Em 2028, Portugal assinalará os 900 anos da Batalha de São Mamede, ocorrida a 24 de junho de 1128, um acontecimento decisivo na afirmação da vontade de autonomia política que esteve na origem da formação do nosso país. Para Guimarães, esta data representa muito mais do que uma evocação histórica: é uma oportunidade para reafirmar o seu lugar na História de Portugal e partilhar com todos os portugueses o orgulho nas suas raízes.
Em fevereiro de 2026, o Conselho de Ministros determinou a realização das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede e criou um Comissariado Nacional. Posteriormente, em julho, a Resolução do Conselho de Ministros n.º 149/2026 enquadrou as comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal, integrando São Mamede, Ourique e o Tratado de Zamora no processo histórico de formação e consolidação do país.
Este enquadramento nacional é importante e merece ser saudado. Contudo, importa assegurar que a dimensão abrangente destas comemorações não dilua o papel singular de Guimarães. Foi aqui, no Campo de São Mamede, que se travou a batalha determinante para o percurso que conduziria à afirmação de Portugal como nação independente. Guimarães tem, por isso, razões históricas e morais para ocupar o lugar central nas celebrações de 2028.
Uma decisão nacional que deve valorizar Guimarães
A participação do Governo é essencial para que esta efeméride alcance a dimensão nacional que merece. É importante que as comemorações envolvam todo o país, valorizem o nosso património e promovam o conhecimento da História junto das novas gerações. Mas essa visão nacional deve reconhecer, de forma clara e inequívoca, a importância de Guimarães no processo de formação de Portugal.
Não se trata de reivindicar exclusividade, nem de diminuir o contributo de outros lugares e acontecimentos históricos. Trata-se, antes, de reconhecer que há momentos e lugares que ocupam uma posição insubstituível na memória coletiva de um povo. São Mamede é esse momento, e Guimarães é o lugar que lhe dá corpo e significado.
Por isso, seria desejável que o Governo e as estruturas responsáveis pelas comemorações trabalhassem em estreita articulação com o Município de Guimarães, garantindo à cidade o papel de destaque na programação, na divulgação e na realização dos principais atos comemorativos.
O Município e os Vimaranenses saberão honrar esta data
Tenho confiança de que o Município de Guimarães está determinado e comprometido com esta celebração e saberá mobilizar a cidade para assinalar os 900 anos da Batalha de São Mamede com a dignidade, o entusiasmo e o sentido de responsabilidade que a ocasião exige.
Os Vimaranenses conhecem o valor da sua História e sabem que preservar a memória não significa ficar preso ao passado. Significa compreender o caminho percorrido, valorizar o presente e transmitir às gerações futuras o sentido de pertença a uma comunidade e a um país.
Estou convicto de que Guimarães saberá dar o seu melhor, envolvendo instituições, associações, escolas, agentes culturais, forças vivas da cidade e cidadãos. Esta deve ser uma celebração participada, aberta e mobilizadora, capaz de unir a comunidade em torno de uma causa que ultrapassa fronteiras locais.
Uma celebração que una Portugal
Os 900 anos da Fundação de Portugal devem constituir uma oportunidade para aproximar os portugueses da sua História e reforçar o sentimento de identidade nacional. São Mamede, Ourique e Zamora representam momentos distintos de um percurso histórico complexo, cuja compreensão exige rigor, equilíbrio e respeito pela memória coletiva.
“A construção de Portugal foi um processo desenvolvido ao longo do tempo, com contributos de diferentes pessoas, comunidades e territórios.”
Guimarães tem, neste contexto, uma responsabilidade especial: acolher o país e recordar a importância do acontecimento de 1128, sem esquecer que a construção de Portugal foi um processo desenvolvido ao longo do tempo, com contributos de diferentes pessoas, comunidades e territórios.
A melhor forma de honrar esta efeméride será promover uma celebração que conjugue o rigor histórico com a participação cívica, a cultura, a educação e a valorização do património. Uma celebração capaz de inspirar orgulho nacional e, simultaneamente, de projetar Guimarães como cidade de História, cultura e futuro.
Uma oportunidade para as novas gerações
Esta comemoração deve também ser pensada para os mais jovens. É fundamental que as novas gerações conheçam os acontecimentos que marcaram a formação de Portugal e compreendam o significado da Batalha de São Mamede o Dia Um de Portugal no percurso da nossa independência.
As escolas, as universidades, as associações e as instituições culturais poderão desempenhar um papel decisivo, através de iniciativas educativas, exposições, conferências, recriações históricas e outras atividades que aproximem a História das pessoas.
O legado de 2028 não deve esgotar-se nas cerimónias desse ano. Deve traduzir-se num investimento duradouro na valorização do património, na preservação da memória e na promoção de Guimarães como referência nacional e internacional da História de Portugal.
O Governo e Guimarães, unidos por uma causa nacional
O sucesso destas comemorações dependerá da capacidade de cooperação entre o Governo, o Comissariado Nacional, o Município de Guimarães e as restantes instituições envolvidas. Cada entidade terá responsabilidades próprias, mas todas deverão trabalhar com um objetivo comum: honrar a História de Portugal e dar a São Mamede o reconhecimento que merece.
É neste espírito de colaboração que importa avançar. Com diálogo institucional, ambição e sentido patriótico, será possível construir um programa comemorativo à altura da efeméride, no qual Guimarães assuma um papel central e os portugueses se revejam.
A dimensão nacional das celebrações não deve afastar Guimarães do centro da iniciativa. Pelo contrário, deve reforçar a sua presença e reconhecer o seu contributo singular para a História comum.
Guimarães deve assumir o seu lugar na História
Os 900 anos da Fundação de Portugal são uma celebração de todos os portugueses. Guimarães tem, porém, uma responsabilidade especial: honrar o lugar onde a História lhe confiou o papel decisivo.
Confio no empenho do Município e na capacidade dos Vimaranenses para fazerem desta data uma ocasião memorável. Espero igualmente que o Governo reconheça plenamente a importância de Guimarães e assegure à cidade um papel de destaque nas comemorações nacionais.
Não se trata de dividir protagonismos, mas de reconhecer a História com justiça. Não se trata apenas de recordar o passado, mas de o transformar numa oportunidade de união, conhecimento e afirmação de Portugal.
Em 2028, Portugal deve vir a Guimarães. E Guimarães deve recebê-lo com o orgulho, a dignidade e o patriotismo que a sua História merece.
© 2026 Guimarães, agora!
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