Física Quântica: passado, presente e futuro

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As Nações Unidas assinalaram o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas em 2025. Este ano não foi escolhido por acaso. Foi há um século que os trabalhos pioneiros de Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger, em 1925, lançaram os alicerces da mecânica quântica moderna e transformaram para sempre a nossa compreensão da Natureza. 

A física quântica é, desde a sua origem, profundamente contraintuitiva. No “mundo pequeno” dos átomos e das partículas elementares, as leis de Newton deixam de se aplicar tal como as conhecemos, e a incerteza passa a ser uma característica fundamental da realidade. 

Até Albert Einstein teve dificuldade em aceitá-la totalmente resumido na célebre frase: “Deus não joga aos dados”. Um século depois, porém, não restam dúvidas quanto à solidez dos fundamentos da mecânica quântica. Mais do que um exercício teórico, ela tornou-se parte integrante do nosso quotidiano. 

Por exemplo, a fotónica quântica está a revolucionar a imagiologia médica e os métodos de diagnóstico. A química quântica apoia o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos, permitindo simular moléculas complexas com uma precisão inédita. A engenharia quântica contribui para células solares mais eficientes e acessíveis e para fontes de luz LED de baixo consumo e reduzidas emissões. 

Este progresso assenta também em descobertas fundamentais, como o estudo do efeito túnel quântico em sistemas macroscópicos, associado a investigadores de referência como John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis, galardoados com o prémio Nobel Física em 2025. 

A física quântica nasceu como uma resposta ousada a perguntas difíceis sobre a Natureza. Cem anos depois, sabemos que há muito mais para descobrir no mundo quântico. Talvez essa seja a mais útil lição de ciência. Para compreendermos o mundo, mesmo quando ele parece estranho, o crivo científico é fundamental.

As aplicações úteis podem ou não surgir, mas a capacidade de deslumbramento será sempre o motor essencial para os jovens que estão hoje a descobrir a carreira de investigação como o seu caminho. Os próximos cem anos de ciência começam hoje.

Luís Monteiro (Médico e comunicador de Ciência).

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