O jogo com o Club Sport Marítimo não é por tradição dos mais fáceis que se realizam em Guimarães. Porém, cada jogo é um jogo e, na actual situação, o Vitória tem de mostrar a si mesmo que quer inverter o rumo do campeonato.
E se o apoio dos sócios é inequívoco – não é preciso regateá-lo sequer – o que se passa no relvado tem mais a ver com a equipa e com o treinador do que com os adeptos.
Na antevisão do jogo realizada esta manhã, Tiago Margarido abriu as portas a algumas alterações no onze por razões diversas. E mostrou a sua “receita” para vencer o jogo: “Passa muito por jogarmos o nosso futebol”. E acrescenta “temos de ser fortes, jogar ofensivamente, com os laterais a criar desequilíbrios” perante um Marítimo que tem alguns atributos. “É uma equipa organizada, com experiência, uma equipa pesada porque tem jogadores que sabem ler muito bem os momentos do jogo”.
“Percebem que precisamos muito deles e que vão criar um ambiente infernal para o nosso adversário.”
Lançadas as bases da táctica em campo, conhecida a fortaleza da equipa da Madeira, Tiago Margarido junta o apoio dos adeptos. “Percebem que precisamos muito deles e que vão criar um ambiente infernal para o nosso adversário” – declara o técnico vitoriano.
Com Thiago Balieiro em dúvida, um central que é referência da equipa, o treinador conta com ele até à hora do jogo. Já é certo que Francisco Dias vai ficar de fora por tempo considerável.

Tiago Margarido recorda os três jogos anteriores, da seguinte forma: “Com o Moreirense não tivemos a competência suficiente que temos de ter” e com o Benfica… “é um jogo com características muito particulares”. Já com o ACDR Lamelas também, porque “é um jogo da Taça, que foi jogado num relevado sintético, com uma série de circunstâncias a que nós não estamos tão habituados”. Daí as mudanças na equipa.
Acredita que com o Marítimo “vamos voltar aos índices exibicionais que mostramos com o Casa Pia, com o Nacional e até com o próprio Arouca”. Ou seja, tem fé que “a equipa volte ao normal das suas exibições, ganhando o jogo”.
A entrega da baliza a Lucas Furtado “é uma possibilidade” evidenciado a rotação do plantel em várias posições e na de guarda-redes “também é possível que aconteça”.
A velha questão da “pressão” um conceito do futebol, nem sempre bem explicado, foi colocada ao treinador que respondeu com uma certeza: “Entramos em todos os jogos para ganhar”, algo que “nós lidamos com naturalidade”. Agora, Tiago Margarido declara a vontade de ganhar porque “precisamos dos três pontos”. E apesar disso, sente “a equipa tranquila e confiante”.
“Uma cultura instalada em Portugal em que os treinadores são sempre responsáveis por aquilo que é o sucesso ou o insucesso dos projectos.”
Sobre o que está por detrás de mudanças tácticas que as equipas vão apresentando, o treinador falou de “uma cultura instalada em Portugal em que os treinadores são sempre responsáveis por aquilo que é o sucesso ou o insucesso dos projectos”. O que não é verdade, refuta, pois, essa uniformização não pode omitir outra evidência, a de que há mais gente envolvida neste processo.
Admitiu que não é benéfico para o futebol que o treinador seja “o saco de pancada”, uma imagem que tem de ser desmistificada. “Nem sempre a culpa é dos treinadores quando as coisas não correm tão bem” – concluiu.
Foto © Vitória SC
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