A questão da Mobilidade é candente há já alguns anos. E não só de hoje. É um dos marcos do atraso de Guimarães para o qual os sucessivos governos municipais têm olhado de lado como se não houvesse soluções e tudo estivesse bem.
Por isso, os vimaranenses, a contragosto, têm sido alimentados por ideias falsas, promessas desregradas e soluções sem projecto, sem estudo ou planeamento.
A classe política que diz rasgar novos horizontes, que alardeia ambição a rodos, é a responsável por no governo do Município não terem sido dados passos seguros na resolução deste conflito numa cidade média e num concelho a necessitar de correcções aos traçados das suas principais vias.
Quando não se consegue ligar uma circular – que se mantém inacabada, há décadas, para além de rude para amenizar os seus defeitos de nascença – como se pode projectar uma outra segunda que alguns dizem ser necessária, permitindo que os acessos à cidade de todos os quadrantes se entupam, sejam imprecisos, criem filas enormes de carros. E resolvam todos os problemas – particulares até – menos a fluidez do trânsito.
O MetroBus impulsionado pela gestão municipal de Domingos Bragança parece agora ter um rumo definido – em contra-ponto com os que defendem o recurso à via férrea – que não tem apoios no Município, no Governo, no País e na UE porque sem estudos, sem opções, sem substância e resumido a um mero risco (traçado), numa carta geográfica precisa de muitos anos para andar.
E nem sequer nasceu porque não tem pai nem mãe que o possam gerar e não passa de uma ideia como muitas outras.
Por isso, as discussões são inócuas e pouco práticas, as soluções parecem ser uma carta que um qualquer iluminado tira do bolso ao jeito de um mágico como se estivesse num circo para fazer rir os espectadores.
O presidencialismo municipal está a fazer com que se atrase ainda mais uma verdadeira solução, pois, todos os candidatos se apresentam como tendo uma varinha de condão que resolve todos os problemas depressa e num simples abanar de dedos.
A ideia de uma ligação a Braga – por ferrovia – é uma agitação de momento, e tal e qual como dizia Séneca “nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”.
“No passado muitos se limitaram a pensar em Guimarães como o seu domínio – que queriam apenas controlar – e nunca se mostraram conquistadores como D. Afonso Henriques.”
Pode ser uma solução bonita mas é igual ao atraso do concelho que será difícil de recuperar porque no passado muitos se limitaram a pensar em Guimarães como o seu domínio – que queriam apenas controlar – e nunca se mostraram conquistadores como D. Afonso Henriques que mandou os Mouros para lá do Atlântico. E foi mais longe…
Em 40 anos de democracia, o poder local nunca olhou para além do pequeno favor, do pequeno subsídio, apostou mais na manutenção do poder, ressalvando alguns bons exemplos como a implantação da Universidade do Minho – uma ideia de 1973, diga-se.
Por isso, eis-nos chegados à solução do MetroBus como ligação a Braga – mais realista, mais célere e com mais apoios políticos logo financeiros – do que um caminho-de-ferro que para ser útil teria de entrar na montanha da Falperra e perfurá-la como se faz na Europa, diminuindo tempos de viagem que assim o justificariam.
Mas é bom que não se pense que todos os caminhos vão dar a Braga porque para Sul e para o Porto chegamos na mesma a Braga e à Alta Velocidade.
Os vimaranenses tendem para o exagero e pensam que correndo mais – e não melhor – vão ter o que desperdiçaram em mais de quatro décadas.
Ricardo Araújo, agora ao leme da Câmara Municipal tem pressa em concretizar promessas mas sabe que é devagar que se pode chegar longe.
Concretizar é o verbo que mais vezes quer utilizar. E para concretizar tem de ser sensato nas suas propostas, realista nas intenções que possam acolher o apoio e o financiamento de outras entidades porque a obra sendo de sonho não pode hipotecar o orçamento de uma autarquia para décadas, e criar um endividamento de risco que não vale a pena correr.
A realidade costuma ser a mãe de todas as realizações, madrasta de sonhos, e punidora de insensatez.
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