Há uma maioria que elegeu novos corpos sociais e um novo presidente da direcção; há outra maioria que votou nos candidatos concorrentes; e uma maioria que ficou na bancada (e em casa) a ver o espectáculo eleitoral.
Curiosamente todas estas maiorias, são como a moeda: na outra face são mesmo minorias, em que o Vitória mergulhou e vive, de sobressalto em sobressalto.
Vejamos agora a dimensão dessas maiorias:
- A que elegeu Rui Rodrigues tem 2.028 sócios apoiantes (com 30,53% dos votos expressos e apenas 14,89% do universo eleitoral);
- A que votou nos outros três candidatos, soma 4.445 votantes (com 66,91% dos votos expressos e 32,65% do número de sócios com direito a voto);
- E a que se absteve de participar neste acto eleitoral – supostamente como se ouviu por aí – “de que os quatro candidatos juntos não davam um bom” – e que atinge os 6.969 eleitores com capacidade de votar (51,20%). Há mais 169 votos (brancos e nulos) que se juntam a esta maioria robusta que não se deixou convencer por nenhum dos candidatos, de 7.138 sócios (52,44%).

Os números falam verdade sobre estas maiorias e minorias. E agora todos devem interpretar os sinais deixados pelos sócios eleitores (13.611) que votaram e os que não votaram (6.969).
Há, nesta matemática eleitoral e dos resultados das eleições, uma lógica de legitimidade e de representatividade.
Rui Rodrigues é o presidente legítimo porque foi o mais votado. Mas não representa a maioria do universo eleitoral, mesmo com a teoria amiga de que “a partir de agora sou o presidente de todos os vitorianos”.
A legitimidade advém do cargo que vai exercer, a representatividade vem apenas dos votos que conquistou. Não podendo apagar os votos dos seus concorrentes e o que eles representam ou significam. E mesmo o que quiseram demonstrar os sócios que não votaram.
Muito menos pode transferir, por arrastamento ou contabilidade criativa, para a sua conta pessoal, de popularidade, que resulta da grande sondagem que é feita nas eleições.
A sua maioria de 2.028 votos contados nas urnas é inferior à maioria que resulta da soma dos votos dos seus concorrentes, dos brancos e nulos e dos eleitores que não exerceram o seu direito de votar: 11.583 (85,10%).
Também, cada um dos candidatos menos votado e a sua soma pode impôr-se à legitimidade de o candidato mais votado tomar posse. Ainda para mais quando no decorrer da contagem nenhuma questão irregular tenha sido levantada no apuramento dos resultados que a demora na divulgação dos números pode justificar. E o silêncio até agora mantido pelo presidente da assembleia-geral e pelos candidatos derrotados que adiaram declarações sobre a sua interpretação dos resultados.
Foto © Vitória SC
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