Vamos dismistificar o Liberalismo

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Muitos (ainda) acreditam que ser liberal é querer que o Estado desapareça, que ser liberal é estar de mãos dadas com o grande capital, que é defender que o mercado se regula a si próprio. Estas ideias simplistas são algo que me aborrece. São aquelas simplificaçõezinhas básicas que abrem caminho a muitas assumpções erradas.

Então vamos lá esclarecer.

Enquanto liberal quero um Estado pequeno, forte e com capacidade de regular e fiscalizar. Não sou anarquista! Desenganem-se. Nem acredito que haja sistemas perfeitos, muito menos considero o Mercado um sistema perto da perfeição.

Quero um Estado, sim.

E quero um Estado que consiga proteger os mais fracos e apoiar quando tudo falha. Mas que seja capaz de se libertar dessa relação de co-dependência, de dar ferramentas que possibilitem um reeguer do indivíduo pelos seus próprio meios, preservando o orgulho.

Enquanto Liberal acredito no poder da responsabilização do indivíduo e do coletivo. Acredito que se tomam decisões erradas, haverá consequências, então acredito que empresas com uma má gestão devem falir, por exemplo. E quero um Estado que tenha coragem de deixar acontecer. Ao Mercado o que é do Mercado.

Quero um Estado que se preocupe em regular e fiscalizar, com mão firme para que não haja abusos.

Também quero um Estado que tenha capacidade de fomentar o crescimento económico abrindo mão do controlo, do poder e da procura pelo voto. Que trabalhe efetivamente num país onde todos possamos, dentro das nossas especificidades e especialidades, crescer e desenvolvermo-nos. Em última estância, quero que possamos ir atrás das nossas ambições sem complexos. Quero um Estado que se preocupe em regular e fiscalizar, com mão firme para que não haja abusos. Quero um Estado que seja eficiente e capaz, que se foque no aumento da riqueza de todos. Quero um Estado que nos trate como adultos, e não como adolescentes insubordinados que precisam da mesada do pai para sobreviver.

Então sim, o meu ideal de Estado é diferente do que  conheci toda a vida. Mas não abdico dele.

Idealista? Talvez. Mas gostava de deixar aos meus filhos um país mais livre, com mais escolhas, um país em que o orgulho não precise que estar fechado nas páginas de um livro de história nem nos feitos da nossa Seleção Nacional de Futebol. Um país que se orgulhe do agora. 

© 2023 Guimarães, agora!


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