- Reconhecido pela revista Strad, do Reino Unido, como “um dos melhores violinistas portugueses da sua geração”, Emanuel Salvador construiu um percurso internacional na Música de Cordas, tendo antes sido o fundador do Quarteto de Cordas de Guimarães e director artístico do ‘Guimarães Clássico’;
- No início dos concertos da 8.ª edição do festival, Guimarães, agora! ouviu o violinista cuja formação musical passou pela Sociedade Musical de Guimarães.
Para onde tende a evoluir o ‘Guimarães Clássico’ depois de oito edições?
Cada edição do ‘Guimarães Clássico’ é uma edição diferente da anterior e cada uma tem o seu tema, as suas preocupações de ordem programática. Este ano tentámos fazer uma ponte entre a Capital Verde Europeia que se comemora em Guimarães e construir uma programação à volta dessa temática. Por isso é que cada concerto tem uma temática ligada à natureza e mesmo as obras que vamos apresentar, muitas delas têm essa ligação. Tentámos, também, chamar a atenção para o facto de uma das principais preocupações do ‘Guimarães Clássico’ incluir parte da formação de jovens músicos que já estão num nível muito alto da parte de pessoas e que já estão a terminar o nível da universidade ou então já são profissionais, ou estão a começar a sua carreira profissional mas queremos que eles em Guimarães se preparem, aprendam, ensaiem, e apresentem juntamente com pessoas que são artistas do top. Ou seja, estamos a falar mesmo dos melhores artistas que há a nível mundial.
Por exemplo…
Este ano temos três caras novas e eu passo a apresentá-las porque algumas já são conhecidas do público mas estas acho que é interessante dar algum relevo que é o facto de termos neste ano Bartłomiej Nizioł, um violinista de grande gabarito, na Polónia, e que é o presidente júri do concurso Wieniawski, uma espécie de ‘Jogos Olímpicos do Violino’ fazendo uma analogia que toda a gente entenda. O pianista Michał Francuz, acompanhador oficial do concurso nesta edição; Adam Klocek que é um violoncelista muito importante e maestro e que é detentor de um Grammy que é também um daqueles prémios muito importantes na área da música.
Onde é que vai parar o ‘Guimarães Clássico’, com esta qualidade artistas?
Isso não sabemos, como eu disse, cada edição é uma história nova aquilo que sabemos é que as linhas de pensamento do festival têm sempre aquela ideia de estar muito empenhados na formação de jovens mas a um nível muito alto, dar-lhes oportunidades de se apresentarem. E proporcionar ao público em geral, em Guimarães, tanto os vimaranenses como os turistas que por aqui passam nesta altura possam fazer um bocadinho de turismo cultural ou seja, ouvirem música clássica e usufruírem dos espaços que a cidade tem ao som de uma música intemporal.
“Temos aqui vimaranenses e turistas em grande número que têm disponibilidade e têm avidez de consumir noite após noite concertos e os números do público que nós temos nos concertos de edição anteriores mostram exactamente isso.”
Que balanço é possível fazer desta iniciativa?
Como eu disse, o balanço para nós é claramente conseguir uma boa programação. Quando começámos, o ‘Guimarães Clássico’, a ideia de fazer um festival no Verão toda a gente pensava que se calhar não era a melhor altura mas para nós era bastante claro que, primeiro, tínhamos acesso aos alunos que estão nesta altura do ano em férias e que muitos deles são estrangeiros e, por isso, Portugal seria um destino exótico para virem aprender mas também para fazerem turismo. Temos aqui vimaranenses e turistas em grande número que têm disponibilidade e têm avidez de consumir noite após noite concertos e os números do público que nós temos nos concertos de edição anteriores mostram exactamente isso, que a afluência do público é cada vez maior e há muitos concertos que nós temos que fechar as portas basicamente porque já não há mais espaço, porque os concertos são grátis e há um momento em que atingimos a lotação máxima e então temos que fechar a porta.

Balanço positivo, então?
Para nós, o objectivo é totalmente conseguido. Relativamente ao facto deste festival ser uma continuação do projecto inicial do Quarteto de Cordas de Guimarães faz todo sentido porque é quase como fazer uma extensão do trabalho que o Quarteto faz nas residências artísticas durante o ano e que tem feito nestes últimos dez anos e é um momento mais visível da actividade do Quarteto porque durante uma semana temos muita concentração de concertos, seis concertos em seis dias basicamente e por isso o balanço é francamente positivo.
Porquê a sua realização em tempo de férias? É a data mais adequada?
Eu já respondi em parte a essa pergunta, por causa das razões que eu mencionei ou seja, ser um momento em que os alunos estão em férias podem ir para um curso, é o momento em que normalmente há mais masterclasses deste género e também pelo facto de, por exemplo, como aqui os concertos são bastante tarde e normalmente é difícil as pessoas durante a semana irem ver um concerto e depois no dia seguinte terem que acordar cedo mas como as pessoas estão em férias acho que também é um momento em que podem usufruir de mais concertos. Há muita gente que está de férias, não é? E também os próprios turistas.
“Este ano temos um número mais considerável de músicos nacionais do Porto, de Braga ou de Coimbra, de Aveiro e este ano temos um número maior do que o normal em termos de jovens músicos portugueses.”
A ligação do ‘Guimarães Clássico’ com o meio musical vimaranense que frutos tem dado?
Temos uma ligação primeiro com o Conservatório de Guimarães que é desde o primeiro dia um dos nossos parceiros. As aulas acontecem no Conservatório e também temos sempre a preocupação de tentar incluir artistas, professores locais por exemplo, além do Quarteto de Cordas de Guimarães temos também o professor Nuno Meira que é o concertino da Orquestra de Guimarães e professor na Universidade do Minho e que vive em Guimarães. Juntamos um contrabaixista que é também da Orquestra de Guimarães, o primeiro contrabaixo ou seja, nós tentamos sempre fazer essa ponte mas isso não depende só de nós. Estamos abertos e tentamos de alguma maneira fomentar essa ligação com os artistas não só de Guimarães, com os jovens músicos mas também de Portugal em geral ou seja, este ano temos um número mais considerável de músicos nacionais do Porto, de Braga ou de Coimbra, de Aveiro e este ano temos um número maior do que o normal em termos de jovens músicos portugueses. Uma ideia que identifica o ‘Guimarães Clássico 2026’, ano da Capital Verde Europeia onde vamos tentar fazer uma ponte se bem que não estando formalmente ligados ao evento acho que fazia sentido – e foi também acordado com o próprio Município – fazer uma programação à volta dessa ideia ou seja, tentar ligar a programação com a Capital Verde e então, organizar concertos com uma temática à volta da natureza. O primeiro concerto chama-se ‘Raízes’ e a ideia é ouvirmos música que, de alguma maneira, forma a base da música clássica; o segundo é o ‘Germinar’ que é a audição dos alunos e o ‘Quatro Estações’ portenhas, de Piazzolla. Normalmente o festival clássico aconteceu sempre no centro e este ano quisemos expandir um bocadinho com um concerto no Domus Vitae, em Creixomil, criando novos palcos em sítios menos convencionais, o que é bastante importante. Uma novidade, em relação ao repertório: a apresentação de um concerto que vai ser uma estreia nacional, pois é a primeira vez que vai ser ouvido em Portugal um Concerto das Flores, ou seja, tentámos fazer uma ligação entre a temática da natureza e da música, na Sexta-feira.
Como tem funcionado o Quarteto de Cordas de Guimarães?
O Quarteto de Cordas Guimarães este ano faz 10 anos o que é um marco muito importante para nós. Começámos o ano na Ásia com uma tournée no Vietname, que contou com o apoio da Direcção-Geral das Artes; e durante estes 10 anos o Quarteto tem-se afirmado como modelo a seguir pois a ideia seria sempre de criar um embaixador cultural dinâmico e que de alguma maneira representasse Guimarães em vários palcos tanto a nível nacional como internacional. O Quarteto já se apresentou em vários festivais ou salas de concerto em vários países como França, Espanha, Alemanha, Polónia, Vietname, Macau agora e outros mais. Temos em agenda o 15.º aniversário da Capital Europeia da Cultura, entre cidades antigas capitais da cultura este é um projecto que vai ter apoio da Direcção-Geral das Artes: em La Valletta, em Malta, em Vilnius e em Wrocław.
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