Fazer Presente: teatro ajuda inclusão pela arte

A ADCL vai implementar um projecto de teatro participativo com o apoio das fundações Gulbenkian e “la Caixa”.


Este é um projecto de sociedade que tem como objectivo promover o envelhecimento sustentado da população sénior das comissões sociais inter-freguesias do Sudoeste da Montanha da Penha e de Sul Nascente, territórios situados em extremos geográficos opostos no concelho de Guimarães.

Em 2013, após uma auscultação à população do vale de S. Torcato, com vista à apresentação de um projecto ao orçamento participativo de Guimarães identificaram-se duas áreas de intervenção. Uma franja da população queria aprender teatro. A outra estava preocupada com o isolamento dos idosos. A solução foi unir as pretensões. E o resultado não podia ser melhor: combater o isolamento dos idosos através da arte permitindo a um grupo de voluntários desenvolver a veia artística tendo como público alvo os seniores do vale de S. Torcato. E se os espectáculos fossem concebidos inspirados na memória, nas vivências dos seus receptores e nos mitos locais? Tanto melhor. Estavam reunidos os condimentos para uma receita perfeita. O projecto “Então vamos!” já leva sete anos e uma evolução sustentada que já virou até uma rádio novela disponível em podcast.

Entretanto, e conhecendo o programa da Fundação Gulbenkian destinado a promover a inclusão através da arte, a ADCL acolheu uma reformulação do “Então vamos!” envolvendo estudantes da licenciatura de teatro da UMinho assim como o Município de Guimarães, diversas juntas de freguesia, A Oficina, a Rádio Universitária do Minho, entre várias outras entidades. Assim nasce o Fazer Presente.

O objectivo mantém-se: combater o isolamento através do teatro promovendo um envelhecimento mais integrado e sustentado tornando-o ainda mais abrangente.

Com duração de 36 meses e apoio da Reitoria da UMinho, o “Fazer Presente” irá juntar 85 ex-estudantes a mais de 40 seniores idosos (além de mais 180 como participantes indirectos). Estes estarão divididos em dois grupos de teatro sénior situados nas comissões sociais inter-freguesias onde o projecto se desenvolve.

Tiago Porteiro, professor da unidade curricular “Teatro e Comunidades”, assume elevadas expectativas, até porque o encontro promovido no último ano entre alunos e seniores revelou-se “rico e impactante”, motivando-o a lançar novos desafios aos estudantes para criar protocolos e modos de aproximação desafiantes para os dois grupos.

O Fazer Presente encerra ainda uma forte componente de investigação assegurada pelo Núcleo de Investigação em Estudos Performativos, que está integrado no Grupo de Investigação em Estudos Artísticos do Centro de Estudos Humanísticos da UMinho.

Além de documentar e criar vários outputs do projecto (livros, manuais de trabalho, artigos científicos), este núcleo colaborará na realização da conferência sobre artes e inclusão social para integrar o seminário final, uma mostra artística com a apresentação dos trabalhos realizados. Manuela Ferreira será a responsável pela área artística e a ex-aluna Gabriela Nunes será responsável pela área social.

O projecto foi reconhecido no mês de Janeiro, pouco antes de Portugal entrar novamente em confinamento geral o que não permite ao Fazer Presente estar, efectivamente, presente. Gabriela Nunes, assume que actualmente o grupo de trabalho tem reunido online e que no imediato foi possível já fazer o levantamento e contacto dos intervenientes. A curto prazo pensam, eventualmente, arrancar noutro formato compatível com o Estado de Emergência que vigora.

O projecto “Fazer Presente” distinguido como dos “melhores e mais inovadores projectos de inclusão social pela prática artística” pela Fundação Calouste Gulbenkian termina em Dezembro de 2023. Até lá, pretende-se eliminar o fosso existentes entre os jovens e os idosos.

Telefonemas para partilha de afectos

Cochichos é a primeira acção do Fazer Presente

Manuela Ferreira é a directora artística do projecto, envolvida no “Então Vamos!” desde 2014. Na nova fase, segundo a responsável, “impõe-se o desejo de expandir e disseminar para outros territórios do concelho o conhecimento e experiência adquiridos e ao mesmo tempo perspectivar novos desafios”. Em termos práticos, a proposta passa por “trabalhar com dois grupos de seniores de dois territórios situados em extremos geográficos opostos que se juntam alunos e ex-alunos do Curso de Teatro da Universidade do Minho. Neste diálogo intergeracional, pretende-se fomentar uma mudança integradora e positiva na percepção sobre o envelhecimento, a partir das ferramentas do teatro, colocando jovens e seniores em dinâmica partilha de diferentes olhares transformadores sobre o mundo e o quotidiano. Proporcionando a emergência de imaginários criativos onde mudanças positivas no presente sejam equacionadas”, desenvolve.

Neste arranque do projecto, contam com seis ex-alunos da Licenciatura em Teatro da UM, com a coordenação pedagógica de Tiago Porteiro em parceria com a coordenação artística de Manuela Ferreira que desvendou ao Guimarães, agora! a primeira acção do projecto que tem o nome de Cochichos, “neste momento e perante os condicionalismos impostos pela pandemia, em que estamos privados de um contacto presencial nasce esta primeira acção que são conversas telefónicas em que seniores e jovens partilham experiências, conhecimento e afectos”. E continua, “estas conversas, ao mesmo tempo que pretendem promover relações de confiança pela partilha de singularidades, interesses, ambições, memórias e histórias entre as duas gerações, procuram também experimentar novos formatos performativos, através da exploração das ferramentas da prática teatral, adaptando-a e expandindo-a para este contexto de comunicação específico”.

© 2021 Guimarães, agora!


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