Paulo César Gonçalves
Nasceu em Guimarães, voltado para o Castelo da Fundação, e, até ver, está vivo.

EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU, EU (…)

Há poucas coisas piores do que lidar com pessoas narcisistas. Falecer é pior. Calcar cocó não. A marca e o cheiro a cocó são efémeros. O trilho de um narcisista na nossa vida é para sempre.

A realidade é completamente deformada e distorcida: quem tem a desventura de cair nas mãos de uma dessas criaturas pode ter a certeza de que será repetidamente violado, manipulado, enganado, ridicularizado, rebaixado (para se enaltecer e agigantar) e, inclusive, levado a acreditar que imagina coisas.

Ou que dramatiza. A violência psicológica por narcisistas é um galopante abuso verbal e emocional, projecção tóxica, sabotagem, difamação, coerção e controlo. Uma pessoa narcisista explora a outra de modo a atender às suas próprias necessidades.

A pessoa que julgava conhecer não existe. Ou existe a pequenos espaços, entre os soluços das desculpas (muito) convenientes.

A identidade do ser manipulado foi corrompida e diminuída. Primeiro, há uma idealização. É preciso ressalvar que a pessoa narcisista tende a não saber estar sozinha, por não suportar a sua própria presença, sozinha, com os seus pensamentos. É uma pinga-amor do caraças, é o que é. Ou não. A sua energia é pesada, e a sua pose é, não raras vezes, sexualizada.

Depois da fase do love-bomb, há o cair da máscara. Não é bonito. Constantemente desvalorizada, descartada várias vezes, para depois ser novamente ‘aspirada’ e atraída, num jogo extenuante e bipolar, volta a um ciclo de abuso que parece não ter escapatória.

A tortura redobra: perseguição, chantagem e intimidação. Ameaças.

Não é raro a vítima não perceber a bolha em que (sobre)vive. A tortura redobra: perseguição, chantagem e intimidação. Ameaças.

A pessoa narcisista é um poço sem fundo, em vários sentidos: inesgotavelmente à procura de aceitação, de elogios, de uma imagem para vender ao mundo, de dinheiro e de quem possa cumprir os seus caprichos, sem se importar com o lastro de destruição que semeia e com as pontas soltas que arrasta. A pessoa narcisista gosta de se sentar no sofá alheio. Ou na casa.

Para uma pessoa com transtorno do Narciso, um “não” é uma afronta, e um rompimento não existe se não partir de si. E se assim não for, a factura virá mais à frente. A pessoa narcisista tratará de arranjar a capa da vítima, imputando culpas, habitualmente imaginadas, à pessoa que agrediu, vilipendiou, enganou e até roubou.

O abuso narcisista é bem pior que merda.

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