O presidente da Câmara, Ricardo Araújo, defendeu no ‘Planetiers World Gathering’, que “a transição verde não é, para nós, uma ideia abstracta”. E justificou que se trata de “uma questão que afecta o futuro de milhares de empregos”, acentuando a ideia de que “a sustentabilidade não é o oposto do crescimento económico”, antes a condição que o torna possível.
Perante uma plateia de representantes dos Emirados Árabes Unidos, Brasil e alguns países europeus – parceiros envolvidos no ‘Planetiers World Gathering’, Ricardo Araújo forneceu um retrato de Guimarães, do seu tecido empresarial e da Capital Verde Europeia. E do que espera no futuro.
“Os sectores têxtil, calçado, cutelaria e metalurgia contribuem para a prosperidade deste vale há mais de um século.”
“Com confiança” explicou que, na cidade industrial que Guimarães é “quatro em cada 10 pessoas que trabalham aqui estão empregados na indústria, quase três da média nacional”. O que significa que “os sectores têxtil, calçado, cutelaria e metalurgia contribuem para a prosperidade deste vale há mais de um século”, uma face da mesma moeda, uma vez que, também, “deixaram a sua marca nos nossos rios e na nossa paisagem”.
Defendeu que “o crescimento só é sustentável quando os seus benefícios chegam às pessoas e as comunidades estão envolvidas”, um dos sinais que envolvem o contexto em que opera o sector industrial vimaranense no mundo da internacionalização e exportação.
Lembrando que “os mercados estão mudando” e que as empresas estão sujeitas a padrões de “transparência e responsabilidade mais exigentes”, plasmados em regulamentações europeias, o que alarga ao sector têxtil, por exemplo, o “modelo de responsabilidade estendida ao produtor”, tornando “a sustentabilidade numa condição de acesso ao mercado”.
Num exemplo de circularidade aplicada a um território, “não apenas como imperativo ambiental mas como prática empresarial sensata”, o presidente da Câmara, falou da “eficiência que impulsiona a competitividade”.

“Cada unidade de energia economizada, cada quilograma de material recuperado e cada litro de água reutilizado, reduzem custos para as empresas”, factores que “as tornam menos vulneráveis às flutuações dos preços, nas suas operações” – concretizou.
Reconhecendo que “o valor está a ser criado” nos produtos fabricados em novas actividades, recordou que “as nossas empresas têxteis estão evoluindo em direcção a têxteis técnicos e materiais avançados”, por via das “oportunidades que a engenharia de precisão encontra em componentes para a mobilidade”. E até da automação e da inteligência artificial aplicada na produção.
A transformação que a antiga Fábrica do Alto está a sofrer, evoluindo para a primeira unidade fabril de satélites, foi o exemplo escolhido por Ricardo Araújo para evidenciar que “não abandonamos o nosso património industrial, estamos reiventando-o para o futuro”.
“Guimarães construiu um eco-sistema de conhecimento mais robusto do país.”
Deu conta, ainda, neste retrato de cidade industrial e da manufactura, que “Guimarães construiu um eco-sistema de conhecimento mais robusto do país”. Porém, o que daí resulta é que “o rendimento permanece abaixo da média nacional” sem influenciar a melhoria da vida das pessoas.
Agora, o foco é apostar na transferência e criação de conhecimento para novos sectores económicos, empregos mais qualificados e carreiras com melhor remuneração. “Uma transição que deixa os salários de lado não se sustentará, pois, perderá o apoio justamente das pessoas a quem deveria servir” – defendeu.
São estas novidades que pairam sobre o futuro industrial de Guimarães, “o argumento económico a favor da sustentabilidade”, que não é “uma visão de um futuro distante mas uma realidade que se concretiza nas nossas fábricas, hoje”.
Revela, igualmente, que nada disto acontece por conta própria, e que as empresas e precisam de conhecimento em que possam confiar, de financiamento que esteja alinhado com a natureza de longo prazo dos seus investimentos e dos parceiros que possam abrir as portas de novos mercados.
“A grandeza da nossa história não nos permite ser complacentes com o passado: ela exige ambição e a responsabilidade de nos desafiarmos na construção do futuro.”
“Estas são, exactamente, as três coisas que este encontro reúne” – constatou. Reforçou que “a grandeza da nossa história não nos permite ser complacentes com o passado: ela exige ambição e a responsabilidade de nos desafiarmos na construção do futuro”.
Num ‘Planetiers World Gathering’ em que o país convidado era os Emirados Árabes Unidos, que marcou presença pelo Embaixador em Portugal, Ahmed Al Mahmoud acompanhado de responsáveis do Ministério da Economia e Turismo, o presidente da Câmara pediu-lhe que “não deixe que estes três terminem quando sair desta sala”, convidando-o a que “visite as nossas empresas, interaja com a nossa universidade e utilize a cidade como espaço para testar e desenvolver as suas soluções”. Um convite extensível a outros participantes, pois, “estaremos aqui, prontos a trabalhar a seu lado”.
E defendeu até que “o papel do Município não é substituir empresas ou investidores” mas sim “criar condições adequadas e estabelecer conexões”.
Mais concretamente referiu: “Reunimos o conhecimento gerado por nossas universidades e as empresas são capazes de transformar esse conhecimento em produtos”; e isso significa “disponibilizar terrenos e infra-estruturas para aqueles que desejem investir, garantir uma administração pública eficiente, previsível e ágil”, revelando que a criação de uma Agência de Desenvolvimento Económico para Guimarães está a ser preparada.
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