Miguel Leite
Natural de Guimarães, Fisioterapeuta Licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

As lágrimas de quem sorri

No percurso como profissional de saúde na área da Fisioterapia, tenho tido a possibilidade de conhecer as mais diversas e variadas histórias de um cem número de pessoas, que numa fase inicial são meros desconhecidos e acabam por se tornar parte integrante do meu trajeto de vida.

É habitual termos no acompanhamento dos pacientes, alguém que é o “suporte” daquela vida naquele momento e em muitos outros do seu dia a dia, e nem sempre são necessariamente familiares diretos. Essas “paredes de betão armado” dedicam a sua vida a cuidar na íntegra de um filho, de um pai, de uma mãe, de um irmão, de um amigo ou outro qualquer grau de parentesco, prescindindo do seu próprio mundo em prol de um amor maior.

É verdade que existe uma definição atribuída a essas pessoas, os conhecidos cuidadores informais (Lei nº 100/2019 – Diário da República nº 171/2019, Série I de 2019-09-06), no entanto, e na prática a burocracia inerente a todo este processo deveria ser bem mais simplificada de forma a facilitar os direitos que tanto os cuidadores como as pessoas cuidadas são justamente merecedores.

Segundo referência do Sistema Nacional de Saúde estima-se que existam entre 230 mil a 240 mil pessoas cuidadas em situação de dependência, porém arrisco a dizer que devam haver mais algumas centenas e que por motivos de ausência de informação ou até mesmo por um trajeto burocrático complexo acabem por desistir de conseguir os seus direitos.

Não sendo objetivo meu politizar este tema, o que é certo é que tenho dificuldade em perceber, o facto de o apoio atribuído ao cuidador informal (subsídio de apoio), em que o mesmo têm que estar de forma quase que sistemática a fazer prova das suas funções (requerimento junto dos serviços da segurança social), principalmente quando a pessoa cuidada apresenta um diagnóstico médico de uma patologia crónica permanente.

O procedimento deveria estar fracionado naquilo que são os cuidadores temporários (patologias com uma recuperação relativamente curta – alguns meses) e os cuidadores que considero permanentes (patologias com quadro permanente e irreversível – meses a anos). Em muitas das situações o cuidador não recebe nenhum valor do seu contexto profissional, sendo que o subsídio é muitas vezes a única forma de rendimento, sendo este muito diminuto para fazer frente a todas as despesas constituintes de todo este “caminho turbulento”.

Será que alguém já refletiu que o cuidador também é um ser humano e não um robot?

Será que existe real conhecimento do que são os gastos mensais de um doente totalmente dependente (entre alimentação, cuidados de higiene, realização de várias terapias, ajudas técnicas, medicação, realização de consultas e exames entre outros)? Será que alguém já refletiu que o cuidador também é um ser humano e não um robot?

É necessário simplificar o processo, especificar cada caso e dar a devida importância e relevo a cada situação de forma diferenciada.

Nunca menosprezar o doente pois será sempre a nossa prioridade, mas também não permitir a exaustão de quem trata, cuida e dedica tudo a quem precisa. Se não ouvirmos a voz do cuidador jamais seremos capazes de tratar bem o nosso doente.

O cuidador também tem que ter momentos para se sentir vivo, para poder expressar as suas emoções, para poder usufruir da sua passagem por esta vida com igual dignidade comparativamente aquela que dedica aquela pessoa que se encontra sob os seus cuidados.

É igualmente primordial cuidar de quem cuida.

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