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Domingo, Abril 6, 2025

Ursula von der Leyen: considera tarifas de Trump um “golpe na economia mundial”

Economia

A presidente da Comissão Europeia, reagiu, esta manhã, ao anúncio da imposição de tarifas por parte dos USA à generalidade dos países com quem tem relações comerciais.

“O anúncio do presidente Trump de tarifas aduaneiras universais sobre o mundo inteiro e sobre a União Europeia, é um golpe duro para a economia mundial” – declarou.

Lamentando profundamente esta escolha, Ursula von der Leyen sustentou: “sejamos lúcidos sobre as imensas consequências”. E não deixou dúvidas de que “a economia mundial vai sofrer massivamente” ao mesmo tempo que reconhece que “a incerteza vai subir em flecha e desencadear um novo protecionismo”.

Admite que “as consequências serão desastrosas para milhões de pessoas em todo o mundo” com particular incidência “nos países mais vulneráveis, que estão hoje submetidos aos direitos aduaneiros americanos que são os mais elevados”.

“Os medicamentos serão mais caros, tal como os transportes.”

Ursula von der Leyen diz que “é tudo ao contrário do que queremos obter”, considerando que as tarifas de Donald Trump “vão prejudicar igualmente os consumidores do mundo inteiro”. E como o efeito tarifa “se fará sentir imediatamente” sobre “milhões de cidadãos que sentirão custos mais elevados para a sua alimentação” e que “os medicamentos serão mais caros, tal como os transportes”, admite que “a inflação aumentará”.

Num cenário em que “serão os cidadãos que mais sofrerão”, a presidente também vê dificuldades “para as grandes e pequenas empresas que sofrerão desde o primeiro dia”.

Alerta que “devido ao aumento da incerteza, à interrupção das cadeias de abastecimento e à complexidade da burocracia”, levará ao “aumento considerável do custo das relações comerciais com os Estados Unidos”. Além disso, “não parece haver qualquer ordem na desordem”, nem “um caminho claro através da complexidade e do caos que é criado em todos os parceiros”.

Recorda que “nos últimos oitenta anos, o comércio entre a Europa e os Estados Unidos criou milhões de empregos, os consumidores de ambos os lados do Atlântico beneficiaram de preços reduzidos, as empresas beneficiaram de oportunidades consideráveis, o que levou a um crescimento sem precedentes”.

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Reconhecendo que “o sistema comercial global apresenta falhas graves” disse concordar com Trump sabendo que “outros estão a tirar vantagens injustas das regras actuais”. Mas está pronta “a apoiar todos os esforços para adaptar o sistema comercial global às realidades da economia global”.

Porém, entende que “utilizar os direitos aduaneiros como alfa e ómega não resolverá o problema”, facto que leva “a que, desde o início, estivemos sempre dispostos a negociar com os Estados Unidos, a fim de eliminar os restantes obstáculos ao comércio transatlântico”. Avisa, porém, que “ao mesmo tempo, estamos prontos para responder”, informando que “estamos a finalizar um primeiro pacote de contra-medidas em resposta aos direitos aduaneiros sobre o aço”, preparando outras contra-medidas para “proteger os nossos interesses e as nossas empresas se as negociações falharem”.

Recusa aceitar o dumping sobre o mercado europeu que as tarifas pode causar. Mas “como europeus, promoveremos e defenderemos sempre os nossos interesses e valores. E defenderemos sempre a Europa” – destacou. Mostra outro caminho, pois, ainda “não é tarde para abordar as preocupações através de negociações”, trabalhando para “reduzir barreiras e não para aumentá-las”. Desafia Trump a que “passemos do confronto à negociação”.

“A Europa tem tudo o que necessita para enfrentar esta tempestade.”

Dirigindo-se directamente aos europeus, Ursula von der Leyen compreende a decepção de muitos “com o nosso aliado mais antigo”. Mas isso não nos impede de “nos preparar para o impacto que isso inevitavelmente terá”. Lembra que “a Europa tem tudo o que necessita para enfrentar esta tempestade. Estamos unidos”. E “a nossa unidade é nossa força”.

Realça que “a Europa tem o maior mercado único do mundo, 450 milhões de consumidores”, uma realidade a não menosprezar, sendo “o nosso refúgio de paz nestes tempos tumultuados”.

Garantiu que “a Europa apoiará as pessoas directamente afectadas”, evidenciando “as medidas para apoiar o sector siderúrgico e o automóvel”, com a imposição das quantidades de aço que podem ser importadas sem direitos aduaneiros. “Organizaremos agora diálogos estratégicos com os sectores siderúrgicos, produtos automotivos e farmacêuticos e outros seguirão” – referiu.

Concluiu, afirmando que “a Europa está ao lado das nossas empresas, dos nossos trabalhadores e de todos os europeus. E continuaremos a aproximar-nos de todos aqueles que, como nós, estão ligados a um negócio justo e baseado em regras, a base da prosperidade partilhada”.

Foto © Dati Bendo

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