Em 2028, Portugal assinala os 900 anos da Batalha de São Mamede, travada em Guimarães, a 24 de junho de 1128. Este acontecimento, que esteve no cerne da formação do Reino de Portugal, representa uma oportunidade única para valorizar a nossa memória histórica e, sobretudo, dar a conhecer a identidade portuguesa a todos aqueles que escolheram o nosso País para viver, trabalhar e construir o seu futuro.
O Dia Um de Portugal não deve ser apenas uma evocação do passado. Deve constituir um momento de encontro entre a História e a sociedade atual, capaz de despertar o interesse das novas gerações e de aproximar da nossa herança cultural quem, vindo de outros países, passou a fazer parte da comunidade portuguesa. As comemorações dos 900 Anos da Fundação de Portugal oferecem-nos a oportunidade de transformar uma efeméride histórica num verdadeiro exercício de conhecimento e participação cívica.
Quem escolhe Portugal para viver merece ter a oportunidade de conhecer o País na sua plenitude. Para além da realidade quotidiana, do trabalho e das oportunidades que aqui encontra, existe uma História que explica a formação da Nação, uma cultura que atravessou gerações e um património que testemunha o percurso coletivo dos portugueses. Conhecer estas referências permite compreender melhor a sociedade, interpretar os seus valores e participar de forma mais esclarecida na vida da comunidade.
É precisamente aqui que a Batalha de São Mamede ganha uma atualidade que ultrapassa a sua dimensão militar. Em 1128, Guimarães foi palco do acontecimento decisivo no processo de afirmação política de D. Afonso Henriques. Conhecer este episódio é compreender uma das etapas fundamentais da formação de Portugal e perceber por que razão esta cidade ocupa um lugar tão significativo na memória nacional.
Guimarães deverá, por isso, assumir o papel central nas comemorações de 2028, promovendo visitas históricas, exposições, conferências e atividades educativas dirigidas a públicos de diferentes idades e origens. As escolas, as associações culturais, as instituições locais e as comunidades estrangeiras residentes no País poderão ser chamadas a participar num programa que torne a História acessível, interessante e próxima da vida das pessoas. O objetivo não deverá ser apenas atrair visitantes, mas proporcionar experiências que deixem conhecimento e despertem vontade de continuar a descobrir Portugal.
Esta abertura à participação de todos exige uma ideia clara de integração. Conhecer a História portuguesa não significa renunciar às próprias origens; significa enriquecer a experiência de viver em Portugal. Cada pessoa transporta consigo uma língua, tradições e experiências que merecem respeito. Ao mesmo tempo, conhecer a sociedade que a acolhe favorece o diálogo, a compreensão mútua e a construção de laços duradouros. A integração torna-se, assim, uma responsabilidade partilhada: de quem chega, através da vontade de conhecer, e de quem acolhe, através da disponibilidade para explicar e partilhar o seu património.
“Quando os acontecimentos, os lugares e os símbolos que marcaram o percurso de Portugal são compreendidos por um número crescente de pessoas, criam-se referências comuns que facilitam o diálogo entre gerações e comunidades.”
Dar a conhecer a História nacional é, portanto, mais do que uma iniciativa cultural. É um investimento na coesão da sociedade. Quando os acontecimentos, os lugares e os símbolos que marcaram o percurso de Portugal são compreendidos por um número crescente de pessoas, criam-se referências comuns que facilitam o diálogo entre gerações e comunidades. O património histórico deixa de ser apenas uma herança recebida e passa a ser também uma realidade conhecida, valorizada e transmitida por todos os que com ele contactam.
Enquanto associação dedicada à preservação da memória e dos valores militares, a Associação Veteranos Lanceiros de Portugal reconhece nesta missão uma responsabilidade própria. O patriotismo, o serviço e a transmissão do legado histórico são princípios que orientam a nossa ação e encontram expressão no Código de Honra dos Lanceiros:
«O Lanceiro cultiva a energia patriótica para a contínua redenção do Portugal Eterno.»
Este princípio traduz o compromisso de honrar a História nacional e transmitir às gerações futuras os valores que marcaram o nosso percurso coletivo. Tal compromisso implica preservar a identidade portuguesa, mas também saber dar a conhecer essa identidade a quem deseja compreender o País onde vive e trabalha.
As comemorações de 2028 devem, por isso, deixar um legado que perdure para além da data: maior conhecimento da Batalha de São Mamede, valorização do património de Guimarães e novas oportunidades de contacto com a História portuguesa. Para alcançar esse objetivo, é essencial que as iniciativas não se limitem às cerimónias oficiais, mas envolvam efetivamente a população, as escolas, as associações e todos os que escolheram Portugal como lugar de vida e de futuro.
Temos a garantia de que Guimarães saberá receber estas comemorações com a hospitalidade, a autenticidade e o orgulho que tão bem caracterizam os Vimaranenses. A capacidade e a experiência do Município na organização de grandes iniciativas, aliadas ao empenho das associações, instituições e demais entidades Vimaranenses, constituem uma sólida garantia de sucesso. A força desta mobilização coletiva permitirá acolher os visitantes, envolver a comunidade e afirmar Guimarães como o palco privilegiado de uma celebração que honra as raízes de Portugal e projeta a sua História para o futuro.
O Dia Um de Portugal deve ser uma porta aberta à descoberta da nossa História. Ao assinalarmos os 900 anos da Batalha de São Mamede, temos a oportunidade de transformar a memória de um acontecimento fundador num projeto de valorização cultural e de aproximação entre pessoas. Dar a conhecer Portugal a quem o escolheu para viver e trabalhar é reconhecer que a História nacional tem valor não apenas para quem nasceu neste território, mas também para quem nele constrói hoje a sua vida.
Que 2028 seja, assim, um convite a descobrir Guimarães, compreender as raízes de Portugal e participar na preservação do seu património. Porque uma História conhecida é uma História que pode ser valorizada, partilhada e transmitida. E dar a conhecer Portugal a quem o escolheu como casa é contribuir para uma sociedade mais consciente da sua identidade, mais próxima das suas comunidades e mais preparada para construir o futuro.
© 2026 Guimarães, agora!
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