgãos municipais – concluiu o comunicado.
Foto © José Gageiro
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