Muralha: Café Oriental faria 100 anos mas “a sua destruição foi perda irreparável para Guimarães”

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O passado do Café Oriental é nostálgico para os vimaranenses. Sobretudo porque muito do património que hoje enriqueceria ainda mais Guimarães foi delapidado, mal tratado e deitado fora.

A Muralha, associação de Guimarães para a Defesa do Património lembra que abria no Toural, então praça D. Afonso Henriques, a 19 de Dezembro de 1925, um exótico e moderno café, pensado e desenhado pelo Capitão Luís de Pina, que resgataria, segundo as crónicas de então, o desconforto social de Guimarães não ter nenhum café.

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“A cidade, igualmente mergulhada no fascínio pelas descobertas dos túmulos dos faraós a que a imprensa da época dava sempre grande destaque, acolheu o café e o minucioso estudo do Capitão Luís de Pina sobre a milenar cultura e mitologia egípcia com entusiasmo e orgulho” – recorda a direcção da Muralha, a propósito da evocação desta data.

E justifica “o objectivo da exposição é a de contar a história do nascimento e do desaparecimento de tão peculiar e impressivo espaço, que serviu de local de encontro, de conspiração e de tertúlias e que marcou a vida da cidade ao longo de quatro décadas e que deu à cidade um cosmopolitismo que até então não tinha”

O Café Oriental hoje seria muito mais que uma atracção turística. © Direitos Reservados

O Café Oriental desapareceria a 22 de Julho de 1967, com um Toural já povoado com outros cafés e confeitarias, que surgiram após o Oriental, para dar lugar a uma dependência bancária, o que levou à destruição das suas pinturas, das suas colunas e dos móveis que foram cuidadosamente pensados para recriar um ambiente de cultura oriental egípcia.

“O fascínio que a sua existência causou perdurou na memória de quem o conheceu e frequentou, mas, igualmente, as suas histórias foram apreendidas e tornaram-se igualmente lembranças em quem nunca o poderia lembrar.”

“A sua destruição foi uma perda irreparável para Guimarães. Mas o Café Oriental nunca morreu verdadeiramente. O fascínio que a sua existência causou perdurou na memória de quem o conheceu e frequentou, mas, igualmente, as suas histórias foram apreendidas e tornaram-se igualmente lembranças em quem nunca o poderia lembrar. Essa foi, assim, a justa vingança do Café Oriental pelo seu incauto e incompreensível fim” – acrescenta a nota de imprensa da associação de Defesa do Património de Guimarães.

A exposição abrirá no dia 19 de Dezembro (Sexta-feira), pelas 17h30, na Sociedade Martins Sarmento e no final será, por iniciativa da SMS, feito o lançamento do livro ‘Café Oriental (Egípcio) – Esbôço Explicativo’, do Capitão Luís de Pina, apresentado pelos professores José das Candeias Sales e Susana Mota, com um momento musical pelo guitarrista Filipe Neves Curral.

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