O programa das Gualterianas deste ano foi dado a conhecer pela cooperativa A Oficina – a quem o Município responsabilizou pela sua organização, há já alguns anos.
Alia a tradição popular, o fervor e a identidade vimaranense, mantendo o espírito e a concepção, num modelo que “reflecte a participação, auscultação e convocatória de diversas entidades”.
Como programa da cidade, das associações que nela participam, as Gualterianas englobam a ‘Feira do Artesanato’, este ano, mais exigente com a qualidade dos expositores, onde se procuram verter as artes e ofícios mais distintas de Guimarães, como Bordado, a Olaria e outros mesteres.
Esser Jorge Silva, director de A Oficina, explica que a qualidade da feira só se garante com artesãos registados e não com outros intérpretes de actividades que se possam aproximar do que é o artesanato. “Fomos criteriosos” – justificou, o que de alguma forma explica os quase 50 artesãos inscritos.

Mas as Gualterianas, também, são espectáculo, animação de rua, vivência urbana e a música ganha dimensão com a participação dos Fragmentos, Nuno da Câmara Pereira, Dillaz e de Bárbara Bandeira, num misto de propostas em que cabem os tradicionais grupos de bombos, os cantares ao desafio, o festival internacional de folclore. E um DJ set já fora de horas.
A corrida de cavalos está de regresso, na Segunda-feira, no Hipódromo de Candoso São Martinho. E a feira de Gado e concurso pecuário mantêm-se no campo de São Mamede.
De salientar, que a opção do Toural e de praças do centro histórico como palcos espalhados para diversos espectáculos visa aglomerar o público numa área natural. “Não faz sentido haver um segundo palco na Plataforma das Artes” – defendeu Esser Jorge Silva.
A Marcha Gualteriana, sairá à rua, como um momento “em que mantém legado e a história” de um número emblemático, como sublinhou Rui Porfírio Silva, presidente da Associação da Marcha Gualteriana.
Com nove carros, identificados por diversas temas, a Marcha evidencia a arte de trabalhar madeira, arrame, ferro e esferovite, que dão a beleza final ao trabalho de obreiros que começa com mais de quatro meses de antecedência.
“Vamos fazer um espectáculo com rodas” – profetizou Rui Porfírio Silva, no ano em que a Marcha Gualteriana completa 120 anos de vida.

“Há já 685 pessoas com funções diversas e a trabalhar na marcha mas vamos precisar de mais até chegarmos aos mil” – de modo a garantir os números vivos e o adorno de cada carro – salientou o presidente. E uma delas – Salvador Silva – carpinteiro já conta com 60 anos de participação, tornando-se o mais antigo membro dos obreiros que fazem a marcha vibrar.
No cortejo, também, se vão incorporar cinco ranchos folclóricos e cinco grupos de teatro, de modo a completar o desfile, lembrando o primeiro cortejo, de 1906, criado por José de Pina, Abel Cardoso, João Melo e padre Gaspar Roriz.
Isabel Ferreira, vereadora da Cultura e participante na apresentação do programa das festas da cidade, destacou “as mais valias” do evento e da “sua capacidade agregadora, de diferentes pessoas”, reconhecendo que a edição de 2026 foi, em parte, condicionada pelo calendário eleitoral autárquico e pelas eleições na própria Associação da Marcha Gualteriana.
Acentuou os ofícios e mesteres envolvidos nestas iniciativas – ‘Marcha Gualteriana’ e ‘Feira do Artesanato’ e o contributo do Bordado e da Cerâmica nos dois eventos, facto que “valoriza a cultura popular”, enraizada nestas manifestações. E salientou o cariz religioso, profano e popular da maior ‘Festa de Verão’ de Guimarães (com um orçamento de 450 mil euros) – a outra, são as Nicolinas enquanto festa de Inverno.
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