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Quinta-feira, Fevereiro 27, 2025

AEG: ‘Futuro Económico de Portugal’ em debate no aniversário da associação

Economia

A Associação Empresarial de Guimarães, comemorou o seu 9º aniversário da melhor maneira: promoveu um seminário sobre o ‘Futuro Económico de Portugal – Desafios para 2025’, onde se colocaram questões práticas (e não teóricas) da actualidade que afectam as empresas e o país económico.

Fernando Medina, ex-Ministro das Finanças, do Governo de António Costa, liberto da sua disciplina partidária, disse coisas interessantes: a primeira é a de que a “máquina do Estado não estava apta a lidar com o PRR” e as suas teias burocráticas, numa ocasião de “sobreposição de verbas” com os PT2020/30.

Esta “oportunidade extraordinária” de recursos, no fim do processo da globalização, apesar de “a Europa já não confiar na aliança atlântica”, serviu de alerta para as oportunidades que vão surgir no sector da Defesa.

Acredita que “o relatório Draghi vai ser aplicado à risca” – o que pode tornar “as empresas mais competitivas e mais autónomas”, num país que, na pandemia, nem sequer “produzia ventiladores”.

“A Europa exporta massivamente recursos financeiros em tecnologia para os USA.”

Já num contexto das relações USA/UE, o ex-Ministro reconheceu que “estamos a viver uma nova revolução tecnológica” e que “a Europa exporta massivamente recursos financeiros em tecnologia para os USA”.

Os recursos disponíveis são uma oportunidade a não desperdiçar. © Direitos Reservados

Neste abordar da economia com os desafios para o ano em curso, Carlos Cardoso (CIP) acredita nos “portugueses que em momentos mais difíceis descobrem novo ânimo para se reinventar”, apesar de o fazerem sempre “em situações limite”. Lembrou, por isso, e nesses casos, o que se passou com a covid-19, do qual todos tiramos “uma lição fantástica”.

Colocou a competitividade das empresas nos desafios para 2025, pois, por “factores internos e externos”, não temos “capacidade para reter talentos”, lembrando que é normal que “quando os quadros são bons”, à primeira oportunidade, esses trabalhadores “mudem de camisola”. Mas isso, não pode inibir as empresas de “continuar a apostar na formação”, que é isso que “as empresas exigem”, tal como “capacidade de financiamento” necessário à sua modernização.

Soltou a evidência que há muito se propala na opinião pública, a propósito do financiamento bancário: “em Portugal mais depressa se convence um banco para a compra de uma casa ou de um carro do que para apoiar um projecto industrial”. Num momento em que se pode dizer que o país “nunca teve uma oportunidade tão grande de entrada de capitais que não sabemos aplicar”. E mesmo que os projectos sejam aprovados, duvida de que “ainda estejamos a tempo de os concretizar”.

Da burocracia, que começa “nas Juntas de Freguesia, segue para as Câmaras” e vai por aí acima, Carlos Cardoso, disse conhecer “projectos que demoraram 10 anos a aprovar”, dando o exemplo de um parque eólico: justificando a necessidade de um “Simplex para as empresas”, reconhecendo que “os licenciamentos industriais são um martírio complicado”

“Tem de haver vontade política” – clamando por um processo mais expedito de licenciamento para as indústrias, quando a UE quer acelerar a sua reindustrialização.

Defendeu que para produzir custos mais baixos para dar oportunidade ao investimento não se pode diabolizar as empresas com burocracias esquisitas.

Apesar de reconhecer que o sector bancário “está solvente e sólido”, lamenta que a banca não tenha “uma postura pró-industrial”, esperando que “da refundação do Banco de Fomento a viver um agora é que vai ser”, lembrando, contudo, que “o passado não nos diz nada de bom sobre expectativas que possamos ter”. Acusou, nesse tempo, o Banco de Fomento “já tinha capital para aplicar nas empresas mas tinha-o em contas a prazo noutros bancos”

Miguel Pinto, lembrou as dificuldades que a Continental (onde é director-geral) teve em fazer um investimento de 10 milhões em Vila Real e das dificuldades encontradas para convencer a AICEP a assinar um contrato para a reindustrialização… A razão foi a de que o “investimento não é estruturante” disse-o, “não é estruturante para Lisboa mas para Vila Real, Porto ou Bragança é” – retorquiu. O director geral da empresa de Famalicão, lamentou que “as instituições/entidades da administração pública existem para servir o cidadão e não o contrário!”

Este lamento foi profundo porque “o país precisa de criar riqueza e são as empresas que o criam…”

“É a requalificação dos recursos humanos que está a ter mais efeitos nas empresas.”

Já sobre reformas – fiscais e da justiça – a pergunta foi: estarão atrasadas? Fernando Medina considerou que em qualquer debate “falamos mais do Estado… do que das empresas” quando “estamos a ver outra realidade”, enquadrando o assunto nas conversas dos empresários com os governantes. “Há 20 anos – disse – a formação não era tema, precisávamos de mais parques industriais e mais estradas, impostos mais baixos”. E, hoje, “é a requalificação dos recursos humanos que está a ter mais efeitos nas empresas”.

Recuando a 1974, Medina lembrou que “tínhamos dois terços da população analfabeta”, quando outros países já tinham acabado com isso.

Definindo produtividade como “aquilo que o trabalhador produz” reconheceu que Portugal “está a dar saltos na requalificação dos recursos humanos”, esforço que “não podemos abrandar”, aproveitando “todas as oportunidades para os que se qualificam”. Informou que “metade da minha geração não tem o 9º ano”, um paradoxo face ao que tem sido feito ao nível da educação.

Admitiu até que “há uma percentagem grande dos alunos que acabam o secundário e vão para o ensino superior… melhor do que na RFA”.

Também a emigração surgiu neste debate por ocupar, hoje, inúmeros postos de trabalho na restauração, mão-de-obra que é necessária apesar de ter de ser qualificada. Pediu um ajuste, de modo a compatibilizar as necessidades da economia com a entrada de emigrantes.

Presidente da Câmara elogiou o eco-sistema educativo de Guimarães. © Direitos Reservados

O presidente da Câmara encerrou o debate com uma intervenção considerando que “a sociedade devia debater mais a economia”, mesmo por “uma questão de cidadania”.

Acentuou que Guimarães “tem um eco-sistema educativo bom… desde a rede de creches até ao ensino superior”, facto que fortalece as condições de contexto que envolvem o entorno económico e favorece a atracção do investimento. 

Domingos Bragança recordou que a Ciência foi a área onde houve mais aplicação de fundos europeus, de que a ligação à estação de alta-velocidade é fundamental. “Ou estamos nas oportunidades ou perdemo-las…” – salientou. 

Reconheceu que “a simplificação se impõe num contexto tão burocrático” dando como exemplo o extenso rol de entidades que a Câmara tem de consultar para qualquer licenciamento. Justifica que “para defender o Estado Social (dependente da criação de riqueza) é importante avançar com a simplificação burocrática”.

Numa altura “de enormes riscos e enormes oportunidades”, os Municípios poderão ver afectadas verbas do Fundo de Coesão serem alocadas à segurança e defesa da Europa, num esforço de reforço da sua autonomia e soberania.

Crê que a aposta europeia na defesa e segurança vai gerar oportunidades para o sector têxtil, obrigando as universidades a fazerem mais investigação aplicada. Portugal está bem colocado porque deu “o maior salto na qualificação dos recursos humanos”.

© 2025 Guimarães, agora!


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