Filipa Leite
Advogada. Vimaranense born and raised. "Deixar o mundo melhor que o encontramos" é o seu modelo de vida. Uma boa conversa, um bom livro e um passeio ao ar livre são a sua terapia. Participar ativamente na sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento é um dever.

Voto útil

No próximo domingo os portugueses irão escolher a composição da Assembleia da República, vão eleger os 230 deputados que compõem a Assembleia da República e não eleger diretamente o Governo!

Em bom rigor, o partido político que elege mais deputados, deve governar, apesar de na nossa história recente, esse critério até então rígido, tivesse sido colocado de parte, já que em 2015 o partido que elegeu mais deputados (PSD – 102 deputados) não governou, sendo indigitado como primeiro-ministro o cabeça de lista do segundo partido mais votado (PS – 86 deputados) que formou a famosa “geringonça” obtendo a maioria parlamentar com os 19 deputados do BE e os 17 do PCP.

Isso em 2015, pelo que espero que os portugueses e o Presidente da República jamais permitam que tal se volte a repetir.

Por agora, e como estamos na recta final da campanha eleitoral, todos os dias somos abordados com os vários líderes políticos a apelar ao chamado voto útil, o que pode levar os mais distraídos a pensar: “se todos devemos ir votar é porque todos os votos são úteis, não?!” Pois, não é bem assim…

Se tivermos em conta a abstenção das últimas legislativas só metade desses eleitores irão às urnas.

Tomemos como exemplo o nosso círculo eleitoral de Braga, que no conjunto dos seus 14 municípios, têm 776 638 eleitores e elege 19 deputados. Se tivermos em conta a abstenção das últimas legislativas (esperemos que não) só metade desses eleitores irão às urnas, pelo que, por mero cálculo aritmético se constata que cada deputado precisa de mais de 20 mil votos para ser eleito.

Ora, por aqui facilmente se entende que, ir às urnas no círculo eleitoral de Braga para votar num partido sem expressão parlamentar ou num qualquer outro partido que não consiga, no total do distrito, mais de 20 mil votos, significa que esse foi um voto inútil, para o lixo, pois não contribui em nada para a composição da Assembleia da República nem para a formação de um futuro Governo.

Não sou em quem o diz, é o que está previsto na Lei Eleitoral da Assembleia da República, onde se estipulam os círculos eleitorais e a respetiva distribuição dos deputados, em função do número de eleitores.

Explicado que está o voto útil, esse não é diretamente proporcional à utilidade do partido em que se vota, na medida em que, todos os partidos falam em voto útil, mas temos três partidos que suportam o atual governo, cuja sua utilidade é no mínimo questionável, pois nos últimos seis anos de governação apenas permitiram que Portugal se fixasse na cauda da Europa no que aos principais indicadores europeus diz respeito, tendo sido ultrapassado por países muito mais pequenos e menos desenvolvidos que o nosso, como os países da antiga União Soviética – pensemos nos Romenos que todos nós, durante anos, vimos a mendigar nas nossas ruas, foram-se todos embora, e a continuar neste ritmo ainda seremos nós a mendigar à Roménia – isso sem falar do aumento da carga fiscal e do endividamento público dos últimos anos.

No próximo domingo dia 30, votemos, com votos úteis em partidos úteis que tragam novos e melhores horizontes para Portugal!

© 2022 Guimarães, agora!


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