António Miguel Cardoso já não é presidente do Vitória Sport Clube desde o dia 19 de Junho quando tomou posse a direcção eleita na sequência das eleições; mas ainda é presidente da Vitória SAD até Quinta-feira.
Por isso, aproveitou o momento propício para se despedir, ontem, Segunda-feira, dia 22, através de uma mensagem de 673 palavras, colocada no site do clube.
É o fim de “um ciclo de quatro anos e meio de enorme exigência, dedicação e compromisso com o Vitória Sport Clube”. E “o momento propício para me despedir e fazer um balanço da minha presidência, dirigindo-me especialmente a todos os associados”.
Recordando que “assumi funções num contexto difícil, com um passivo elevado, sem direitos televisivos e com desafios estruturais profundos”. Mas sai “com a convicção de que deixámos o clube mais forte, mais valorizado e mais preparado para o futuro”.
Dá conta de que, “sob a minha direcção”, o Vitória:
- “Alcançou os melhores resultados desportivos de sempre e um acumulado positivo dos resultados financeiros da SAD (não entrando nesta contabilidade as amortizações respeitantes a um negócio fechado com o FC Porto pela anterior administração).
“O clube concretizou três apuramentos europeus consecutivos, o recorde de nove vitórias seguidas numa prova da UEFA e uma verdadeira aposta na formação.”
- Entre outras marcas, o clube concretizou três apuramentos europeus consecutivos, o recorde de nove vitórias seguidas numa prova da UEFA e uma verdadeira aposta na formação, sustentada por um modelo claro de crescimento e valorização dos nossos atletas.
- O segundo mandato foi curto, mas foi amplamente compensador pelas subidas de divisão da equipa B e da equipa sénior feminina e pela conquista da Taça da Liga.”
Sobre a entrada da V Sports diz:
- “Prometi independência e cumpri. Antes e depois da entrada da V Sports, nunca existiu qualquer pacto ou entendimento relativamente à gestão da política desportiva com investidores ou terceiros.
- Sempre acreditámos que a única forma de garantir a independência do Vitória era através de uma estratégia desportiva forte, sustentável, com o claro objectivo de semear para colher. Deixámos, por isso, um plantel competitivo, com activos valorizados e vendáveis.”
Elenca o que “semeou” e o que construiu:
- “Semeámos muito ao longo destes anos. Alguns frutos chegaram rapidamente, outros precisarão de mais tempo.
- Construímos um ginásio dotado das melhores condições para a formação, fomos em busca dos melhores especialistas para a academia, acertámos renovações com jovens atletas de enorme potencial desportivo e financeiro, pelo que nesta altura posso dizer com satisfação que existe um verdadeiro elevador entre a formação e a equipa principal. O recorde de chamadas às selecções jovens demonstrou bem a qualidade do trabalho desenvolvido.”

Sobre o falhanço europeu desta época, justifica que:
- “Foram sucessivos erros de arbitragem a prejudicar a nossa equipa, tivemos de dar início a um novo ciclo desportivo que permitisse ao clube manter-se estável financeiramente.
- Para esta época, a estratégia passava por investir numa equipa muito mais jovem, o que permitiria pagar contas com as vendas de alguns desses activos, e essa aposta revestiu-se de sucesso do ponto de vista financeiro, para lá do facto de o clube ter conquistado o terceiro troféu nacional da sua história.”
Entende que “a rota que traçámos deixou o Vitória”:
- “Sempre a salvo de momentos de turbulência ou de acidentes irremediáveis e, para a próxima época, o caminho também já estava traçado: potenciar as sementes lançadas na equipa B e na formação, reforçar a estrutura com qualidade e consolidar definitivamente a independência financeira do clube, reduzindo a dependência de parceiros.
- Com o futuro está garantido, pelo número elevado de activos (atletas) valiosos que mantêm contrato com o clube, tais como Oumar Camara, Tony Strata, Matija Mitrovic, Alioune Ndoye, Thiago Balieiro e Beni Mukendi, todos contratados para a equipa A, Gonçalo Nogueira, Zeega, Rodrigo, Silva, Verdi, Francisco Silva e João Pedro Silva, provenientes da formação, e Ricardo Rocha (ex-Tirsense), Guilherme Cardoso (ex-Nogueirense), Francisco Dias (ex-Sintrense) e Hugo Nunes (ex-1.º Dezembro), estes recrutados para a equipa B, mas já enquadrados na formação principal.”
Agora, o Vitória precisa de:
- “Estabilidade, ambição e união, sendo recomendável que os sócios permitam que a nova direcção siga o seu caminho.”
E agradece, nestes quatro anos e meio, a:
- “Todos os sócios, adeptos, atletas, treinadores, funcionários e membros dos órgãos sociais que me acompanharam.
- Aos companheiros de direcção e amigos Nuno Leite e José Eduardo Viamonte por terem estado comigo desde o início até ao último dia da presidência.”
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