José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Uma história de amor e paixão

1922, Setembro, 22, continua a ser a referência histórica marcante de um clube que se identifica com Guimarães e os vimaranenses.

O Vitória Sport Clube é símbolo dos vitorianos, bandeira de uma cidade, também, bairrista, narrativa de todos quantos discutem o futebol e o seu dia-a-dia, as vitórias e derrotas, as conquistas e desilusões; é ainda paixão porque sentir o clube em toda a sua plenitude mexe com a razão, os sentimentos e a memória; é amor porque quem gosta não esquece, nem desiste, e perdura até morrer.

O sentimento vitoriano exprime-se, hoje, de uma forma mais vasta e expansiva, na comunidade vitoriana. E tudo porque há um canal de comunicação – o Facebook – que não apenas transmite o que sente e pensa cada vitoriano, em todos e cada um dos actos e factos do clube, como é capaz de congregar, enlear e alimentar esse fervor e esse espírito, deixando que cada um manifeste a sua paixão – porque é disso que se trata – sem medos, de forma clara, sem reprovações. E faça chegar a sua mensagem ao vizinho, ao amigo e ao familiar que está longe ou emigrado. O Facebook como plataforma digital tornou-se, também, vitoriano, porque ali se deixam opiniões, se manifesta o amor pelo clube; e também se verbera comportamentos inadequados ao sentir vitoriano. É um livro aberto, onde se lê a história do clube ao vivo, onde os protagonistas falam, cantam, escrevem a sua narrativa vitoriana, feita de salmos, odes, histórias, versos, prosa, imagens, figuras, caricaturas, de louvores e reprovações.

Hoje, quem perder uns minutos a olhar para o Facebook, encontra expresso tudo o que se diz e pensa, do lado dos sócios que choram e riem com as facetas do seu clube; e o que os dirigentes deixam passar como mensagem oficial, na data que ninguém esquece por ser a do seu nascimento.

© Direitos Reservados

Outrora, o sentir vitoriano, espelhava-se nas páginas dos jornais locais. Foi assim ao longo de décadas. Não era mera informação que se veiculava, eram causas que se defendiam, opções que se criticavam, louvores que se teciam a dirigentes – amadores – mas abnegados. Ali se via como vitorianismo e vimaranensismo andavam de mãos dadas.

Na sociedade vimaranense, mulheres e homens que vestem de branco, partilham a efeméride, cantam os parabéns, ostentam o fervor clubístico como orgulho pátrio. E legam às suas gerações esse sentimento de pertença, que vai passando de pais para filhos, netos, numa cadeia que não quebra nem parte. São os mais velhos, os de meia idade, os jovens, as crianças que se orgulham do seu Vitória.

O Vitória é pertença de pobres e ricos, de cultos e menos letrados, de operários e empresários, de doutores, engenheiros ou arquitectos, de banqueiros, advogados, é transversal na sociedade de Guimarães.

Esta caracterização distingue “o nosso clube” dirão todos os vitorianos.

Toda a história – de quase um século – que, hoje, se carrega ou evoca, alicerça-se no sentimento vitoriano, que vem do berço… porque o peso desta memória e deste legado é perene em cada vitoriano e em todos os vimaranenses.

A grandeza do clube é marca do empenho de gerações de vitorianos e daqueles que foram chamados a prestar serviço, nos órgãos dirigentes do clube ou nas suas comissões de apoio; a marca do clube não é dos anos 70 ou 80 mas de todos os anos porque mesmo nos piores momentos ninguém baixou armas ou deixou o Vitória morrer.

O Vitória vale como um todo e cada parte da sua história só tem valor se for lida como uma obra completa, com vários capítulos. Nenhum ano, nenhuma época, nenhum período, nenhuma década é melhor do que a outra. Em todas e todos os capítulos desta história assenta, como uma camada, o período anterior. É por isso que o passado e o futuro são quase a mesma coisa.

“Se António Macedo Guimarães com os seus pares, lá em 1922, não sonhasse em promover um clube para uma cidade especial e de gente espacial…”

O Vitória de hoje, de nada valeria sem o Vitória de ontem; se António Macedo Guimarães com os seus pares, lá em 1922, não sonhasse em promover um clube para uma cidade especial e de gente espacial, o Vitória de agora não seria o mesmo mas outro.

Respeitemos o passado, honremos o presente, amemos o futuro, o Vitória continuará a perdurar para além da ganância em que vive o futebol.

© 2020 Guimarães, agora!

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